- Publicado em 27/10/2011
150 anos é pouco
Um livro lançado esta semana nos Estados Unidos está dando o que falar. Foi escrito pela viúva de Mark Madoff, Stephanie, onde ela conta com detalhes os bastidores de uma família que parecia perfeita, mas cujo chefe, Bernard Madoff, o homem da piâmide, cometeu o maior crime financeiro na história do país.
Stephanie, não esconde seu ódio contra o sogro, que ela responsabiliza pelo suicídio do marido Mark. Segundo ela, Mark, assim como o resto da família, não sabia do negócio sujo do pai, que lesou milhares, talvez milhões, de investidores e deixou um rombo de 50 bilhões no mercado. Para ela, Bernie, hoje com 73 anos, merecia muito mais do que a pena de 150 anos que pegou.
Mas o livro foi apenas a ponta de um novelo familiar que acabou sendo desenrolado pela mídia. Além da autora Stephanie, que deu entrevista em todos os canais de TV, botando pra fora os podres da família, entre eles que a sogra era extremamente fútil e que só sabia conversar sobre “lixo” com as pessoas, referindo-se à sua obssessão pelo supérfluo, o casal Madoff também resolveu colocar pra fora suas próprias fraquezas. Talvez um mea culpa, embora tarde demais.
Entrevistado por Barbara Walters, da Rede ABC, dentro da prisão onde cumpre a pena em North Carolina, o velho Madoff diz estar aliviado por estar preso. Confessou que por vinte anos viveu com medo, sabendo que seu dinheiro era sujo, baseado em sucessivos golpes que dava em seus clientes.
Contou ainda que dentro da cadeia é respeitado, principalmente pelos mais novos, pois eles o admiram pelo novo homem que é , pois hoje está fora do mercado que fez dele um monstro ganancioso que só fez prejudicar pessoas inocentes que acreditaram em seu negócio desonesto. É fácil dizer isso agora, depois de causar o suicídio do filho e a desgraça total da mulher, Ruth Madoff, hoje com 69 anos.
Esta, outrora tão elegante e metida a chic , segundo sua nora, usando só roupas de grife caríssimas, navegando em luxuosos iates, morando em sofisticadas mansões e consumindo as mais finas bebidas e comidas, vive hoje praticamente à mingua.
Foi obrigada a trocar sua vida bilionária de Nova York por um modesto flat na Flórida, onde sobrevive com a ajuda de parentes. Trabalha como voluntária distribuindo comida para os sem teto, em seu carro velho de 14 anos, com vários pontos de ferrugem.
Ela revelou ao 60 Minutes, da CBS, que, na véspera do Natal de 2008, época em que o escândalo explodiu, ela e o marido fizeram um pacto de morte. Deixaram um bilhete de despedida para os filhos e tomaram grande quantidade de soníferos, mas não deu resultado. Acordaram no dia seguinte inteirinhos, e ela confessa que ficou feliz, porque a idéia da morte surgiu em um momento de desespero.
Por ironia do destino, os dois não conseguiram dar cabo da vida deles e quem acabou se matando de tanta vergonha por tudo o que o pai fez, foi o filho Mark, deixando a viúva Stephanie e filhos que ainda precisavam muito dele.
Seja como for, é muito triste acompanhar essa lavagem de roupa suja em público. Os Madoff viviam nababescamente com o dinheiro dos incautos que confiaram em seu chefe. Tinham tudo para ser uma família perfeita e agora tentam entender o aconteceu de errado. A resposta está no livro de Stephanie Madoff: “150 anos é muito pouco para punir um monstro desse quilate”!
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Sobre o autor deste artigoLeila Cordeiro
Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete, SBT e CBS Telenotícias Brasil como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros de poesias publicados: "Pedaços de mim" e "De mala e vida na mão", ambos pela Editora Record. É repórter free-lancer e sócia de uma produtora de vídeos institucionais, junto com Eliakim Araujo, em Pembroke Pines, na Flórida. Artigos mais recentes do autorGata escondida com rabo de foraUm velho filme na TVSaudade tem idade, simA vulgarização dos costumesTeatro da miséria humanaClasse C, a nova paixão da GloboA decadência do sucessoAgressão na sala de aulaAberrações da féMorre uma estrela Todos os artigos deste autor


Em 27/10/2011, Lúcia Helena Alves escreveu:
Leila, garanto que assim como essa temos muitas famílias burguesas aqui no Brasil. Uma gente que vive de aparência, fingindo ter um dinheiro que já se foi pelo ralo. Uma gente decadente, metida a besta que quer ser mais do que os outros. Desculpe, não costumo desejar o mal de ninguém, mas bem feito para esse Madof e para todos os outros que são iguais a ele e que tenham um final triste como o dele.
Em 27/10/2011, Edu Naves escreveu:
É impressionante essa história. Tenho acompanhado pelos noticiários o que aconteceu com essa família. Mas Madoff não foi o primeiro e nem será o último a enganar, fraudar e ludibriar os inocentes investidores que vivem a cata de um lucro do dinheiro que guardou a vida inteira. Como disse a nora dele "150 anos é pouco" para um cara de pau desses.
Em 27/10/2011, Anamaria Silva escreveu:
Que vergonha um homem que parecia tão distinto colocar em risco a propria família. Ele merece o castigo e essa mulher dele fútil também porque deu força a ele a ponto dos dois quererem se matar juntos. Nem pensaram nos filhos, mas receberam de castigo o suicídio de um deles. O cúmulo da degradação causada pela ambição desmedida. Que sirva de lição também a uns e outros por aí.
Em 30/10/2011, Rubens Antikadjian escreveu:
Qual seria a pena de prisão de um golpista como esse aqui no Brasil? Lembram-se dos crimes financeiros cometidos principalmente por banqueiros aqui? Vou citar apenas alguns bancos,entre muitos outros:Comind,Nacional,Econômico, Panamericano, etc.,para refrescar a memória. Alguém foi preso? A única exceção que me lembro de banqueiro preso, e assim mesmo por pouco tempo, é a de Saltore Cacciola, do Banco Marka. Talvez por ser italiano, e não brasileiro. Para pensar, né? Aqui, o poder do dinheiro, aliado à corrupção, fala mais alto.
Em 01/11/2011, Milton Cardoso escreveu:
O tal de Mandoff, deveria ser tratado como Heroi, ele mostrou a todos como estes que tem dinheiro são ordinarios e fúteis, e isso se aplica a quase toda a classe capitalista. Quem faz o progresso não são os capitalistas, mas os trabalhadores!
Em 02/11/2011, Luis Hipolito Blogger escreveu:
O que mais impressiona no caso Madoff é o fato de nunca ter havido uma auditoria em seus negócios que certamente revelaria a gigantesca fraude que causou o maior prejuízo da História a milhares de pessoas. Será que não existem no mundo outros casos semelhantes, principalmente envolvendo grandes instituições financeiras e que virão à tona nos próximos anos?
Em 29/02/2012, Paulo César escreveu:
Isso mostra o que o materialismo a ambição e tudo que é pra prejudicar o próximo, leva. Que tudo que plantamos nos colhemos, seja aqui ou aonde estiver, que a gente está na busca da evolução. Eu não entendo essas pessoas, com tantas maravilhas a nossa vista com tantas dadivas divina, eles se prendem em coisas tão pequena, comparado a imensidão de coisas que existir nesse mundo.