• Publicado em 09/02/2012

    América presa ao passado

    Bristol (EUA) – Vocês sabem quantas nações do mundo garantem em sua Constituição o direito de portar armas a seus cidadãos? Três: os Estados Unidos, a Nicarágua e o México.

    Vejam em que companhia se encontram os americanos, sempre dispostos a olhar com desprezo seus vizinhos ao sul do Rio Grande.

    Diga-se que México e Nicarágua consagraram tal princípio justamente por serem influenciados pela Constituição dos Estados Unidos, que os americanos apontam orgulhosamente como “modelo para o mundo”.

    A verdade porém é  que as modernas constituições estão mais e mais se afastando do modelo americano. As constituições recentemente escritas ou reformadas garantem o direito das mulheres, o direito à liberdade de locomoção, o direito ao trabalho, o direito à educação, o direito a se organizar em sindicatos, o direito a não ser expulso de seu próprio país, o direito de greve – coisas que não se encontram na Carta Magna dos Estados Unidos, promulgada em 1787.

    É de admirar que exista um movimento nacional nos Estados Unidos, financiado por grandes corporações, para acabar com os sindicatos?

    A mais recente controvérsia a alegrar o coração da direita americana se prende à resistência da Igreja Católica ao governo Barack Obama, por conta da prestação de controle de natalidade a pessoas empregadas em seus hospitais ou universidades.

    Tudo isto se passa por conta do peculiar sistema americano, que nem a reforma dos Planos de Saúde conseguiu derrubar, em que os empregados obtem seguros de saúde através de seus empregadores.

    Acontece  que a lei federal determina que os planos de saúde dêem controle de natalidade grátis. Papa, cardeais, arcebispos, bispos, prelados, párocos e  outros piedosos sarcedotes menos votados se insurgiram, dizendo que não podem fazê-lo “por uma questão de consciência”. O Partido Republicano logo apoiou a revolta, definindo-a como “uma questão de liberdade religiosa”.

    É uma posição totalmente hipócrita, num país em que 98% das mulheres católicas sexualmente ativas usam anticoncepcionais, da pílula à camisinha.

    A Igreja Católica tem todo o direito de pregar seu dogma aos fiéis, colocar anúncios, outdoors, imprimir folhetos. O problema é que a pregação aos fiéis não convence as 98% de mulheres católicas acima citadas (nem a seus maridos, amantes ou namorados) e então a Igreja Católica quer passar a batata quente adiante, ao governo. Quer que o governo tome a si a tarefa de impedir ou dificultar que mulheres nos planos de saúde em hospitais católicos ou universidades católicas  tenham acesso ao controle de natalidade.

    Mesmo mulheres de outras religiões ou sem religião.

    Todos esses hospitais e universidades no centro da controvérsia recebem subsídios federais. Por que a Igreja não abre mão deles?

    Tal discussão não existiria, é claro, se houvesse Seguro Médico  do governo - coisa que a direita não permite, por considerar “socialismo”.

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    • 5 Comentários recebidos

      • Em 11/02/2012, ricardo carvalho escreveu:

        Ah, as religiões... Creio em Deus, só não creio é em seus supostos representantes aqui na terra. Principalmente, uma que em nome D'Ele matou na fogueira, pura barbarie, torturou, vide garrote vil. Logo essa, acusada em todo o mundo por crimes de pedofilia é a que mais se insurge. Pensando bem, da para entender. Controle de natalidade reduz de forma significativa o numero de futuras vitimas.

      • Em 12/02/2012, Fernando Bernardo escreveu:

        O que o articulista quer é que o Governo IMPONHA um controle da natalidade à força, à cada cidadã !. "Socialismo" ? Faça-me um favor !. E o socorro aos grandes bancos, como Bofa e Citibank, mais a seguradora AIG, com dinheiro público, eles dizem ae que foi o quê ?. Uma FORMA de Socialismo foi certos executivos embolsarem um tutuzão como bônus de produtividade, mesmo em empresas falidas !. No Brasil ? Temos 40 anos de atraso, e nem o PT consegue implantar aqui um controle da natalidade SÉRIO neste país !. Resultado ? Em certas "comunidades", tenho que andar com o carro sempre em 1ª, devido ao excesso de crianças nas ruas...Ou seriam crionças ?.

      • Em 12/02/2012, Carlos Maria escreveu:

        O autor desconhece o que estava dentro do Obamacare que será implantado. Ora, são 2.400 paginas que o Congresso democrata passou que nem o presidente leu mas assinou assim mesmo. Palavras da Pelozi: "Vamos passar esta lei bem depressinha e vamos ler depois". Pois bem, $500 Bi serão retirados do Medicare que acho eu, o autor esta usufruindo do mesmo e aplicar nos ilegais e americanos sem seguro saúde. Se o autor e pessoas com +65 anos necessitar de uma cirurgia, Washington irá rever o caso e dizer SIM ou NÃO. Diálise para os velhinhos estarão cortadas bem como transplante de fígado, rim ou cirurgias invasivas no coração como um stint. Não adiantara ter seguro privado pois irão seguir as diretivas do Medicare. Para os que não moram por aqui...Medicare é o Seguro Saúde obrigatório do governo para as pessoas com + 65 anos contando que esta pessoa recolheu SS por uns anos. Isto não é Socialismo mas sim Marxismo com as bênçãos do Obamacare. Então, com +65 anos se cuidem.

      • Em 15/02/2012, João Carlos escreveu:

        É uma verdade pela metade, se isso for possível, dizer-se que apenas 3 países dão direito a seus cidadãos portarem armas. Talvez haja mais, mas em Israel e Suíça, todos os reservistas e ex reservistas levam suas metralhadoras para casa, obrigatóriamente

      • Em 15/02/2012, José Inácio Werneck escreveu:

        Caro João Carlos: Eu não disse que apenas três países dão direito de porte de arma a seus cidadãos. Eu disse que apenas três países tem este direito garantido na Constituição.

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