• Publicado em 08/12/2011

    Antes tarde do que nunca

    Bristol (EUA) – Barack Obama foi eleito com as esperanças de milhões de pessoas nos Estados Unidos e no mundo, mas, uma vez  no cargo, começou a mostrar timidez logo ao apresentar seu programa de estímulo econômico.

    O país estava a um passo de uma depressão igual à da década de 30, desencadeada pela política econômica irresponsável de George W. Bush, que, entre outras coisas, reduziu impostos enquanto embarcava em duas guerras de custos astronômicos.

    Veio a quebra de Lehman Brothers, a necessidade de salvar grandes bancos no buraco, recessão, desemprego, dívida pública explosiva e um gigantesco déficit orçamentário. Para fazer a economia crescer de novo, Obama precisava de um projeto ousado, mas acabou com medo de atingir a espetacular cifra de um trilhão de dólares e chutou na trave, com algo entre 800 e 900 bilhões de dólares. Cortejou republicanos, para evitar o “filisbuster” no Senado, quando deveria ter se dirigido à nação e dito: “Isto é o de que precisamos, telefonem para seus senadores, escrevam, passem e-mails, obriguem-nos a cumprir com seu dever”.

    Além do estímulo, Obama tergiversou ainda com outras coisas, como o projeto de “cap-and-trade” para combater o aquecimento global e sua reforma da saúde, em que acabou  mais ou menos imitando um plano apresentado pelo republicano Mitt Romney no estado de Massachusetts e lá adotado.

    Nada disto lhe valeu a boa vontade republicana. Ao contrário, o que está claro hoje é que uma coisa motiva  os republicanos pré-candidatos, de Mitt Romney a Newt Gengrich, passando por Rick Perry e outros mais insignificantes: a necessidade de açular o ódio a Barack Obama. É algo que começa em preconceito racial e vai a acusações estapafúrdias, como as de que o homem é comunista, nazista (contradição em termos), muçulmano e nem ao menos nasceu nos Estados Unidos.

    Para o fim deste ano está programado um debate republicano na televisão a ser conduzido por Donald Trump, uma figura pública totalmente irresponsável. Será a constatação de que o circo republicano agora é dirigido   pelo palhaço.

    Parece que  tudo isto fez Obama concluir que está na hora de esquecer o bom-mocismo e  adotar o tema que vem sendo exaustivamente repetido pelos diversos movimentos Occupy pelo país afora (inspirados pelo Occupy Wall Street): que há uma imensa e crescente desigualdade econômica nos Estados Unidos, com os ricos cada vez mais ricos, a classe média se proletarizando e a classe pobre sem lenço nem documentos.

    Mas seu discurso doméstico dependerá muito também do que acontecer na Europa.  Mario Draghi, o novo presidente do Banco  Central Europeu, já revertou as medidas de seu antecessor, Jean-Claude Trichet, e fez a taxa de juros voltar ao patamar de 1%, abandonando o 1,25% anterior.

    É um passo na direção certa. Resta saber se Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, que representam a França e a Alemanha (ou, como se diz agora, a dupla Merkozy) vão encontrar uma solução política que permita aos países da zona do euro evitar a recessão que se anuncia para 2012 no continente.

    Mario Draghi não pode resolver sózinho. Os grandes eleitores de Obama são agora os líderes da França e da Alemanha.

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