• Publicado em 22/01/2012

    Brasileiros, salvem a América!

     

    “Deus salve a América”  já era, o negócio agora é “brasileiros, salvem a América”, a julgar pelo discurso de Barack Obama na quinta-feira, diante do castelo da Cinderela, na Disneyworld, símbolo máximo do turismo nos Estados Unidos e sonho de consumo de hordas de imigrantes do mundo inteiro.

    O presidente está convencido de que o turismo internacional pode ser um poderoso instrumento no  combate ao desemprego que teima em complicar a vida do seu país. E, nesse sentido,  ordenou aos consulados americanos no Brasil, India e China que facilitem a concessão de vistos aos cidadãos desses países, considerados os novos ricos do mundo. 

    No caso do Brasil, ele acertou, pois, a julgar pelas colunas de celebridades, dá status dizer que passou o fim de semana ou comprou o enxoval do bebê em Miami ou Nova Iorque.

    Os analistas da Casa Branca sabem disso, acreditam que esses emergentes estão forrados de dinheiro e seus ricos cidadãos adoram viajar e gastar no exterior. Estimam que cada turista desses países gasta em média $5 mil dólares em sua temporada na terra do Tio Sam.  Calculam ainda que, para cada 65 pessoas que visitam os EUA, um novo emprego é criado no país.

    Por isso, como assinalou Obama, “quanto mais estrangeiros visitarem a América, mais americanos poderão voltar ao trabalho, é por isso que estamos aqui hoje, para dizer ao mundo que a América está aberta para os negócios”.

    Aberta, mas nem tanto. O plano de Obama não deixa de ser uma curiosa inversão de valores que nos leva à óbvia conclusão que,  para o governo estadunidense, há duas classes de cidadãos brasileiros:   

    a) as dezenas de milhares de indocumentados,  perseguidos diuturnamente pela Imigração, que vivem e trabalham à margem da sociedade, explorados por patrões que se beneficiam de seu status migratório para levar vantagens; b) e os novos ricos brasileiros, que vivem dias de perigoso esplendor, quando descobriram que é mais barato fazer turismo e comprar casas nos EUA do que no Nordeste brasileiro.

    O que os analistas de Obama não sabem, ou preferiram ignorar, é que esses milhares de indocumentados mandam anualmente para o Brasil alguns bilhões de dólares, dinheiro que poderia ser, em boa parte,  revertido em favor da economia estadunidense, o que não acontece porque seus remetentes não sabem o que pode lhes acontecer amanhã, com a Imigração em seus calcanhares. 

    Por isso é que boa parte dos indocumentados brasileiros não tem conta em banco. Os dólares são guardados debaixo do colchão ou remetidos para o Brasil.  Imaginam que,  presos e deportados por estarem ilegalmente no país,  teriam uma chance em mil de reaverem suas economias se estivessem depositadas em um banco de Tio Sam.

    Seria bom que Obama,  antes de pensar em abrir as portas aos ricos de todo o mundo, pensasse em uma ampla, geral e irrestrita reforma migratória que tirasse da clandestinidade os estimados doze milhões de indocumentados e os transformasse em cidadãos produtivos, eliminando a economia informal, incentivando o consumo interno e o recolhimento de impostos.

    Embora exista no Congresso estadunidense uma proposta de concessão de visto de residência com duração de três anos aos estrangeiros que invistam no mínimo 500 mil dólares em imóveis nos Estados Unidos, a proposta de Obama não é abrir as portas para novos residentes, como alguns pensaram. Ao contrário, ele quer apenas o dinheiro dos estrangeiros para incrementar a economia do país. 

    É ganhar no Brasil, gastar nos EUA e... go home.

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    • 8 Comentários recebidos

      • Em 22/01/2012, Antonio Henrique Dantas Silva escreveu:

        Essa é a lógica da nova geopolítica, as fronteiras continuam fechadas aos tupiniquins, mas escancaradas ao capital tupiniquim.

      • Em 22/01/2012, Joao Florentino DaSilva escreveu:

        Pois e' meu caro Eliakim, isso me faz lembrar aquela estoria do sujeito que passou a vida toda sentado em uma pedra, reclamando da vida e, depois que ele morreu descobriram que a pedra cobria uma mina de ouro. Os governantes estadunidenses, mostram uma insanidade impar, no sentido de que, deixam "escapar" bilhoes de dolares, nao legalizando os imigrantes e fazendo guerras, que poderiam ser aplicados em muita coisa por aqui e, correm para os palanques a fazer discurso, pedindo que o mundo venha trazer dinheiro pra ca'. Sentados em cima da "solucao" (ou parte dela), nao conseguem ver o obvio! Parece que perderam o rumo de vez!

      • Em 23/01/2012, Thamyris Barbosa escreveu:

        Legalizar brasileiros? E quem é que vai fazer o trabalho pesado que os americanos não se sujeitam a fazer?

      • Em 23/01/2012, Carlos Gutto escreveu:

        Ridicula mentalidade de querer trazer Imigrantes (ou melhor o dinheiro )Brasileiro, para os EUAs, sem sequer dar uma garantia ou uma estavel, residencia ou cidadania Americana, Hello!!!!!, acorda Obama, menhum Brasileiro ou outro cidadao, jamais iria investir em um pais, onde se gastou tudo que tinnha e nao tinha em uma guerra fajuta e sem sentido! Ah!!!, mais o Brasileiro adora produtos "Made in USA", claro da mais "Status no Brasil", mais a realidade e de que nenhum Brasileiro seria estupido em investir em um pais, que investe em guerra, e se preoculpa com problemas alheios e esquece dos seus problemas interno. Legalizar os indocumentados arrecadaria um fundo suficiente para gerar novos trabalhos, e evitar o envio de remessas a outros paises. Pense antes de assinar o seu check " Gold especial" e mudar o seu endereco para USA!

      • Em 24/01/2012, jbmartins escreveu:

        Os EUA é o ultimo pais que visitaria, agora não precisa tirar os sapatos, ficar na 60 dias de fila dos consolados,

      • Em 26/01/2012, Rogério Guimarães Oliveira escreveu:

        Aproveito o artigo e o tema para exortar o autor e os meus ilustres colegas comentaristas a entrarem na minha campanha de banimento do uso da palavra "americano/a" para designar pessoas ou coisas dos EUA. Para isso, se acostumem a usar a palavrinha certa, que é: "estadunidense". "Americanos/as", tão ou mais do que os estadunidenses, somos todos nós, nascidos neste esplêndido pedaço de mundo chamado América! Mesmo "norte-americano/a" é insulto que cometemos a mexicanos e canadenses. Então, por favor: deixemos este colonialismo vernacular atávico para atrás e adotemos a palavra "estadunidense" em nosso linguajar. Se eles não colocaram um nome no país deles, que resolvam isso sem se apossarem do lindo nome de nosso continente. A AMÉRICA legítima é também aqui, na minha querida e bela Porto Alegre...

      • Em 29/01/2012, Ronaldo Chagas escreveu:

        Caro Eliakim,mais um texto excelente e bem oportuno!Parabéns!A medida de Obama é uma tentativa de recuperar as perdas sofridas com tanto dinheiro gasto em armas e guerras que não serviram para nada...sem falar da crise econômica de 2008.Os EUA podem até se recuperar nesse plano,mas as sequelas ficarão! ABRAÇOS!!!!

      • Em 29/01/2012, Carlos Maria escreveu:

        O presidente esta fazendo de tudo para ser reeleito inclusive, querer criar empregos no setor privado. Esta contra o "pipeline" do Canada à Houston criando +20.000 empregos no setor privado pois vai contra os "environmentalists" e os interesses do G. Soros e Buffet grandes contribuidores da sua campanha. PS: Ainda falo e escrevo Americano (a). Esta terra imensa esta no mapa do Século XVI com o nome América. Não irei me incomodar com pensamentos e atitudes inconsequentes e assim..."GOD Bless America".

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