- Publicado em 18/12/2011
Cartão de Natal
Nesta última semana em que nos encontramos no ano de 2011, não pretendo ser original e mando uma mensagem de votos, dessas que é usual formular por ocasião da chegada do Natal e do Ano Novo.
Durante os 12 meses de 2011, pude aqui expor minhas ideias e posicionamentos.Em raras oportunidades tive unanimidade de comentários favoráveis – o que é absolutamente normal - e em algumas poucas vezes quase aconteceu o contrário... Mas importante mesmo é a circulação das opiniões livremente, sem peias, no saudável exercício do contraditório democrático. Se algumas críticas foram mais “azedas” ou, até, menos respeitosas, tudo corre por conta de antagonismos ideológicos de quem talvez ainda não tenha percebido que o grande barato está no princípio da alteridade, na admissão da existência de um outro com suas crenças e seus pensamentos, muitas vezes distantes dos nossos como o diabo da cruz, mas ainda assim...existentes. Meus primeiros votos vão, então, para o pessoal do DR, seus colunistas de variadas matizes, seus leitores de grande ecletismo, todos construtores desse espaço cidadão. Espero que tudo continue como até aqui, no ano que vem aí, com a livre exposição de pontos de vista variados, como pretendem os seus criadores.
Infelizmente, o quesito “livre circulação de ideias” não vem sendo uma característica do que anda por aí na grande mídia, acintosamente comprometida com interesses nem sempre defensáveis, pautada por tais interesses, usando todos os recursos de manipulação, em monocórdia tentativa de se constituir em poder político sem eleitores mas com influência. Aqui, meus votos para o ano que chega já são bem diferentes, pois gostaria que, nessa esfera, tudo passasse a acontecer de outra forma, guiando-se os profissionais que servem a esses órgãos apenas pelo irrestrito compromisso com a informação, seja qual for, atinja a quem atingir. O pessoal dessa mídia não precisa assumir posturas igualitárias com o povão, não precisa hipocritamente fantasiar-se de garçom, de empregada doméstica, carteiro ou pipoqueiro, para fazer do que vem aí um novo tempo... Basta usar o poder que tem para bem servir aos interesses do povo e, dentro deste, da parcela mais necessitada, com quem o restante da sociedade tem uma dívida colossal.
Não sendo possível isso, meu desejo é que, cada vez mais, os brasileiros de todos os rincões aprendam a descobrir alternativas em publicações livres, desfrutando assim, plenamente, do direito de serem convenientemente informados e de exercerem o indispensável juízo crítico, sem massificações. E, de quebra, que venha, sim, um mecanismo de controle em que representantes da sociedade possam analisar a informação nefasta, tendenciosa e mentirosa, normatizando-a segundo os princípios da ética, a exemplo do que já existe em países tidos como de grande expressão democrática.
Do DR para a mídia em geral, e desta para o país como um todo, seguem os meus votos. Que a Presidenta consiga levar a efeito os desígnios que lhe confiou o povo, que faça progredirem os programas de inclusão social, que se livre dos autênticos “encostos” oportunistas de alguns que (mal dos tempos e do sistema) apenas pretendem o benefício particular. E que possa contar com Lula como um aliado forte, livre da doença que o acometeu e contribuindo para o êxito que todo brasileiro consciente quer para o país.
Para o mundo, os votos são no sentido de que , em atendimento às muitas manifestações das massas populares do planeta – os jovens em particular - os interesses do grande capital não predominem sobre as necessidades dos desvalidos, que se possam unir os deserdados do mundo todo sem considerações religiosas ou de outro matiz que não seja o da grande redenção social. Que os indignados cada vez ousem maior indignação contra a usura, o lucro fácil e o descompromisso social.
Como todos os votos de Natal e de Ano Novo, predomina neste texto a esperança de que ao menos uma parte do desejado venha a realizar-se. Aqui, lembro-me de um poema de João Cabral de Melo Neto cujo título escolhi para este artigo (“Cartão de Natal”). Nele, o poeta termina – lembrando, talvez, votos proferidos sem êxito em vezes anteriores – esperando que “desta vez, o ferro possa comer a ferrugem e o sim possa comer o não”.
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Sobre o autor deste artigoRodolpho Motta Lima
Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil)
e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado
pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de
Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.
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Em 18/12/2011, Oscar Marcos Tibúrcio escreveu:
Muito belo o seu texto, sr. Rodolpho Motta Lima, parabéns!
Em 20/12/2011, reginaldo escreveu:
Sempre apreciei este mestre. Só desejando que o Professor mantenha sempre esta pegada de escrever esta coluna. Por sinal, ótima. Aproveito para pedir, que, no ano vindouro opinasse ou dedicasse este espaço para comentar sobre as mudanças na lingua portuguesa. Por sinal, achei fora de propósito. Um forte abraço e feliz natal e um grande ano para todos do DR. Reginaldo Rodrigues de Souza-Higienópolis RJ.