• Publicado em 16/02/2012

    Do esgoto para a geladeira

     

     

    Bristol (EUA) – Uma das notícias mais estranhas que li recentemente na imprensa americana dá conta de que o rio Colorado, aquele que conhecemos tão bem de “westerns” mostrando o Grand Canyon, não alcança mais o mar. Suas águas são desviadas ao longo do curso de tal forma que ele simplesmente transforma-se em uma série de poças rasas no meio de um deserto mexicano.

     A notícia me faz lembrar que a escassez de água doce no mundo pode se transformar em mais uma fonte de confrontos e até guerras. O México não está satisfeito com o fato de que apenas 10% das águas do rio Colorado chegam agora ao seu território.

     Por causa disto, escrevi aqui no Direto de Redação, em fevereiro de 2007, que estudos vem sendo feitos para aproveitar as águas servidas, reciclando-as para consumo público.

     Sim, estamos falando de águas de esgotos, de privadas, aquela mesma que desce na descarga de sua latrina, leitor. Ela pode ser depurada a tal ponto que praticamente se iguala à água destilada, a água quimicamente pura, que cai do céu em forma de chuva.

     Aliás, a água de esgoto tratada pode ser ainda mais pura do que a água da chuva, pois a água da chuva, ao descer, entra em contato com impurezas na atmosfera. O grande problema é o psicológico: como convencer as populações a aceitar a ideia de beber água da privada?

     A Austrália, que eu saiba, foi o primeiro país a tratar seriamente do problema, no árido Estado de Queensland. Começaram a usar as águas servidas - mas tratadas  - em irrigação na agricultura, mas agora, até onde chega meu conhecimento, passaram a utilizá-las também como água de beber.

     “Água de beber, camarada”, foi por sinal o título daquela minha coluna há cinco anos. Agora é San Diego, na Califórnia, que também parece disposta a vencer o que os americanos chamam de “yuck factor” – o fator repulsivo. Nas colinas ao norte da cidade ergue-se uma estação de tratamento de água que custou 13 milhões de dólares e produz um milhão da galões por dia.

     A Academia Nacional de Ciências diz  que se outras cidades americanas adotarem o exemplo poderão, no momento, tirar  27% da água que necessitam diretamente de esgotos. A proporção pode aumentar, no futuro.

     É claro que haverá muita resistência, como tudo o que diz respeito nos Estados Unidos a questões de  meio ambiente. Há uma resistência enorme de meios conservadores, sobretudo por parte dos integrantes do Tea Party.

     Com tais pessoas não se pode sequer levantar assuntos como mudanças climáticas, pois eles logo afirmam que não há mudanças climáticas, que notícias sobre aquecimento global são mentirosas.

     Os ativistas do Tea Party se organizaram  para dizer que todas as tentativas de proteção ao meio ambiente, tipo necessidade de utilizar  energia solar ou eólica como combustíveis alternativos, fazem parte de uma “conspiração” das Nações Unidas contra os Estados Unidos.

     Não é de surpreender em um movimento politico que, em tudo e por tudo, procura fazer o relógio da história andar para trás.

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    • 3 Comentários recebidos

      • Em 17/02/2012, ricardo carvalho escreveu:

        O que penso sobre os membros do Tea Party esta no artigo que escrevi para o DR com o titulo: A ameaça dos radicais. Esta no Espaço livre e continua bastante atual.

      • Em 17/02/2012, José Emílio Gomes escreveu:

        Ricardo Carvalho, não encontrei o artigo "A ameaça dos radicais" no Espaço Livre. Você pode enviar para o meu Email: emilio.betric@ig.com.br. Agradeço, desde já.

      • Em 20/02/2012, Antonio Henrique Dantas Silva escreveu:

        Vejam o que faz a exploração desmedida, em nome de um progresso louco, sem regras, em nome de uma produção de bens sem limites. Vejam o paradoxo, gastamos mais dinheiro despoluindo as águas que poluímos para nos dar mais conforto. A cidade de New York elaborou um plano, há alguns anos que visa proteger as nascentes que alimentam o rio Hudson e consequentemente seu abastecimento, saindo mais barato e ecologicamente correto. O cidadão pode beber a água nos bebedouros do central Park, tão pura quanto as das nascentes. No Brasil, basta ver os "rios" que cortam as grandes cidades, São Paulo, Salvador.... e ainda nos denominamos de "povo CIVILIZADO"

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