- Publicado em 04/12/2011
Dupla função de um profissional
Rio - Para começo de conversa, volto a escrever hoje sobre a morte do cinegrafista (?) Gélson Domingos, num tiroteio, no último dia seis de novembro na favela de Antares, numa operação policial contra bandidos e traficantes. Para começo de conversa, faço a mais absoluta e fechada questão de manter minha opinião, sem uma única, escassa ou reles alteração no que escrevi: Gélson morreu por culpa dos patrões da TV Bandeirantes – que já enviaram à família da vítima a ‘estonteante’ quantia de 140 mil reais para tentar amansar as próximas ações reinvindicatórias.
Através de ‘informações de cocheira’ – o pessoal do turfe entenderá a expressão – fiquei sabendo que Gélson não era cinegrafista. Era câmera de estúdio não só da TV Bandeirantes como da TV Educativa, hoje TV Brasil. Em poucas e resumidas palavras, como diria o jornalista Hélio Fernandes, Gélson era obrigado a jogar nas duas para melhorar seu salário miserável. Ora, bolas, como um câmera de estúdio, mesmo com um coletinho à prova da certas balas inimigas, poderia ter experiência para agir num confronto com os reis do crime organizado? E por quê?
Claro que ele – ao contrário de muitos comentários reacionários que chegaram ao Direto da Redação – estava tentando mostrar serviço e, quem sabe, ser promovido e poder seguir sua vida com menos atribulações financeiras ao final do mês. Já imaginaram, por acaso, um câmera (ou câmara) do Faustão deixar o estúdio para ir combater traficantes? Já trabalhei na Rede Globo e sei que lá existe um grupo de cinegrafistas experientes, acostumado a toda espécie de perigos. Nenhum câmera de estúdio, mesmo com as modernas máquinas de hoje, é obrigado a desafiar a morte.
O que Gélson queria era mostrar serviço – cumprindo ordens – e melhorar de vida, nada mais do que isso. E não – como os comentários patronais – ser culpado de sua própria morte. E a TV Bandeirantes que se prepare para uma tremenda briga judicial com a família de Gélson. A não ser que faça como o velho Jornal dos Sports fez comigo, na ‘Injustiça do Trabalho’ e vá empurrando com a barriga o processo. O JS foi condenado e até hoje nada. Mudou de dono, mudou de nome, não circula mais e não paga a quem deve. Isso deve acontecer também com os empregados do Jornal do Brasil e da Bloch Editores, que quebraram e deixaram seus empregados na mão.
Torço para que os sindicatos lutem até fim. No meu caso, já não tenho esperanças. A Justiça do Trabalho merece mesmo o título de ‘Injustiça do Trabalho’, por mais que o pândego Lupi (será que ainda é ministro?) faça propaganda na televisão. Carteiras assinadas, como Lupi alardeava, só para contínuos.
Verdade ou mentira?
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Sobre o autor deste artigoRoberto Porto - Rio
Jornalista há 47 anos (atualmente na ESPN Brasil), com passagens pelo Jornal do Brasil, O Globo, Correio da Manhã, O Dia, Bloch Editores e rádios Nacional, Tupi e Globo. Publicou "História Ilustrada do Futebol Brasileiro", com João Máximo, "Botafogo-101 anos de histórias, mitos e superstições" e "Gírias do futebol", com Carlos Leonam. Artigos mais recentes do autorUma Páscoa pra lá de diferenteO motorista bêbadoUm encontro mais do que suspeitoO pombo decapitadoO estagiário fantasiadoSérgio Cabral me barrouUma matéria infinitaO rádio esportivo mudou minha vidaCemitério assusta argentinoMuitas vezes em Paris Todos os artigos deste autor


Em 04/12/2011, João Carlos escreveu:
Caro Sr. Roberto, sendo cinegrafista de estúdio, o finado não tinha experiência, mas certamente tinha no mínimo 2 neurônios funcionais que o impedissem de ficar na frente de um traficante armado de fuzil e que estava atirando em sua direção.
Em 04/12/2011, Tereza Dantas escreveu:
Prezado Roberto, concordo plenamente com sua posição, sobre a responsabilidade da TV Bandeirantes em relação à morte de Gelson Domingos. Imagino que quem critica e culpabiliza o cinegrafista pela própria morte, ou seja, a velha história de culpar a vítima, tenha apenas um único e precário neurônio funcional. Tereza Dantas
Em 05/12/2011, luiz roberto ribeiro porto escreveu:
Tereza Dantas: primeiro, obrigado por seu comentário. Em segundo lugsr, fui companheiro de seu pai na Nacional nos anos 80. Sempre foi um bom amigo e com a difícil tarefa de cobrir o Flamengo em São Conrado.
Em 15/12/2011, ricardo carvalho escreveu:
Chefe de redação: o Gélson, vai com o fulano lá para Antares fazer a cobertura do que está acontecendo. Gélson: Antares chefia??? Lá é muito perigoso, não vou não. Chefe de redação: tá demitido! Gélson: e minhas contas, como é que vou pagar as minhas contas? Chefe de redação: pede "prô" João Carlos e para os outros "inteligentes".
Em 15/12/2011, jose conceição escreveu:
Sempre o mesmo problema, sem nenhuma fiscalização do ministério do trabalho, função remunerada que não consegue manter a família do trabalhador, cinegrafista de estúdio nas ruas uma irresponsabilidade dos patrões, ainda culpam o falecido que não pode se defender como sempre.Outro problema idêntico vejo todos os dias em nosso estado, motorista e cobrador ao mesmo tempo, cade a fiscalização do ministério do trabalho? Só agirão quando morrerem muitos inocentes. Mesmo assim, também culparão o motorista que morreu no acidente. Levantem os traseiros da cadeira, fiscais do ministério do "trabalho".
Em 02/03/2012, pereira escreveu:
Graças a www.tvhd.com.br a Sky nunca mais vai ver a cor do meu dinheiro