• Publicado em 17/01/2012

    Encontro de emigrantes em NY

     

     

    Berna (Suiça) - Haverá um novo encontro-debate entre emigrantes brasileiros para a discussão de três temas – solução ou dissolução do CRBE (Conselho de Representates de Brasileiros no Exterior), a imprensa dos emigrantes junto à comunidade brasileira e a criação da Secretaria de Estado dos Emigrantes.

    Os debatedores viajarão para Nova Iorque com seus próprios meios e o encontro terá lugar na Casa do Brasil, na 43 st. Número 4, com o patrocínio do Brazilian Times Newspapers, do conhecido Edilson Paiva. São debatedores, a titular do Conselho de Representantes das Comunidades no Exterior, Ester Sanches Naek; o presidente da chamada ABII, Zigomar Vuelma,  e este colunista.

    Embora acertado bem antes, o encontro-debate se tornou bastante oportuno porque coincide com um motim dentro do CRBE, comandado por alguns titulares e suplentes contra seu presidente.

    Na verdade, essa nova crise tem feições de um remake de crise, quando, ignorando as regras democráticas, os titulares, « enrolados na farinha »,  como se disse, quiseram expulsar um suplente pelo delito de ter opinião diferente.

    Na época, o presidente do Conselho agiu como o romano Brutus e votou pela expulsão do seu cabo eleitoral, o suplente articulador de sua eleição. Como dizia minha mãe, hoje uma sábia senhora de 91 anos, « o castigo vem a cavalo ». E veio. Agora querem expulsar o presidente.

    Tenho lido os emails trocados e só posso mesmo lamentar.

    Por uma razão simples, trata-se de uma luta fratricida e sem futuro, baseada num mal-entendido. O de que o CRBE constitui o concretizar das aspirações dos emigrantes.

    Não,  o CRBE, como o próprio nome indica, é apenas um Conselho, só isso. E,   dada a diversidade de opiniões ocorrem brigas, disputas, xingamentos, está sob a tutela dos diplomatas, que há muito tempo aprenderam, no Instituto Rio Branco, como evitar esses atritos e cozinhar contendas no banho-maria ou na água morna, até amolecerem e se acalmarem.

    Faz parte da própria razão de ser do CRBE não chegar a lugar nenhum. Por que ? Porque no documento de sua criação está bem claro e, poderia ser em letras maiúsculas para os míopes, que se trata de um órgão consultivo e de assessoria ou de interlocução como preferem alguns.

    Ou seja, não de se trata de um órgão para decidir, mas para ser consultado, dar palpites e  bater papo ou ficar na conversa mole. Tanto que agora virou bandeira dos amotinados colocar o CRBE no Skype. Cada membro tem três ou cinco minutos para dar seu recado. Se todos falassem seriam 16 vezes 3 igual a 48 minutos ou vezes 5 igual a 80, uma hora e meia, mais a introdução e os anúncios.

    Como se acertou ser sem vídeo, cada um poderá ficar fazendo outra coisa até chegar sua hora de dar o recado.

    Decidimos ficar do lado de fora desse motim, porque nem os amotinados e nem o chefe do conselho têm razão. Quando ajudamos a eleger o presidente, seu compromisso era o de nos ajudar, por sua vez, a chegarmos a um órgão institucional emigrante sem a tutela do Itamaraty, a uma Secretaria de Estado dos Emigrantes. O CRBE seria uma simples e curta etapa. Na sua meditação zen esqueceu o compromisso e quase ajudou a nos expulsar.

    E os amotinados ?

    Seu líder fala em resgatar o CRBE em querer fazer funcionar o CRBE, vítima, ao que diz, da preguiça ou da falta de interesse do presidente.

    E aí está o erro. Sendo apenas um etapa, não há nenhuma necessidade de se resgatar esse conselho. O importante, isso sim, é o de se proclamar a independência, sair da tutela do Itamaraty, encurtar a fase CRBE, para se chegar logo à Secretaria de Estado dos Emigrantes. Os amotinados estão perdendo um precioso tempo que poderia ser dedicado à reivindicação da Comissão de Transição para se criar a Secretaria de Estado. Exceto se a luta é apenas para se trocar de lugar. E nisso não entramos não.

    Vejam bem, por melhor que seja, com revista, skype, suplente agindo como titular, titulares simplesmente ausentes, o Conselho vai ser sempre conselho tutelado, consultivo e de assessoria.

    Para se fazer alguma coisa válida para os emigrantes, e não ser só coisa para vitrina, para inglês ver, é preciso haver um órgão sem tutela, próximo do governo, com independência e em nível de igualdade com ministérios e secretarias de Estado.

    Devem existir também parlamentares emigrantes para agir no Parlamento, em Brasília. Eleitos, terão independência para propor leis em favor dos emigrantes.

    E, em terceiro lugar, deve haver um grande Conselho de Emigrantes, reunindo todos os segmentos representativos da emigração, desde grupos religiosos, filantrópicos, associações de prestações de serviços, despachantes, advogados, doleiros, todos, enfim, para trabalhar em conjunto com a Secretaria de Estado e com os parlamentares emigrantes.

    E como deve ser um Conselho ainda maior, provavelmente haverá ainda mais brigas, porém com um objetivo válido. Mas nesse novo conselho haverá ideologia, porque com o tempo as pessoas eleitas não serão a título pessoal mas em nome de uma política e de um conceito ou ideologia. O que atualmente não existe no CRBE.

    Não apoiamos e nem atiçamos os amotinados, apenas lembramos que não é esse o caminho, que estão perdendo tempo e fazendo os emigrantes perderem tempo. Nossa luta deve ser a nossa independencia.

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    • 10 Comentários recebidos

      • Em 18/01/2012, Joao Florentino DaSilva escreveu:

        Parece que nao ha nada de novo no "front". Arengas tupiniquins a salientar egos pequenos e doentios. Cada um busca ser o centro das atencoes,sempre, virou mania (com rarissimas excessoes, entre o nosso povo, ter sempre, nao a ultima, mas, a "unica" palavra. Gente de geracoes mais recentes, nao aceita ser contrariada nas suas, nem aceitar opinioes divergentes. Acho que estou fora do meu tempo!

      • Em 18/01/2012, Edirson Paiva escreveu:

        Se não há nada de novo no "front" precisamos ocupá-lo. Permanece um desleixo público não fazê-lo. É o famoso "deixa prá lá", "não se envolva não" que não deixa de ser um paralogismo mas longe de ser o sofisma. Precisamos atuar, participar e evitar paradígmas existentes.O encontro em NY servirá para desvendar as arrengas e engajar a possibilidade do enguadramento das opiniões divergentes. Tó Nessa!

      • Em 18/01/2012, MAGDALA MELO escreveu:

        Creio que o Rui é muito sensato e oq ue precisamos é apoiar a criação de um órgão independente. Lembro Aluisio Magalhães, de saudosa memória, que dizia: " mais vale uma Secretaría forte, que um Ministério fraco". Assim sendo, vamos lutar pela Secretaria de Estado dos Emigrantes.Abs Magdala

      • Em 18/01/2012, Sergio Mello escreveu:

        Há um esclarecimento a ser feito no 'front': Existem profissionais lutando por um CRBE aberto, dinâmico e interativo, pois uma iniciativa como o CRBE não se desperdiça. Pelo tempo vigente seus integrantes Titulares tem a obrigação de desempenhar suas funções. Por isto o 'motim' mencionado no artigo não está longe da verdade, falhando apenas em sua caracterização superficial. Em organização tão vertical, a liderança inerte do CRBE causa uma perda quase total do potencial do grupo. E cabe aos que enxergam e tem algum acesso, de tentar solucionar o problema em honra aos votos recebidos. Estas caracterizações superficiais perdem a oportunidade de identificar e corrigir as falhas, e criam a ilusão de uma solução utópica. Em verdade, a política do interesse próprio não mudará, seja numa Secretaria de Emigrantes, CRBE ou Parlamento. Por isto, o imigrante tem que tomar rédeas de seu destino, engajando e cobrando com profundidade de conhecimento das ações de seus representantes.

      • Em 18/01/2012, todeolhonoceis escreveu:

        Sergio Mello, lembre-se do debate aqui na florida, e não se esqueça de que a pessoa que acusou os homens Brasileiros de maltratar as esposas é a mesma que quer assumir a liderança da reunião de NY.

      • Em 19/01/2012, sandra bello escreveu:

        ... sendo consultivo e interlocutor...mesmo tendo suas limmitacoes ...O CBRE nunca apresentou um rstetégia/plano de estreitamento de relacao com as organizacoes de imigraantes para formular uma política baseada na diversidade e transparencia... O CBRE é algo que caiu sobre nossas cabecas , nao surgiu no movimento. Foi imposto.

      • Em 20/01/2012, Valmor escreveu:

        Desde de que não seja as custas do nosso recurso público, vocês podem fazer o que bem entenderem.

      • Em 21/01/2012, Milton Cardoso escreveu:

        Nos Brasileiros no exterior mandamos 8 bilhões de dólares ao Brasil, isso sem poluir sem ter beneficio algum. Se desdobrar um imposto de 2% teremos 160 milhões para que seja usado em nosso próprio beneficio. Vai ter verba para contratar agentes alfandegario, para separar as mudancas das muambas .Sem duvida se nos der algum direito os aproveitadores vão reclamar. Milton Cardoso

      • Em 21/01/2012, Joao Pedro Novais escreveu:

        Tem ate conselheiro do CRBE querendo fazer parte da politica americana ao inves de lutar pelas pelos ideais dos compatriotas da america do norte...como alguem quer ser a voz da comunidade fazendo politica com os Republicanos???? acorda Brasileiros dos USA!!!!!

      • Em 24/01/2012, Milton Cardoso escreveu:

        Estou vivendo nos Estados Unidos, e tenho aguentado este abandono perante aos governos Brasileiros, e quando o governo Lula estendeu a mâo e disse que pode reivindicar, surgiram os poderesos, elites, e tucanos, e outros que estão tentando barrar e sabotar, que aconteça uma vida após o fracassado CRBE. Eu ja estou farto de esperar pela intencional banho maria do Itamaraty, nós temos que fazer acontecer este orgão que esta sendo provisoriamente chamado Secretaria de Estado do Imigrante. Me aguardem!!!

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