• Publicado em 10/11/2011

    Explosão da miséria

    Bristol (EUA) – A população mundial comemorou, se é que a palavra correta é esta, o nascimento da criança que nos colocou no pedestal de sete bilhões de habitantes. Segundo alguns, nasceu na Rússia, segundo outros, em Bangladesh.

    O local não importa, o planeta é um só. Mas vejam a relação de países que tem os maiores índices de fertilidade do mundo: Níger, com 7,07 filhos por mulher, Mali, com 6,52, Afeganistão, com 6,48, Timor Leste com 6,38, Somália, com 6,35, Uganda, com 6,25, Chad, com 6,08, República Democrática do Congo, com 5,91, Burkina Faso, com 5,84, Libéria, com 5,81, Zâmbia, com 5,74, Guiné-Bissau, com 5,66, Angola, com 5,64, Nigéria, com 5,60, Tanzânia, com 5,52, Malawi, com 5,46, Benin, com 5,38, Ruanda, com 5,33, Guiné, com 5,33, Guiné Equatorial, com 5,28, Etiópia, com 5,21, Serra Leoa, com 5,17, Yemen, com 5,10, Gâmbia, com 4,97, Moçambique, com 4,97.

    O que todos estes países tem em comum? A miséria, o atraso cultural. Quase todos os acima citados constituem os chamados países sub-saarianos da África, o Yemen está ali ao lado, depois aparecem Afeganistão, que dispensa apresentações, e Timor Leste, colonizado por nossos amigos portugueses,  que recentemente passou por uma guerra de secessão para se tornar independente da Indonésia.

    Como já escrevi aqui nesta coluna, a partir de uma advertência do Clube de Roma, em 1968, o mundo passou a viver a preocupação da explosão populacional.

    Mas o que se verificou aos poucos é que nos países desenvolvidos o fenômeno passou a se inverter. O índice de fertilidade necessário para manter a população estável é de 2,1 filhos por mulher. Dois porque duas crianças substituem o pai e a mãe. O decimal “1” por causa da mortalidade infantil em um nível irreduzível.

    O Brasil é a maior prova deste fenômeno. Em 1970 tínhamos um índice de fertilidade de 5,8 filhos por mulher. Nossa população explodia. Em 2011, com o desenvolvimento econômico do país, passamos a ter um índice de fertilidade de 1,94 filhos por mulher.

    Abaixo da taxa de reposição. A população do país ainda não começou a encolher pela ocorrência da inércia. Em outras palavras, há um elevado número de adultos ainda em idade fértil, nascidos em fins da década de 60 e início da década de 70,  que continuam a fazer a população aumentar, embora em  ritmo lento. Esta “bolha” porém vai se reduzindo e a partir de 2020 entraremos em declínio.

    Declínio que já existe em países como Finlândia, Albânia, Rússia, Suécia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Itália, Espanha, Alemanha, Hungria, Portugal, Áustria, Letônia. Alguns destes países, como a Rússia, já adotaram programas de incentivo à natalidade, pois caso contrário sua população vai desaparecer. A França, que se encontra no limiar do declínio populacional, já adotou tais medidas há algum tempo e por isto sua população ainda não começou a decrescer.

    Para tornar a situação mais grave, os países que experimentam a explosão populacional tem tradições culturais, como casamentos arranjados pelos pais e casamentos entre adolescentes, que agravam a tendência. São nações em que um terço de meninas já estão casadas ao chegarem aos 14 anos.

    Se o mundo quer realmente controlar a explosão populacional, deve ajudar tais países, muitos com “governos” que só existem em nome, a saírem do subdesenvolvimento econômico e do atraso cultural. É necessário ainda que grupos religiosos do ocidente deixem de condenar o uso de anti-concepcionais.

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    • 7 Comentários recebidos

      • Em 10/11/2011, Leo Mendonca escreveu:

        Concordo J.Inacio, eu ja trabalhei em varios paises fotografando (incluindo Africa do Sul) e posso garantir que sem um controle de natalidade mundial, estamos indo na direcao do desaparecimento da nossa especie neste planeta que deveria ser um paraiso para todos.....que vergonha.

      • Em 11/11/2011, vitorcrdias escreveu:

        Se sair do atraso cultural significar virar escravo da moeda de um país imperialista, então que tal continuar assim? De um jeito ou de outro, países subdesenvolvidos estão fadados a serem escravos de países ditos "desenvolvidos".

      • Em 11/11/2011, ricardo carvalho escreveu:

        É fácil fazer um comentário desses com a barriga cheia. O mundo abandonou a Africa, isso é uma vergonha para todos nós seres humanos.

      • Em 11/11/2011, Mané Fernandes escreveu:

        Esse assunto é recorrente. Volta e meia vem à baila o tal Malthus da vez dizer que agora chega. Bobagem. Sempre foi e sempre será uma bobagem querer controlar a população por meio de leis que não sejam as leis naturais. Quando um grupo melhora de vida, imediatamente diminui os nascimentos da prole. Isso se transforma em problema inverso: uma nação de velhos que não conseguem se manter com seu "bem estar" desejado. A Natureza é sábia. O ser humano só precisa entender isso. Se quiser sofrer menos, é claro.

      • Em 12/11/2011, José Inácio Werneck escreveu:

        Caro senhor Mané Fernandes: creio que o senhor está concordando comigo. Se as nações acima citadas se desenvolverem, seu índice de fertiliade cairá.

      • Em 13/11/2011, Edson escreveu:

        China e India respondem aproximadamente por 1/3 da atual população mundial. Ambas as nações tem evoluído economicamente. Mas eu me pergunto se a eliminação da "pobreza" nessas duas nações, seria possível. Imaginem 2,5 bilhões de pessoas consumindo como os americanos ou europeus consomem. Nosso planeta suportaria isso? Para piorar temos o problema africano...A Humanidade necessita de um "choque de consciência". Enquanto a riqueza for proporcional ao consumo, a existência de miseráveis será inevitável...Necessária, talvez...

      • Em 14/01/2012, Adamastor escreveu:

        Eu sou angolano e já vivi em Portugal e agora estou cá no Brasil. É óbvio que um país quando começa a "desenvolver-se" reduz a taxa de natalidade e como consequência temos a redução da taxa de mortalidade em função dos avanços medicinais. Mas, pra mim, os países africanos não precisam de ajuda externa por "enquanto". Angola, por exemplo, é o país que, segundo estudos de agências econômicas, podia crescer sem ajuda externa depois de uma guerra fratricida que durou 10 anos. Porém, o que é que acontece hoje em dia? Bem, essa é uma história que só quem está por perto reconhece. Nigéria apresentava um crescimento econômico bem mais acelerado que o da Noruega nos anos 80, hoje, o que é aconteceu é a inversão de dados. Em suma, sem que o povo africano resolva antes os seus problemas políticos, - e não tribais como se tem veiculado -, qualquer que seja a ajuda, só vai servir para abastecer os cofres da minoria bem situada.

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