- Publicado em 22/01/2012
Haitianos no Brasil
Miami (EUA) - Pois é, muitos brasileiros sofrem bastante aqui nos Estados Unidos por não estarem devidamente documentados. Por isto, a exemplo da maioria dos latinos, precisam andar nas sombras para não atrair a atenção das autoridades americanas e serem questionados sobre seu status imigratório aqui. Até mesmo dirigir um automóvel é um ato de coragem, uma vez que exige muita habilidade e sorte para não ser pego pelos policiais.
Claro que este tipo de jogo duro das autoridades dos EUA é criticado pelos brasileiros, assim como pelos demais indocumentados – a maioria deles latino-americanos. E os jornais da comunidade reverberam a indignação contra a falta de sensibilidade dos agentes policiais e dos oficiais de imigração.
Entretanto, viajando oito horas mais para o sul do continente, começamos a ver o mesmo sentimento sendo reproduzido no Brasil. Com o crescimento da economia brasileira e o alto índice de emprego, o Brasil está tornando-se um imã para os estrangeiros que vivem em países onde a economia passa por momentos difíceis ou por locais onde grassa a miséria.
Desta forma, profissionais gabaritados da Espanha, de Portugal e de outras nações europeias sentem-se atraídos para trabalhar no Brasil a fim de deixar para trás as crises econômicas e o desemprego vigentes em seus países. Não bastasse a pujança econômica atual, o Brasil ainda oferece perspectivas de crescimento, potencializadas ao sediar eventos da magnitude da Copa do Mundo de Futebol em 2014, e dos Jogos Olímpicos de Verão no Rio de Janeiro, dois anos depois. Ou seja, é uma nação fervilhante ávida por profissionais qualificados.
Entretanto, a exemplo do que ocorre nas nações do Primeiro Mundo, não só pessoal gabaritado está rumando para lá. Os menos qualificados, portanto com menos perspectivas de colocação profissional, também veem o Brasil como o El Dorado do momento. Assim, está cada vez mais comum a invasão de bolivianos, paraguaios e outros vizinhos latino-americanos menos favorecidos.
Agora, está começando a invasão dos haitianos, os quais chegam à fronteira norte do Brasil guiados por coiotes no melhor estilo cruzamento do Rio Grande – o rio que divide o México dos Estados Unidos. Eles sabem que está cada vez mais difícil cruzar a fronteira na América do Norte, então, estão voltando suas baterias para o Cone Sul, mais especificamente para o Brasil, onde as fronteiras não são tão vigiadas.
Depois de duas anistias concedidas respectivamente pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o povo brasileiro já começa a demonstrar sua insatisfação com a chegada dos “indocumentados”. E o governo atual já avisou que acabou a mamata, ou seja, para trabalhar no Brasil somente estando devidamente autorizado.
A exemplo do que se verifica aqui, os ilegais acabam trabalhando de qualquer maneira e ficam à mercê de patrões inescrupulosos que os exploram, sabedores de que seus direitos trabalhistas inexistem. E tem sido cada vez mais comum ver imigrantes indocumentados sofrendo perseguições e seus filhos sendo vítimas de bullying provocado pelos coleguinhas brasileiros, desmistificando a lenda de que “o brasileiro é um povo amigável”.
Não é, tanto isto é verdade que uma parte da população já vem levantando a voz para que o governo tome medidas mais duras contra a vinda e a permanência dos ilegais no território verde-amarelo, uma vez que eles tomam empregos dos nativos e usufruem dos benefícios oferecidos pelo Estado sem contribuir com o pagamento dos impostos.
Soa familiar para você? Na verdade, isto é apenas o retrato da sociedade moderna. Todos condenam a perseguição aos imigrantes, mas não toleram quando eles invadem seus territórios. É assim em todo o lugar, inclusive no Brasil, país hoje visto como o mais poderoso da América Latina. Para nossos irmãos latino-americanos, o Brasil representa regionalmente o que os Estados Unidos representam mundialmente. O duro é que o brasileiro não tem a menor noção disto.
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Sobre o autor deste artigoAntonio Tozzi - Miami
Foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA. Artigos mais recentes do autorLinderella do esporteJuizes sem toga"Não me preocupo com os muito pobres"A pedra no sapato do republicanosA patrulha sexualQuem vai ganhar a corrida?A invasão tupiniquimIntercâmbio sob investigaçãoA droga institucionalizadaO pulo do gato de Gingrich Todos os artigos deste autor



Em 22/01/2012, Carlos Maria escreveu:
"Todos condenam a perseguição aos imigrantes, mas não toleram quando eles invadem seus territórios" Sr Tozzi...Artigo muito bem escrito e quando eles forem explorados por lá vamos ver o que vai acontecer ou quando começarem a enviar dinheiro ao Haiti para as famílias como os imigrantes ilegais fazem por aqui enviando $$$ ao Brasil!
Em 22/01/2012, wi;son escreveu:
fora haitiano no brasil ,pelo amor de DEUS , porque eu conheco muito bem esta gente aqui nos estados unidos .os americanos tambem odeiam esse povo e com razao. indiciplinados e que gostam muito de fazer o jogo sujo c as pessoas ++++++++++etc
Em 23/01/2012, Thamyris Barbosa escreveu:
Sim, concordo com o texto. O fato é que ninguém fica em situação irregular em qualquer país simplesmente por que quer. Pelo menos não a princípio. Um imigrante só sai de seu país quando não encontra nele aquilo que precisa. O que é chato é esse negócio generalizar dizendo que os Haitianos são indisciplinados. Muito triste essa xenofobia partindo justo de brasileiros, que sabem bem como é ser tratado com diferença em outros países. Lamentável.
Em 24/01/2012, roseli dos santos escreveu:
vir prá ficar já é demais penso que os governantes devem endurecem já morei fora e legalizar era impossivel pelas exigências. Cada macaco no seu galho assim vale para peruanos bolivianos etc
Em 29/01/2012, andreynner escreveu:
O problema é que o Brasil é a casa da mãe joana....todo mundo entra aqui e pronto!!!quantos haitianos tem nos Eua???ou na França??aqui no Brasil nos ja temos nossos próprios haitis,,,jente tem brasileiros desabrigados e passando fome,sem acesso a saude publica e sem emprego em toda parte do brasil...e sem falar com esses governantes imundos que nos temos,,,não podemos deixar que toda essa jente entre aqui,,e venha tomar o emprego de algum brasileiro.,.solidariedade sim,,,o brasil ja fez muito e continua fazendo...o brasil ajudou a reconstruir aquele pais e agora esta de novo lá...mas aqui não é o lugar deles...se não fizerem algo rápido..isso não vai parar...pensem bem..cada haitiano que vem pra cá,tem uma familia...e eles vão querer trazer..claro né???imaginem onde isso vai parar?
Em 29/01/2012, Cláudia escreveu:
Me preocupo com o futuro do nosso país. Ajuda humanitária é fundamental, porém eles virem para cá é uma ameaça a tudo o que nós brasileiros estamos construindo ao longo de nossa história. Logo imagino: favelização, aumento da violência nas grandes cidades, drogas, desvio do dinheiro público em favor de imigrantes, etc. E quem paga a conta? Eu e vcs que trabalhamos neste país. Fico feliz quando sei que meu imposto está sendo bem aplicado, mas com imigrantes não. O Brasil é dos brasileiros e para os brasileiros. Cláudia
Em 30/01/2012, Gilmar Ribas escreveu:
Não é uma questão de ódio étnico, contudo, espero que se faça uma política de segurança para nossas fronteiras, à medida que o Brasil construiu uma fama de sucesso que não reflete a realidade social muitos vão querer migrar para o Brasil, agora permitir pessoas desqualificadas que em nada poderão contribuir com o desenvolvimento é um PROBLEMÃO. Gilmar