- Publicado em 11/12/2011
Intercâmbio sob investigação
Miami (EUA) - Um dos programas mais bem-sucedidos dos Estados Unidos está sendo revisado minuciosamente sob ordem da secretária de Estado do país, Hillary Clinton. Trata-se do programa de intercâmbio cultural para jovens estrangeiros que desejam moram nos EUA durante as férias de verão e podem aproveitar o período para aprimorar o inglês e mesmo fazer algum tipo de trabalho para ajudar na manutenção deles no país.
Jovens universitários de todo o mundo, inclusive do Brasil, aproveitam a oportunidade para conhecer melhor como funciona a sociedade americana e retornam encantados com o que podem desfrutar durante este curto período. É comum vermos brasileiros trabalhando nos parques da Disney, em Orlando, nesta época e ajudando os conterrâneos que não falam inglês.
Entretanto, o programa, criado em 1963, está enfrentando um momento de desvirtuamento. Uma reportagem feita pela agência de notícias The Associated Press revelou as distorções identificadas no programa J-1, que motivou uma ação mais efetiva de Hillary Clinton e do subcomitê de imigração do Comitê Judiciário da Câmara de Deputados. A reportagem apontou que algumas empresas usaram os jovens para obter mão-de-obra barata e delinquentes têm até mesmo trazido mulheres para o mercado do sexo.
Na mais recente crise do visto J-1 que permite trabalhar nos Estados Unidos durante as férias do meio do ano, um ato processual federal divulgado na semana passada acusa a máfia de utilizar o programa de intercâmbio cultural para trazer mulheres do Leste da Europa com o objetivo de se tornarem strippers nos clubes noturnos de Nova York. Isto tornou-se mais difícil de se fiscalizar porque, à medida que o programa cresceu, atraindo mais de 100.000 jovens anualmente, converteu-se mais em uma questão de dinheiro do que de aproximação cultural.
O Departamento de Estado realizou várias mudanças desde que uma investigação da agência AP no ano passado descobriu vários abusos, inclusive condições de moradia e trabalho que alguns participantes compararam à escravidão obrigada por contrato. Em um dos piores casos, uma mulher disse ter sido espancada, violentada e obrigada a trabalhar como stripper em Detroit depois de lhe ter sido prometido um trabalho como garçonete na Virgínia.
Mais comuns do que o abuso do comércio sexual, no entanto, são as moradias degradantes, as escassas horas de trabalho e o pagamento miserável. Em agosto do ano passado, dezenas de trabalhadores protestaram contra as condições de trabalho em uma fábrica de doces que empacota chocolates Hershey em Hershey, Pensilvânia, queixando-se do trabalho físico duro e das deduções salariais para pagamento de aluguel que frequentemente os deixava com pouco dinheiro.
Os funcionários do Departamento de Estado admitiram estar empenhados em trabalhar para fortalecer o Programa de Viagens para Trabalho no Verão com o objetivo de salvaguardar a saúde e o bem-estar dos participantes. Ou seja, o governo americano não pensa em desativar o programa, mas quer mais controle para evitar a repetição destes tipos de abusos aos quais estão sendo submetidos os estudantes estrangeiros.Ou seja, preocupação é o que não falta para Hillary, que envelheceu bastante depois de ter assumido o cargo de secretária de Estado. Além dos problemas no front interno, ela tem de administrar as crises internacionais, como a acusação de Vladimir Putin de que ela teria enviado pessoas para se imiscuir nos assuntos internos da Rússia, as quais estariam promovendo manifestações contra ele e seu partido em Moscou. Ou, ainda, ter de negociar com o governo de Ahmadinejad para a libertação de Robert Levinson, um ex-agente do FBI preso no Irã, bem como com o fechamento da embaixada virtual dos EUA no país dos aiatolás.
Acho que, a esta altura, ela gostaria de ter sido a escolhida do Partido Democrata e estar na Casa Branca no lugar de Barack Obama...
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Sobre o autor deste artigoAntonio Tozzi - Miami
Foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA. Artigos mais recentes do autorO dono da praia em Miami BeachConfusão legalComo a mídia influenciaServiço pouco secretoRessurreição da Alca seria uma boa?Bons atletas, maus administradoresOs maus sempre são os outrosDe novo, armas não mãos erradasJustiça sem apelaçãoA visão míope dos republicanos Todos os artigos deste autor
