- Publicado em 19/02/2012
Linderella do esporte
Miami (USA) - Os esportes e a arte reproduzem fidedignamente nossa sociedade, mostrando sucessos e fracassos, alegrias e decepções num tempo muito curto em relação a outras carreiras profissionais.
Agora, na música estamos vendo dois exemplos claros. No Brasil, Michel Teló, até então um ilustre desconhecido do grande público, se tornou o grande nome da MPB com o hit “Ai, Se Eu te Pego”. Sem entrar no mérito artístico da canção e do intérpete, a verdade é que ele conquistou fama meteórica. No campo internacional, a inglesa Adele, uma jovem gorduchinha de apenas 23 anos, arrebatou os principais prêmios do Grammy – o maior evento do mundo dedicado à música -, deixando para trás cantores consagrados. Ela também era quase uma desconhecida há dois anos.
Mudando para a seara do esporte, que é o tema deste artigo, a grande sensação é um sino-americano chamado Jeremy Lin, também de 23 anos. Em menos de um mês, o rapaz se transformou no fenômeno da NBA – a principal liga de basquete do planeta – atuando como armador do New York Knicks.
Sua história pode ser comparada à da Cinderella dos contos de fadas. O californiano de Palo Alto sempre sonhou em atuar na NBA, mas nunca lhe deram o devido crédito. Após terminar o curso secundário pediu bolsas de estudos a várias universidades americanas, baseado nos seus dotes esportivos, uma vez que já se destacava como jogador de basquetebol em seus tempos de escola.
No entanto, seu currículo não impressionou os “olheiros” que preferiram conceder bolsas de estudos a outros garotos que pareciam, na avaliação deles, mais promissores. Restou, então, a Jeremy Lin pedir uma bolsa de estudo com base em seu desempenho escolar. Como era excelente aluno, conseguiu uma bolsa de estudo para Harvard, uma das mais conceituadas universidades do mundo, onde estudou Economia.
Enquanto estudava em Harvard, integrou a equipe de basquete da universidade. Entretanto, não conseguiu destacar-se, provavelmente pela falta de qualidade de seus companheiros de time, uma vez que Harvard – assim como as outras universidades da chamada Ivy League (escolas de primeira linha) – somente aceita alunos com bom potencial escolar, ao contrário da maioria das universidades americanas que visam principalmente o potencial esportivo de alguns candidatos.
Após formar-se em Economia, Jeremy Lin resolveu concentrar suas atenções em seu antigo sonho: tornar-se um jogador da NBA. Esteve no draft de 2010, mas não foi selecionado por nenhuma equipe. Apenas o Dallas Mavericks o convidou para participar dos treinamentos, mas logo o liberou. Depois, foi jogar pelo Golden State Warriors, de Oakland, onde também não se firmou.
Surgiu então a possibilidade de jogar pelo New York Knicks, com um contrato de risco de dez dias. Ele agarrou a oportunidade. O time de New York, cidade fanática por basquete, vinha decepcionando nesta temporada, apesar dos prognósticos que apontavam a equipe como uma das candidatas ao título.
O técnico Michael D’Antoni estava seriamente ameaçado de demissão quando colocou Jeremy Lin para jogar. E, como num conto de fadas, tudo se transformou. O time do New York Knicks voltou a vencer os jogos e Lin passou a ser a grande estrela, marcando números assombrosos para um recém-chegado. D’Antoni, é claro, está bastante feliz e vê a ameaça de demissão esfumaçar-se.Para se ter uma ideia, os números de Lin nos primeiros seis jogos como titular superam os de astros como Allen Iverson, Shaquille O’Neal e Michael Jordan.
A partir daí, a febre Lin tomou conta da cidade, do país e do mundo, sobretudo da China, pois ele tem como antepassados chineses vindos de Taiwan e da China continental. Do outro lado do mundo, param para assistir aos jogos do New York Knicks, e aqui nos Estados Unidos as camisas de Lin, de número 17, estão vendendo como pães quentes, enquanto máscaras do jogador enchem as arquibancadas do Madison Square Garden, saudando a nova sensação da NBA.
Claro que é muito cedo para afirmar que Lin se transformará, de fato, num craque, até porque os técnicos e jogadores adversários vão apertar a marcação sobre ele, mas não deixa de ser um sopro de frescor ver algo novo surgir no esporte, simbolizando o microcosmo da sociedade humana, ou seja, a determinação que faz a diferença. Ele queria transformar seu sonho em realidade e conseguiu isto com muita humildade, trabalho e dedicação. E não é mesmo esta a receita dos vencedores?
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Sobre o autor deste artigoAntonio Tozzi - Miami
Foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA. Artigos mais recentes do autorO dono da praia em Miami BeachConfusão legalComo a mídia influenciaServiço pouco secretoRessurreição da Alca seria uma boa?Bons atletas, maus administradoresOs maus sempre são os outrosDe novo, armas não mãos erradasJustiça sem apelaçãoA visão míope dos republicanos Todos os artigos deste autor


Em 19/02/2012, Jose Carlos Valle escreveu:
Incrivel, eu sabia da história, e vc resumiu bem.. e mostrando que quando você sonha por algo , tem que ir atrás.