- Publicado em 08/12/2011
Lobos, ovelhas & cia.
São Paulo (SP) - A Presidência da República conta com a assessoria de uma seleta Comissão de Ética, integrada, entre outros, por um jurista do estofo de Sepúlveda Pertence. Este órgão, em casos anteriores, não desabonou totalmente a conduta de ministros e auxiliares do Governo Federal, mas, mesmo assim, os investigados acabaram sendo demitidos, ou substituídos, por Dilma Rousseff.
Recentemente ocorreu o contrário. Enquanto aquela Comissão recomendava a demissão de Carlos Lupi, ex-Ministro do Trabalho, a Presidência da República chamava para si a "revisão" do procedimento ético e o seu líder parlamentar, deputado Cândido Vaccarezza (não confundir com "Vagareza") dizia não vislumbrar "comprovante" da prática de ilícitos pelo ministro ora demissionário.
Afinal, quem estava jogando sujo com quem ? A Comissão de Ética contra Carlos Lupi ? Contra a Presidência da República ? Ou seria a Presidência da República e seu líder parlamentar contra a Comissão de Ética ? Uma coisa era certa: desse jogo, confortavelmente instalado na tribuna de honra, Carlos Lupi passou a ser um espectador privilegiado, torcendo para que terminasse empatado.
Lá na geral, mais precisamente lá no tobogã, ficou o povão. A maioria almejando uma derrota fragorosa do "Lobos do Planalto Futebol Clube", que, apesar de acuado, mas, com a ajuda de fatores extra campo, resistia heroicamente. No lado oposto, a "Sociedade Esportiva Ovelhas Brasilianas", orientada pela competente treinadora Marília Muricy, embora contando com todos seus titulares, não conseguia finalizar corretamente no arco do adversário.
Surpreendentemente, minutos antes do apito final da prorrogação da peleja, quem sabe temendo uma decisão por pênaltis, Carlos Lupi sumiu da tribuna de honra e mandou retirar seu time do gramado. Voltou às pressas para casa, dirigiu-se ao escritório e redigiu uma carta devolvendo o cargo, para o qual fora nomeado, à sua proprietária. Diante dos antecedentes, não foi um gesto de nobreza de quem fizera uma "rompante" declaração de amor, mas sim de covardia, pela expectativa de ser rejeitado por sua amada, que pouco antes declarara,bem humorada, não ser uma adolescente sonhadora e nem uma adulta romântica.
Eis aí curiosos lances da pretensa e "sui generis" democracia brasileira. Ironias à parte, eles não representam nada de bom. Ideal seria que sequer chegassem a acontecer. Trata-se de um desgastante duelo entre forças, antagônicas, porém, aparente e paradoxalmente fracas e fortes ao mesmo. Nesse entrevero, a nação joga fora tempo extremamente precioso, que melhor seria empregado na solução de problemas de real importância e interesse popular.
Lupi desocupou suas ex-dependências ministeriais ostensivamente irado com a imprensa, mais lembrando um suposto parente distante, que costuma aparecer em noite de lua cheia.
TIMÃO E O DOUTOR SÓCRATES
Já que o tema futebol veio à tona no texto anterior, aproveito a oportunidade para registrar efusivos cumprimentos ao S. C. Corinthians Paulista, legítimo e indiscutível pentacampeão brasileiro em 2011. Foi o time mais vitorioso, mais líder da tabela de uma disputadíssima competição por pontos corridos e, se não mais gols marcou, foi o que menos sofreu, ficando com o melhor saldo positivo. Arriba Timão !
Cumpre, também, registrar sentidas condolências à torcida corinthiana e à comunidade esportiva brasileira, pelo infausto e prematuro desenlace do futebolista conhecido por "Doutor Sócrates", formado em medicina. Como muitos, fui um grande admirador das inegáveis qualidades do craque, igualmente apelidado de "Magrão". Contudo, não nutria muita simpatia pelo seu proselitismo político, principalmente dentro de campo. O gesto com o qual comemorava os gols, braço direito erguido e punho cerrado, não era tão original, pois nos anos 60 já constituía marca registrada do movimento rebelde norte-americano, denominado "Panteras Negras", fundado sob a inspiração de Malcolm X.
Nada obstante, Sócrates não merecia o triste fim que teve, cometendo suicídio lentamente e deixando mau exemplo à juventude, por sua dependência ao álcool, droga "socialmente aceita", que está a exigir um combate mais agressivo e rigoroso que o fumo.
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Sobre o autor deste artigoRomeu Prisco - São Paulo
Paulistano, advogado e ator, dedica-se, atualmente, à arte de escrever artigos, crônicas, contos e poemas, publicados em espaços literários e jornalísticos, impressos e virtuais. Define-se como um sonhador, que ainda acredita nos seus sonhos.
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