• Publicado em 01/09/2010

    Missão impossível

    Bristol (EUA) – É um prato cheio. Nesta quarta-feira Barack Obama se reúne com Banjamin Netanyahu, Mahmoud Abbas, Hosni Mubarak e o rei da Jordânia, Abdullah II,  para tentar estabelecer a paz entre israelenses e palestinos. Ao mesmo tempo, seus conselheiros (e, não esqueçamos, “tropas de apoio”) continuam no Iraque para convencer os políticos locais a enfim formarem um governo funcional. Mais adiante, Obama enfrenta no Afeganistão uma situação que só faz piorar com a flagrante corrupção do governo de Hamid Karzai e ameaça lançar por água abaixo seus planos de sair do país “com uma vitória” em julho do ano que vem.

    Aposto que a vitória não acontecerá, pois até hoje nenhum governo ocidental – o Império Britânico, a União Soviética e os Estados Unidos – conseguiu domar os rebeldes que aproveitam ao máximo seu conhecimento do terreno montanhoso do país.

    Quanto ao Iraque, o que mais me chamou a atenção nas últimas horas foi a difícil conversa que Barack Obama deve ter tido terça-feira com George W. Bush, ao chamá-lo ao telefone para dizer que, à noite, anunciaria a retirada oficial das tropas de combate. Afinal, os dois divergiram fundamentalmente quanto à sabedoria de invadir o país. Além disto, se George W. Bush tivesse um mínimo de decência já teria vindo a público para denunciar a sórdida campanha da direita americana (isto é, seus correligionários) para convencer o público de que Barack Obama é muçulmano – e, com isto, solapar sua administração.

    O fato de que um entre cada cinco americanos acredita mesmo que Barack Obama é muçulmano é um libelo contra a cultura no país, em que há excelentes universidades (cheias de estudantes estrangeiros) e um ensino secundário que, no mais das vezes, cobre a nação de vergonha.

    Mas o grande espinho é o conflito entre árabes e judeus por causa da Palestina e assim vem sendo desde que os ingleses - que queriam os recursos financeiros de Lord Rothschild e outros banqueiros judeus para socorrer a combalida economia do país em 1917, quando ainda transcorria a Primeira Guerra Mundial - apoiaram o projeto sionista de criar Israel, com a chamada Balfour Declaration.

    A declaração dizia literalmente que “o governo de Sua Majestade vê de modo favorável o estabelecimento de uma pátria para o povo judeu e fará todo o possível para atingir este objetivo, deixando ao mesmo tempo claro que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das atuais comunidades não-judias da Palestina”.

    Na velha linguagem dos bicheiros no Brasil, vale o que está escrito. Mas o que está escrito é impossível, porque dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. O resultado é que ou se estabelece um estado único, Israel, com a incorporação dos territórios ocupados, ou se criam dois países diferentes, Israel e Palestina, com a retirada dos territórios ocupados, tratado de paz, relações diplomáticas e solução do problema dos refugiados.

    No primeiro caso, a população árabe será igual à judia e acabará por ser maior, pois tem um índice de natalidade superior. O que fazer? Criar um permanente “apartheid”, com os árabes como cidadãos de segunda classe? Vamos repetir a África do Sul? No segundo caso, como fixar as fronteiras? Como definir a posição de Jerusalém que, se vocês olharem no mapa, não está dentro do território israelense criado pela ONU? E os refugiados, ou, melhor dizendo, seus descendentes?

    Quanto à economia, veremos. Os Estados Unidos gastaram um trilhão de dólares numa guerra idiota e infrutífera contra Saddam Hussein, alegando a existência de “armas de destruição em massa” que, na verdade, não existiam. Pelo menos este dinheiro deixará de descer pelo cano, mas as tentativas de Barack Obama de empregar recursos semelhantes na recuperação da economia americana certamente esbarrarão, outra vez, na oposição republicana.

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    • 4 Comentários recebidos

      • Em 02/09/2010, ricardo carvalho escreveu:

        Como se vê,pais de primeiro mundo, com políticos de quinta.É assim em todo o mundo; governador de Illinois tenta vender a vaga de Obama, políticos da Inglaterra usam verba de aluguel para outros fins, filho de presidente francês faz tráfico de influencia.Aqui no Brasil a coisa também é braba, e eu ainda me aborreço com o Claudio Lessa chamando o Brasil de fazendão. Devo ser um romântico.

      • Em 03/09/2010, Carlos escreveu:

        O que segue, foi a minha resposta ao Eliakin Araujo sobre o Obama e a religião. Em 24/08/2010, Carlos escreveu:Ele fez de tudo para que o povo americano ficasse com a pulga atrás da orelha quanto a sua preferência religiosa. Falando com o G. Stefanopoulos numa entrevista na TV..."Segundo a minha religião muçulmana" "Oops,.. cristã". Falou, os EU tem 57 estados o que significa...o OIC (Organization of the Islamic Conference) com a participação de 57 países muçulmanos. O seu discurso de vitoria que não foi para as redes de TV por aqui mas na TV Al-Jazeera para os países muçulmanos bem como o seu discurso em Cairo. A sua indecisão quanto ao medico muçulmano que matou vários soldados no Fort Hood bem como no atentado do "shoe bomber" no Natal passado. E assim vai!!! Não tem nada a haver com republicanos mas sim com o povo americano. E mais, o Hamas não concordou com as conversas de paz entre os dois...Israel e Palestina e disseram que irão continuar a bombardear Israel.

      • Em 06/09/2010, tania escreveu:

        Carlos, o Hamas nao concordou pq o Hamas nao se entende com a ANP. Eles nao tem o menor interesse em melhor as condicoes de vida e a organizar a infraestrutura da parte em q governam. Ha nitida diferenca entre as duas areas. Essa paz e mto importante pra regiao - isso td mundo ja sabe - mas os palestinos precisam se entender entre si. E os ataques agora vao continuar, para tentar acabar com essa tentativa. E vai continuar pq deve existir um medo e um apoio q Hamas nao esta preparado psra encarar. Qto a Obama, q coloque de uma vez o pau na mesa.

      • Em 06/09/2010, Carlos escreveu:

        Tania: Como o Obama é um Carter em technicolor não fará nada. Lembra dos reféns da Embaixada Americana no Iram que durou mais de um ano? Precisou um Reagan no dia da sua Inauguração para por os pingos nos iis

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