- Publicado em 14/02/2012
Morre uma estrela
Receita para ser uma estrela. Comece bem jovem na carreira, com aquela carinha de quem não conhece nada da vida, como uma sementinha que está sendo germinada. Depois vá crescendo, crescendo até se transformar numa planta que só se mantém viva e viçosa à base de muitos remédios, verdadeiros agrotóxicos humanos que vão depenando a saúde das pessoas.
Assim foi a receita da ascenção e queda de muitos dos grandes talentos da indústria fonográfica e do cinema. Só para citar algumas vítimas mais recentes da armadilha do sucesso, os cantores Michael Jackson, Amy Winehouse e agora Whitney Houston, morreram tão de repente que a mídia teve dificuldades para dar a notícia direito.
Tudo foi rápido demais para que o local da morte, como, quando e por que aconteceu só fosse descoberto e confirmado muitas horas depois. Como se esses artistas mortos fôssem personagens de si mesmos em filme de terror morrendo meio abandonados, distantes da família e dos amigos.
Como corpos solitários foram descobertos por seguranças, que chamaram a ambulância do serviço de emergência que chegou quando já não estavam mais respirando. Esse grupo de artistas tão talentosos, que se foi de forma tão semelhante, nem mesmo sentiram a chegada da morte, tamanha a rapidez do processo.
Mas existe algo que incomoda nisso tudo. Todos eles, sem exceção, vinham demonstrando um comportamento errático pouco antes de morrerem. Será que os amigos e a família não poderiam ter tomado alguma medida preventiva para evitar a tragédia de suas mortes tão repentinas?
Será que os médicos necessitavam prescrever tantos remédios para combater a depressão e a falta de sono em pessoas que talvez estivessem apenas precisando de mais companhia desinteressada,, amigos verdadeiros e familiares realmente interessados em sua saúde?
O que me parece nessa estranha coincidência de mortes de tão talentosos ídolos é que pelo jeito eles estavam perdidos, sem chão, por alguma razão que nós fãs mortais nunca poderíamos imaginar, já que sempre os víamos maquiados, penteados e glamurosos nas telas e nos palcos.
E há ainda outra coincidência intrigante entre eles. Envelhecidos, cheirando a decadência esses chamados ícones da classe artística internacional estavam visivelmente pedindo ajuda inconscientemente.
Um apelo distante que nem eles mesmos sabiam que estavam fazendo entrando e saindo de clínicas e entupindo-se de remédios para disfarçar uma dor na alma que talvez não soubessem como aplacar.
O fato é que sem saber direito as causas, estamos assistindo a uma verdadeira epidemia que vem matando alguns dos nossos maiores ídolos, mesmo que esquecidos pela mídia e pela indústria fonográfica, mas sempre presentes na nossa lembrança.
Uma pena, realmente uma pena que tudo tenha que ser tratado dessa maneira. Cada morte um show, tragédias repetidas em manchetes, músicas e vídeos passados incansavelmente nas telas como se esses artistas ainda fossem ídolos vivos e não apenas personagens de uma história que acabou apenas em nome do that`s entertainment...
Michael, Amy e Whitney... R.I.P.
No vídeo abaixo, Whitney Houston canta o Hino Nacional americano na final do Super Bowl em 1991. Segundo comentários da época, ela teria sido a única cantora, até então, a cantar o hino sem um erro de afinação, nem nas mais altas notas. Confira!
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15 Comentários recebidos
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Sobre o autor deste artigoLeila Cordeiro
Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete, SBT e CBS Telenotícias Brasil como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros de poesias publicados: "Pedaços de mim" e "De mala e vida na mão", ambos pela Editora Record. É repórter free-lancer e sócia de uma produtora de vídeos institucionais, junto com Eliakim Araujo, em Pembroke Pines, na Flórida. Artigos mais recentes do autorGata escondida com rabo de foraUm velho filme na TVSaudade tem idade, simA vulgarização dos costumesTeatro da miséria humanaClasse C, a nova paixão da GloboA decadência do sucessoAgressão na sala de aulaAberrações da féApaixonada e feroz Todos os artigos deste autor


Em 14/02/2012, Lucilene Paiva escreveu:
Leila, lindo texto, verdadeiro e emocionante. Sem palavras. Parabéns! lamentável tudo isso.
Em 14/02/2012, Eduardo Camargo escreveu:
Todo esse drama vivido por esses artistas tem uma causa, a própria indústria fonográfica, que é selvagem com suas estrelas querendo que elas brilhem mais do que podem, às vezes. É essa pressão que esses jovens artistas sofrem e depois acabam indo embora precocemente. Uma conta alta para pagar pela fama e sucesso que conquistam.A própria vida.
Em 14/02/2012, Mauricio Pessoa Vieira escreveu:
Excelente artigo. Realmente estes artistas precisam ter ao seu lado "companhia desinteressada, amigos verdadeiros e familiares realmente interessados em sua saúde". Parabens.
Em 14/02/2012, Xico Júnior escreveu:
Uma abordagem bastante equilibrada, inclusive na questão "remédios" (???) sutil. Apenas um detalhe que ficou envolvido no lugar comum, quando na realidade - e isso criou e ainda continua criando polêmica - a morte do intitulado "rei da música pop", Michael Jackson naõ foi, ainda, bem esclarecida. Pois existem suspeitas bastante evidentes de que não se tratou apenas de uma dose excessiva de medicamentos, mas sim uma determinação previamente definida. Cerca de dois meses antes da sua morte (???), coincidentemente, ele havia denunciado, em pleno show público e diante de milhares de fãs, que havia uma conspiração em jogo. E é nisso que reside a suspeita da repentina morte (???) do "rei da música pop". Talvez demore algum tempo, mas a verdade, com certeza, virá à tona. No mais, esses "big stars" são vítimas nas mãos dos seus empresários, da indústria fonográfica e acabam sendo jogados às drogas, tanto para suportar o negócio (lucro), como para tornarem-se "massa de manobra" e matéria à mídia
Em 14/02/2012, Fernando Bernardo escreveu:
Será que os artistas querem mesmo família e amigos verdadeiros ou ADORADORES ? Amizade é dizer coisas duras, se necessário, e ter humildade para escutar tembém !. NÂO é eu mando e vc obedece e/ou eu falo e vc escuta !. Todo mundo, tem certa preferência por pessoas de sua geração. Se sentem co-participantes de um sonho. Sinceramente, não dava mais para MJ e WH cantar para a garotada !. O que realmente for bom, permanecerá !. Mas os jovens de hoje prestam mais atenção à um peido do Justin Bieber, do que a um discurso completo do MJ !.
Em 15/02/2012, Alexandre Behring escreveu:
Parabéns pelas colocações. Talvez nós, público ou talvez a indústria fonográfica devamos rever a maneira como tratamos aos artistas. Excesso de idolatria pontual e cifras astronômicas, causam o isolamento do artista de amizades e família e após sucessos pontuais, vem o ostracismo. Qual artista não sofre com tudo isso?
Em 15/02/2012, Alex Alex escreveu:
Todos eles morrem sózinhos, ou seja, não tem amigos verdadeiros e sim interesseiros e aproveitadores.Além disso com passar do tempo eles não exergam(não querem ) os verdadeiros amigos..
Em 15/02/2012, josé antonio gerheim escreveu:
Lindo Leila. Triste, mas verdadeiro, humando. A voz dela não maorrerá, a imagem também não, a mensagem ficará, como ficou entre outras a de Michael, de Elis, de Clara Nunes, para lembrar das nossas. saudades, gerheim
Em 15/02/2012, Milton Cardoso escreveu:
As corporacoes, sempre torcendo para que uma tragedia aconteça, pois irão faturar geometricamente. Devido a decadencia dos artistas pela droga que as corporações tem um papel importante porem nada faz, a familia tambem desiste e entrega a Deus, que tambem não pode fazer nada, pois o dizimo esta cada vez mais desimado, e assim todos somos culpados e os herdeiros de colarinho branco, vão poder pagar mais lobbistas!!!!!!
Em 15/02/2012, Jose Roberto Jardim escreveu:
Todo artista precisa ser CONHECIDO e ser QUERIDO . Quando falta um destes itens eles desequlibram .
Em 15/02/2012, Andrea da Matta escreveu:
Olá Leila. Gosto dos seus artigos porque você não complica, explica. Por isso adoro ler o que escreve. Mas quanto a esses ídolos, eles ficam bonzinhos depois que morrem porque quando vivos sempre ficavam por aí aprontando. Michael Jackson foi acusado de pedófilo e até fugiu dos Estados Unidos, a Amy Winehouse vivia fazendo escândalo por todo o lado e A Whitney Houston nem se fala. Foi um desastre a turnê dela pelo mundo quando tentou voltar a ativa. Não quero ser maldosa, mas Deus deu a eles tudo o de mais precioso, mas eles procuraram o pior caminho a seguir por isso, talvez, tiveram que pagar tão caro por isso.
Em 16/02/2012, José Emílio Gomes escreveu:
Dinheiro, Poder e Publicidade: Essas são as causas, pois nem toda pessoa está preparada para levar uma vida "normal" quanto conqueistam esses três objetos de desejo do ser humano, notadamente entre aqueles originários de famílias de poucos ganhos e formação cultural.
Em 19/02/2012, Carlos Maria escreveu:
O uso das drogas é um circulo para ficar acordado ou para dormir. Atinge qualquer nível da população não interessando "pouco ganhos e formação cultural". Amphetamina, Cocaína para ficar acordado. LSD para ter sonhos psicodelicos...usado e abusado em 1969 no Woodstock Festival. Em 1970 o seu uso foi abolido pelo Nixon mas o J.Lennon que usava frequentemente o LSD bem como a Y.Ono ficou revoltado e lançou o "Imagine" não para a paz mundial mas para a paz no cérebro dos usuários. Propofol como no caso do M.Jackson que ele mesmo injetava 3-4 vezes por dia, para dormir que até um dia, a dose foi excessiva.
Em 20/02/2012, Ronaldo Chagas escreveu:
Leila,parabéns pelo excelente texto!NOTA 1000!!!A carreira artística é uma moeda de duas faces:um lado reluzente,de fama,dinheiro e prestígio e um lado negro,que é o caminho para o álcool,as drogas e a má influência dos falsos amigos.Infelizmente,ainda teremos mais perdas nesse meio por causa desses fatores...mas é a dura realidade!ABRAÇOS!!!
Em 12/03/2012, Angelica escreveu:
Que prazer rever a Leila Cordeiro,sempre fui sua fan em Salvador.Adorei o seu artigo e concordo com mtos comentários acima,a fama tem um preço muito alto a pagar,abrir mão da liberdade de agir,o medo, a perda do "ser conhecido" como foi citado acima..etc etc..más tb sempre tenho esse mesmo sentimento que vc Leila,será que poderia ter alguem que pudesse ajudar nesse momento?? Uma palavra, sei lá qq coisa!!!Más infelizmente a carreira artista é muito dura mesmo e nem todos estão prontos para enfrentar a realidade.Então o uso das drogas é ajuda que eles encontram.E triste!!!