• Publicado em 08/01/2012

    Muitas vezes em Paris

    Rio – Nesta primeira coluna de 2012, torno a escrever sobre o Jornal do Brasil, onde iniciei minha carreira na década de 60, ainda na época da sede da Avenida Rio Branco. Desconfio, seriamente, de má administração, mas nada posso comprovar. Recordo-me de uma excursão que fiz, cobrindo a Seleção Brasileira, na época dirigida por Cláudio Coutinho. Viajamos, eu, Márcio Guedes, José Inácio Werneck e Ary Gomes (fotógrafo) com poucos dólares no bolso e um extenso compromisso a cumprir: Paris, Hamburgo, Jeddah (Arábia Saudita), Milão, Londres e, por fim, Madri. O JB, na época dirigido por Válter Fontoura, recusou-se a nos dar o suficiente para a excursão – que contava ainda com João Saldanha (1917-1990).

    O resultado foi catastrófico. Quando os dólares escasseavam, eu – como chefe da equipe – tinha que retornar a Paris para sacar dinheiro no único banco que o JB depositava. Perdi a conta de quantas vezes estive na capital francesa em busca de sustento. Pior: numa dessas vezes, o banco francês, do qual não me recordo o nome, me passou cédulas antigas de dólares, sem a inscrição ‘In God We Trust’, no verso. Resultado: na Arábia Saudita, para onde seguimos a seguir, não aceitaram o dinheiro, achando que era falso.

    Foi um sufoco para pagar o hotel. Pedimos dinheiro emprestado ao enviado do Estado de S.Paulo, Tuca Mendes, ou iríamos tomar banho diariamente no Mar Vermelho (que é preto, por sinal). Felizmente, após mais viagens a Paris – os funcionários do banco até já me conheciam – o resto da excursão correu normalmente, com novas cédulas de dólares. Ora, bolas: se o JB houvesse planejado a excursão, com o roteiro que tinha em mãos, nada disso teria ocorrido. Mas Válter Fontoura não quis, o que fazer?

    João Máximo, José Inácio Werneck e eu iríamos escrever um livro que teria o nome de ‘Ascensão e Queda do JB’. Mas aí teríamos que ter acesso a números da contabilidade e essa, é óbvia, não era nossa área. Desistimos. Mas, apesar de tudo, guardo comigo grande amor pelo JB, onde trabalhei nada menos do que cinco vezes. Do JB, a não ser a teimosia contábil de Válter Fontoura, não guardo um único e escasso rancor. Sempre recebi em dia, viajei pelo mundo – com dólares corretos – e fiz grandes amizades. Uma delas é meu colega no ‘Direto da Redação’, José Inácio ‘Moderno’ Werneck.

    Prometo que qualquer dia desses explico o apelido de ‘Moderno’.  

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    • 3 Comentários recebidos

      • Em 09/01/2012, ricardo carvalho escreveu:

        Aquela sede Av. Brasil 500, foi planejada para abrigar também a TV JB, ocorre que alem da má administração o Nascimento Brito, deu azar. A linha editorial do jornal batia quase que diariamente de frente com a ditadura, e as fontes de publicidade foram secando, primeiro as estatais depois as ameaçadas que tinham empréstimos com o BB. Aconteceu a mesma coisa com o Helio e sua Tribuna da Imprensa. É a parte negra de nossa historia recente que infelizmente vivenciamos.

      • Em 09/01/2012, Carlos J. Ribeiro escreveu:

        Mas como era bom comprar o JB depois da faculdade, levá-lo para nossa república de estudantes na Corrêa Dutra, n. 16, no Flamengo onde todos o devoravam. Werneck, Sérgio Augusto, Sandro Moreyra, o Castelinho, você Porto, o José Carlos Oliveira, o Apicius, Clarice Lispector, Drummond, na última página do caderno B. Anos de chumbo, mas que época... mas o JB não lambia as botas dos militares. Daí...

      • Em 07/04/2012, Marly Riqueza Marinho escreveu:

        Roberto Porto, bom dia. Desculpe estar lhe importunando, mas só achei vc na internete , que pudesse me dar noticias de um velho amigo, que não vejo + ou - 30 anos. Gostaria muito de localiza-lo mas até agora não consegui. Por gentileza, vc poderia dar-me noticias ou paradeiro de ARI GOMES? FOTOGRAFO DO JB? Ele era fotografo de esporte. Muito obrigada e uma FELIZ PASCOA.

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