- Publicado em 13/11/2011
NBA num impasse
Miami (EUA) - O que parecia quase impossível está próximo de acontecer: a temporada 2011-2012 da NBA – a maior liga de basquete do planeta – pode ser cancelada. E por que isto pode ocorrer? Por causa da ganância e da intransigência das três partes: donos das equipes, jogadores e agentes.
Interessante notar que nesta equação todos são culpados e nenhum deles está exatamente passando fome. Os donos dos times são milionários e bilionários que podem bancar a estrutura dos clubes que envolve o pagamento dos atletas, do staff que trabalha para o clube (esportivo, comercial e financeiro) e de cuidar das instalações onde são jogadas as partidas. Os jogadores, por sua vez, figuram entre os mais bem pagos do mundo e, finalmente, há os agentes deles, que ganham percentuais sobre os contratos assinados por seus clientes.
Na semana passada, Davi Stern – o todo-poderoso dirigente da NBA (que, dizem, recebe o astronômico salário anual de US$ 23 milhões para gerir a liga) – afirmou que os donos das equipes chegaram ao limite e agora aguardam a resposta da NBPA (o sindicato dos jogadores de basquete profissional da liga). Ou seja, ou eles aceitam a proposta e a temporada se realiza a partir de 15 de dezembro, com 72 jogos no calendário para cada equipe, ou a temporada é cancelada.
Há quem diga que a proposta favorece demasiadamente os donos das equipes. Discutir as minúcias das propostas seria enfadonho para os leitores, até porque os termos da NBA são peculiares. Mas, em linhas gerais, negócios como os do Miami Heat – que reuniu no mesmo time Dwayne Wade, LeBron James e Chris Bosh – ou o de Carmelo Anthony que forçou sua saída do Denver Nuggets para o New York Knicks não seriam mais permitidos; os times com mais dinheiro podem continuar assinando o atleta e efetuando a troca; a NBA quer segurar 10% do salário dos atletas para que eles não ultrapassem os 50% do BRI (a renda total auferida pela liga); divisão do BRI em 50-50 (metade para cada lado), com a NBA congelando os salários por dois anos.
Os donos demonstraram intransigência e botaram a faca no pescoço dos atletas. Eles alegam, com razão, que precisam arcar com todas as despesas e algumas franquias são deficitárias, por se localizarem em cidades com menor poder aquisitivo ou por não possuírem equipes competitivas que atraiam o interesse dos torcedores.
Os jogadores dizem, com razão, que eles são as estrelas do espetáculo. Ou seja, apenas o talento e a competitividade deles é que leva o público a encher os ginásios. Ninguém vai pagar para assistir a uma renião de executivos. Isto vale também para outros esportes e para os shows artísticos. Quem lota estádios, ginásios, teatros, cinemas são os astros.
Os agentes afirmam, sem razão, que os jogadores não devem aceitar a proposta dos donos, porque ela visa apenas o interesse deles. Agora, vem a pergunta: O que fazem efetivamente os agentes? Eles não passam de intermediários que representam os atletas na mesa de negociações e procuram assinar bons contratos para seus agenciados porque, com isto, acabam ganhando mais dinheiro.
Há, ainda, uma quarta parte que não está sendo representada e pode ser a mais prejudicada. Ela é formada pelo pessoal subalterno que vive em função do espetáculo. Em caso de cancelamento da temporada, os funcionários da segurança, da limpeza, os vendedores de ingressos, os empregados de companhias de alimentação que trabalham nos ginásios etc. deixariam de receber seus salários ou mesmo um dinheiro extra por lhes ter sido negada a oportunidade de trabalhar.
E para eles esta renda extra pode significar a sobrevivência, enquanto os donos dos times, os jogadores profissionais e os agentes conseguem viver tranquilamente se a temporada não se realizar, porque eles têm dinheiro suficiente para se manter.
Por fim, a outra parte prejudicada é a dos torcedores. Os fãs de basquete que esperam ansiosamente para assistir grandes partidas de basquete ficarão frustrados e terão de procurar uma nova alternativa de lazer. Quem sabe, assim, pode aumentar o índice de leitura...
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6 Comentários recebidos
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Sobre o autor deste artigoAntonio Tozzi - Miami
Foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA. Artigos mais recentes do autorRebeldes com causa?EUA e China formam parceriaParceria Brasil-Estados UnidosDupla cidadania, válvula de escapeA coragem de AngelinaDesemprego: o novo vilão mundialCarnificina na Síria: triste realidadeAh, a falta de puniçãoMais uma loucura em nome da religiãoO perigo do fundamentalismo religioso Todos os artigos deste autor




Em 14/11/2011, Denise escreveu:
Tozzi Atualmente entro no DR so pra ler vc, devido a alienação da grande maioria dos outros comentaristas que nao tem limites. Parabens por sempre trazer noticias interessantes e esclarecedoras. Grande abraço Denise
Em 14/11/2011, Antonio Tozzi escreveu:
Prezada Denise, obrigado. Isto é até uma honra em razão do alto nível dos meus colegas de site. Um abraço.
Em 15/11/2011, Joao Florentino DaSilva escreveu:
Tozzi, tenho acompanhado isso de perto, aqui em Orlando, e sera' muito engracado se o pessoal descobrir que pode ser perfeitamente feliz sem o basquete.
Em 17/11/2011, Antonio Tozzi escreveu:
Pois é, caro Florentino, este pessoal está brincando com fogo...
Em 21/11/2011, Valmor escreveu:
Prezado Tozzi! Muito bom o texto, acho que essa temporada da NBA foi pelo ralo. Gostaria de chamar atenção para um outro ponto que tu não abordaste no texto. Diferentemente do que aconteceu na greve da NFL, na NBA os jogadores tem a opção do mercado europeu e até mesmo o brasileiro(porque não?). É mais um fator de pressão sobre os dirigentes...
Em 21/11/2011, Antonio Tozzi escreveu:
Com certeza. Agora, vamos acompanhar os próximos passos e ver o que acontece, mas acho difícil esta temporada ser realizada.