• Publicado em 01/12/2011

    O colapso do Euro

     

    Bristol (EUA) – As bolsas no mundo inteiro voltaram a subir de cotação depois que o Federal Reserve dos Estados Unidos e o Banco Central Europeu adotaram medidas conjuntas, como baixa de juros, para estimular a economia européia.

    Na próxima semana os países da zona do euro (e é importante lembrar que o Reino Unido, embora faça parte da União Europeia, manteve a libra esterlina como sua unidade monetária) vão se reunir para tomar medidas a longo prazo, com o fim de evitar o colapso da moeda.

    Tomarão mesmo?

    Se o euro implodir, se economias importantes como a italiana e a espanhola se virem  obrigadas a abandonar a moeda ou, em caso mais extremo, forem expulsas sem cerimônia da confraria, é certo, é inevitável que a recessão mundial voltará ainda com mais força.

    O que, claro, será trágico, neste momento em que a economia americana, a duras penas e apesar de chuvas e  trovoadas, vem mantendo um pequeno crescimento. Se houver por aqui o que eles chamam um “double dip”, um mergulho na recessão seguido logo depois por outro, adeus qualquer possibilidade de reeleição para Barack Obama em 2012. O obscurantismo republicano voltará a se impor.

    O que explica os grandes esforços que o governo americano, sobretudo através de seu Secretário de Tesouro, Timothy Geithner, vem fazendo para levar os europeus a entenderem  que, antes de mais nada, a economia européia, totalmente estagnada, precisa crescer. Depois que ela crescer, aí sim, chegará a hora de adotar medidas de austeridade.

    Infelizmente, um vento de insanidade parece estar varrendo o Velho Continente, com Angela Merkel na Alemanha e David Cameron na Inglaterra (entre outros) querendo a todo custo apertar os cintos de quem já vive com eles no último furo: os assalariados.

    Será que nem o susto da semana passada, quando a administração de Angela Merkel  não conseguiu encontrar compradores em quantidade suficiente para seus “bunds” – isto é, os papéis de seu orgulhoso país,  títulos de dívida com a garantia do governo alemão por trás – conseguirá levar a teimosa criatura a ver a luz?

    Até agora a Alemanha tem se beneficiado do euro, primeiro porque, graças a ele, consegue exportar em condições vantajosas para os demais países da mesma zona econômica e, segundo, porque vem ou vinha conseguindo colocar seus títulos a juros bem mais baixos do que os casos de Espanha, Portugal e Itália (esta última já obrigada a pagar percentagem superior a sete pontos).

    Mas se asfixia que a austeridade de governos conservadores na Europa vem impondo (a mesma austeridade que se tornou obsessiva para os membros do Partido Republicano nos Estados Unidos) continuar a pesar sobre as economias mais frágeis do continente, o euro em si não poderá resistir.

    A Europa, velho foco de crises mundiais, irá deflagar mais uma.

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    • Comentário

      • Em 02/12/2011, ricardo carvalho escreveu:

        Não é possível que nenhum europeu perceba que a solução é uma administração fiscal unica para toda a Europa. Não se concebe, e essa foi a falha de concepção, moeda unica e administrações diversas, algumas inclusive com pouco ou nenhum compromisso com a verdade. De qualquer forma, é interessante ver a senhora Lagarde vir pedir auxilio a um país que até pouco tempo era alvo de atitudes deploráveis por parte desse mesmo FMI que hoje vem passar a sacolinha. Por onde passou, esse organismo abjeto destruiu a economia em nome de uma austeridade fictícia cujo único objetivo era pagar os credores. Não foi com as "lições" do FMI que saímos do circulo vicioso da inflação/divida/empréstimos/recessão /inflação . Foi com doses cavalares de Keynesianismo. É o que esta faltando a Europa e aos EUA.

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