• Publicado em 25/10/2011

    O CRBE, o Itamaraty e fraudes no Paraguai

    No Paraguai, vivem cerca de 300 a 350 mil emigrantes brasileiros, ou seja, o equivalente aos emigrantes no Japão. Muitos desses nossos emigrantes vivem por lá há mais de 15 anos, a maioria gente da roça sem qualquer instrução, mesmo analfabetos e sem papéis, ou seja, podem facilmente ser enganados e tudo perder.

    Diante de abusos ocorridos, trapaças, expulsões e injustiças,  o governo brasileiro e o governo paraguaio decidiram, bilateralmente, normalizar a situação dos emigrantes brasileiros mediante um programa de Regularização Migratória e, para facilitar a vida dos que residem em lugares distantes, criaram-se as Jornadas Migratórias, das quais participam funcionários dos consulados e mesmo representantes do Ministério das Relações Exteriores.

    Com a criação do CRBE, o conselho de representantes dos emigrantes, os brasileiros residentes naquela região passaram a ter seus representantes nesse órgão junto ao Itamaraty. E a advogada Marilene Sguarizi que, profissionalmente e como membro eleita do CRBE vem participando ativamente desse processo de regularização, acreditou piamente na possibilidade do CRBE poder agir em favor dos emigrantes brasileiros locais.

    E agora sua decepção é o primeiro caso flagrante importante que comprova uma verdade que temos denunciado – a estrutura do CRBE é inoperante. O fato do CRBE depender totalmente do Itamaraty mostra sua inutilidade, já que quaisquer iniciativas devem ser submetidas à Divisão de Comunidades Brasileiras no Exterior, subordinada à Subsecretaria-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior.

    Ora, estas duas repartições fazem parte do Ministério das Relações Exteriores e não podem intervir, nem a título de recomendação, nos consulados ou embaixadas não só por questão de incompetência, como por questão de inferioridade hierárquica. Ou seja, a Subsecretaria-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior e a Divisão dela dependente padecem do mesmo handicap do CRBE – na verdade são entidades meramente assessórias, ou se quiserem consultivas do Itamaraty. Auxiliam na informação aos emigrantes sobre as ações desenvolvidas pelo Itamaraty no Exterior, não mais que isso.

    Em outras palavras, a área de decisão do MRE fica com os setores ligados ao ministro Antonio Patriota. Muitos dos acordos bilaterais envolvem outros ministérios e o MRE entra na qualidade de representação do Brasil no estrangeiro, funcionando como vetor mas não como autor. Sem se esquecer que as embaixadas são órgãos de diplomacia e que nunca irão assumir posições ou decisões sem se referir ao governo federal e sem um mandato expresso. Os consulados não passam de tabelionatos com margem de liberdade de ação bastante restrita a documentos e suas validades.

    Como exemplo, podemos citar o seguinte – no caso de uma denúncia por parte do Conselho de emigrantes, CRBE, de irregularidade envolvendo um Consulado e documentos por ele validados, a SGBE e sua Divisão, ambas comandadas pelos embaixador Eduardo Gradilone e pelo conselheiro Aloysio Gomide, não têm competência e nem autoridade suficientes para arguir o diplomata suspeito como autor da irregularidade.

    Pior que isso, hierarquicamente inferior para questionar o diplomata alvo de denúncia, só resta à SGBE e sua Divisão a possibilidade de consultar, de maneira meramente formal e quase com pedido de desculpa, se o referido diplomata tem alguma coisa a dizer e, se não tiver, fica por isso mesmo.

    E não se pode esquecer que o Itamaraty é uma confraria, funcionando à parte de qualquer governo no poder. Nunca se poderá esperar que um membro dessa confraria tome qualquer iniciativa contra um colega dessa elite que, durante séculos, se perpetuava junto aos governos de pai para filho, avô e assim por diante.

    No que Marilene Sguarizi, dedicada membro do Conselho de emigrantes, se equivocou ? Seu equívoco foi o de acreditar no CRBE como um órgão emigrante ativo junto ao governo. E de apresentar uma denúncia de irregularidade num Consulado no Paraguai, na expectativa de uma imediata ação por parte da Subsecretaria-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior.

    A denúncia de Marilene envolve o consul na região de Pedro Juan Caballero, o diplomata Jairo Coeller, suspeito de dar cobertura a uma ex-funcionária do IOM (International Organization for Migration), Graziela Ojeda, demitida dessa organização. Segundo a advogada Marilene Sguarizi, a ex-IOM Graziela Ojeda se declara representante do consul Jairo Coeller junto aos órgãos paraguaios de regularização migratória e tem fornecido certificados de saúde, necessários à regularização de emigrantes, mediante preços exagerados e assinados por sua manicure como se fosse médica.

    Essa situação tem provocado estranheza, diz Marilene, até nas autoridades paraguaias responsáveis pelas regularizações dos emigrantes brasileiros. É bom também lembrar que o programa de Regularização Migratória envolve uma importante verba equivalente a alguns milhões de dólares.

    Frustrada pela inércia do Itamaraty, que prefere acreditar no seu funcionário do que nas afirmações da titular membro do CRBE e representante dos emigrantes brasileiros no Paraguai, corroboradas por dois outros membros da região, Ari Sordi e Romildo Maia, Marilene descobre a falácia do CRBE, órgão inoperante para inglês ver, e se pergunta o que fazer.

    No caso de verdadeiras, as fraudes cometidas prejudicam emigrantes locais e se o Itamaraty é incompetente para agir, resta apenas um outro recurso – o de levar a denúncia ao Ministério Público. Marilene é advogada, sabe como fazê-lo e uma ação nesse sentido, dadas as limitações da SGBE, será mais um passo em direção de um órgão emigrante independente do Itamaraty e livre de sua tutela.

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    • 7 Comentários recebidos

      • Em 26/10/2011, Jorge escreveu:

        Levar o processo ao Ministério Público é um bom passo. Mas o CRBE precisa também virar notícia, caso contrário, vai continuar patinando e sendo um gueto.

      • Em 26/10/2011, celso escreveu:

        nós fazemos a noticia.

      • Em 26/10/2011, Natan galkowicz escreveu:

        Que D'eus nos livre de tanta sacanagem e imcompetencia . Isso so reforca o estabelecimento de uma Secretaria independente , so que , quem vai aprovar uma coisa dessas ? O Governo ? NUNCA !!!!! E'como marcar um gol contra .....

      • Em 26/10/2011, Irene Zwetsch escreveu:

        Gostaria de saber se o MRE e as pessoas citadas no texto foram ouvidas a respeito e tiveram a oportunidade de se manisfestar. Senão a gente vai ficar como leitor da revista Veja, sem conhecer o outro lado.

      • Em 27/10/2011, Milton Cardoso escreveu:

        O crbe é como widows 95, tem que desligar e começar tudo novo. E porque não com o poder para negociar votos dentro do legislativo? Seu Jorge, este negocio de dar suporte só para quem anuncia pesado na midia local, e antiproducente para o imigrante, e os fantoches acabam sendo usados por grupos privados, e até estrangeiros que querem sómente um lobby gratis para Brasilia.

      • Em 29/10/2011, Milton Cardoso escreveu:

        Antes de de passa uma emenda na constituição para que o Imigrante possa eleger deputados e senadores a Secretaria de Estado do Emigrante deve ser criada, pois tem que preparar e mapear os brasileiros, e sem duvida alguma incentivar e dar as condições de votar! Se outro caminho for tomado estara fadado ao fracaço, pois será uma replica do CRBE, organizado em moldes da clerocracia, oligarquia, e elitista.

      • Em 28/02/2012, maria das graças escreveu:

        a dra marlene acusa o conselheiro jairo, mas ela so esta fazendo a denuncia porque ele nao pagou 40 mil dolares que ela pediu,e ela que organizava e arrumava os prestadores de serviço nas comunidades para fazer as imigrantes provisorias do brasileiros,ela e muito mais corrpta de que o conselheiro jairo e bom escultar o que ele tem adizer.

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