• Publicado em 29/08/2010

    O diabo não é tão feio como pintam

    O simpático velhinho da foto é Jimmy Carter, que vai completar 86 anos no próximo dia primeiro de outubro.  Ele foi presidente dos Estados Unidos de 1977 a 1980.  Um presidente discreto e sem muito brilho que não conseguiu a reeleição e ao final do mandato teve que entregar o poder aos republicanos de Ronald Reagan.

    Depois que deixou o governo, entretanto,  Carter tornou-se uma personalidade mundial.  Em 1982, fundou uma organização não governamental dedicada à defesa dos direitos humanos. Ele tem viajado por países do mundo inteiro trabalhando em favor da paz, ora como mediador em questões internacionais, ora como observador de processos eleitorais em países de democracia duvidosa, ora liderando programas sociais como o Habitat for Humanity.  Acabou ganhando o Nobel da Paz em 2002.

    Foi com esse cartel que ele desembarcou na última semana  em Pyongyang, a capital da Coréia do Norte, para negociar a libertação do cidadão norte-americano Aijalon Gomes, preso por entrar ilegalmente no país e por isso condenado a oito anos de trabalhos forçados. 

    O que lá se conversou ninguém sabe, até porque Carter estava em missão pessoal. Mas seus argumentos devem ter sido convincentes, pois no dia seguinte ele embarcava de volta aos EUA levando junto Aijalon, que na verdade não é um inocente turista que atravessou a fronteira sem querer, tentando pegar uma borboleta. Não,  o cidadão em questão é um ativista anti-norte-coreano que estava ali provavelmente em atividade que pode ser considerada de espionagem.  

    O episódio não teve o merecido destaque, talvez porque a mídia ocidental prefere seguir tratando  a Coréia do Norte como um dos demônios da política internacional, parte integrante do “eixo do mal”, na definição do ex-presidente George Bush, e pronta para atirar uma bomba atômica na cabeça da estátua da liberdade.

    Mas os fatos provaram que não é bem assim. É possível negociar-se proveitosamente com todos os países do mundo, não só com a Coréia do Norte.  Mas é preciso que a Casa Branca, sobretudo dona Hillary Clinton, na hora de negociar, esqueça em Washington o jeito arrogante e impositivo e tenha humildade suficiente para ouvir o outro lado.   Tratar os países que não comungam da mesma cartilha como adversários só faz acentuar divergências e colocar em risco a paz mundial.  Respeitar as diferenças é fundamental em diálogos de chefes de Estado de culturas diferentes.

    O velho Carter deu uma lição aos donos do poder em Washington e provou que o diálogo é possível quando se têm boa vontade e humildade.  Ao Departamento de Estado restou elogiar o esforço humanitário de Carter e a decisão do governo da Coréia do Norte de anistiar o cidadão norte-americano.

    Do episódio fica outra lição:  “o diabo não é tão feio como pintam”.

    Não há luz no fim do túnel

    A crise no mercado imobiliário americano resiste e não dá sinal de que esteja melhorando. Ao contrário, a situação está cada vez mais complicada. O Departamento do Comércio divulgou que as vendas de casas novas cairam 12.4% em julho em comparação com o mês anterior. Foi o mais fraco desempenho desde 1963 quando começaram a medir as vendas. Os últimos três meses foram os piores de que se tem noticia.  Apesar do preço baixo das moradias e dos mais baratos juros hipotecários das últimas décadas (média de 4% ao ano), o mercado não anda.

    Desde 1983, mais de 600.000 mil casas novas eram vendidas por ano. Depois que a bolha imobiliária estourou, em 2007, esse número caiu para 375.000. Este ano promete ser o pior de todos. Até o final de julho, tinham sido vendidas 210.000, o nível mais baixo nos últimos 40 anos.

    Mas se você quer um número que dá uma idéia precisa do estrago da crise imobiliária nos Estados Unidos, anote aí. Dean Baker, co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política, estima em 6 trilhões de dólares a perda da riqueza imobiliária desde 2005. Ele acredita que levará no mínimo 20 anos para a recuperação dessas perdas. Outros economistas, entretanto,  pensam que nunca mais as casas voltarão aos valores anteriores à crise.  Assustador, não?

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    • 4 Comentários recebidos

      • Em 29/08/2010, Samusa escreveu:

        Obama errou quando convidou essa mulher para o cargo de Secretaria de Estado . Ela nao se conforma de ter perdido para ele na indicaçao democrata e vai fazer tudo para que ele se ferre no governo para ela se candidatar na proxima. Tá na cara.

      • Em 30/08/2010, José Emílio escreveu:

        O exemplo de Jimmy Carter só reforça a atitude de Lula e Celso Amorim ao partirem para o Iran e conseguirem que o presidente daquele país assinasse o acordo sobre energia nuclear, que os EUA não conseguiram no ano passado. E, com certeza, esse acordo só foi bloqueado por ação e obra dessa senhora Hillary Clinton que, como bem diz o Samusa, deve estar jogando cascas de banana no caminho do Obama. É triste e vergonhoso. Até quando o mundo vai viver sob o julgo dos EUA?

      • Em 04/09/2010, Carlos escreveu:

        O Obama já escorregou na casca da banana há muito tempo que não foi jogada pela H. Clinton mas por ele mesmo. TARP, Stimulus, Health Care etc. O dinheirão mandado à Detroit não foi para construir automoveis mas sim para pagar os atrasados dos sindicalistas. Comprou 3 senadores democratas que estavam em duvida quando da votação do Health Care..."Pay to Play the Chicago Way" Gostaria de saber das promessas do governo através o Carter a fim da Coreia do Norte liberar o Gomes. Tal qual o Bill Clinton que neste ano liberou as duas americanas jornalistas presas na China.

      • Em 05/09/2010, berto escreveu:

        Sempre tive grande simpatia pelo ex-presidente Carter. Entretanto, sua passagem pela Casa Branca poderia ter sido mais duradoura e marcante não fosse a sua titubeada na questão da invasão iraniano-terrorista da embaixada americana em Teerã.

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