- Publicado em 15/03/2012
O perigoso mundo do intercâmbio
O programa é do Departamento de Estado e funciona como uma espécie de propaganda das maravilhas da terra do Tio Sam. Anualmente, 25 mil estudantes de várias partes do mundo se candidatam a viver algum tempo o “american way of life”.
Mas, na prática, a coisa não é bem assim. E é bom que os pais que estão pensando em inscrever seus filhos no programa fiquem espertos.
Segundo reportagem investigativa da rede NBC, dezenas de estudantes estrangeiros do ensino médio que fazem esse programa de intercâmbio são estuprados, abusados sexualmente ou molestados pelos “pais” americanos.
Em um dos casos mais chocantes, pelo menos quatro estudantes do intercâmbio sofreram abusos sexuais pelo mesmo "pai" que os hospedava em sua casa. Ele dizia às suas vítimas: “essa é a cultura americana, você tem que se acostumar”.
A denúncia partiu do estudante alemão Christopher Herbon, que resolveu escrever um livro para contar os dissabores que passou na América e, ao mesmo tempo, limpar sua barra, porque quando uma vítima reclama com a organização que promove o intercâmbio, o reclamante é imediatamente desligado e mandado de volta pra casa como indisciplinado. Foi o que aconteceu com ele.
A reportagem da NBC reconhece que a maioria desses adolescentes têm grande experiência e não cai nessas armadilhas, mas o sistema tem falhas que permitem aos predadores sexuais abusarem de jovens mais inocentes ou temerosos.
Há mais de 80 organizações de intercâmbio credenciadas pelo Departamento de Estado. São empresas que pagam uma taxa e são autorizadas a encontrar famílias que queiram abrigar em suas casas estudantes do exterior, sem receberem qualquer remuneração por isso. E é aí que mora o perigo.
Se você quiser ler a reportagem completa (em inglês), clique no link abaixo: Clique aquiCrime e castigo na política
Uma cena incomum na maioria dos países do mundo foi vista nesta quarta-feira nos EUA. Um ex-governador de Estado, ao lado da mulher que mordia o lábio para segurar o choro, fez um discurso de despedida em público antes de entrar na penitenciária para cumprir uma pena de 14 anos, pelo crime de corrupção.
Trata-se do topetudo Rod Blagojevich, ex-governador democrata do Estado de Illinois, que foi pego pela polícia federal quando negociava a vaga de senador, aberta com a saída de Barack Obama, em 2008.
Blago, como é chamado pelos íntimos, foi condenado em junho de 2011 por diversos crimes, o mais grave o de tentar negociar a cadeira de senador. Escutas telefônicas interceptadas pelos federais foram provas suficientes para sua cassação pelo legislativo local e posterior condenação.
Vale explicar que nos EUA, não existe a figura do suplente de senador. Quando há uma vaga, cabe ao governador do Estado ao qual pertencia o senador ausente nomear o substituto.Talvez uma boa medida que o Brasil poderia imitar, porque o que se sabe de suplentes milionários que pagam a campanha do titular para depois substituí-lo é uma festa.
De Jack Cafferty da CNN, em seu blog Cafferty File:
Cerca de 1,5 milhão de famílias americanas vivem com 2 dólares por dia - ou menos - por pessoa. US $ 2 por dia.
Os números incluem cerca de 2,8 milhões de crianças.
Devemos ter vergonha de nós mesmos.
O Centro Nacional de Pobreza relata que o número de famílias que vivem em "extrema pobreza" aumentou em 130% nos últimos 15 anos.
O centro utilizou a marca de US $ 2 por dia, porque este é um dos principais indicadores do Banco Mundial na avaliação da pobreza nos países em desenvolvimento. É muito triste fazer esse comentário sobre o estado de coisas em nosso desenvolvido país.
Os pesquisadores não incluíram o vale-refeição (fornecido pelo governo) na pesquisa. Se o incluíssem como rendimento, o número de famílias em extrema pobreza cai quase pela metade, 800.000.
No geral, há 46,2 milhões de americanos evivendo abaixo da linha da pobreza.
O governo federal gasta centenas de bilhões de dólares em programas de alimentação, abrigo e casa para os pobres.
Estima-se que 1 em cada 6 americanos dependem de programas públicos – como o vale-refeição e o Medicaid.
Mitt Romney (o republicano líder na campanha para a Casa Branca) disse recentemente que não está preocupado com os "muito pobres", porque “eles já contam com uma rede de segurança”.
Não é exatamente a voz de um conservador compassivo.
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Sobre o autor deste artigoEliakim Araujo
Ancorou o primeiro canal de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos jornais da Globo, Manchete e do SBT e na Rádio JB foi Coordenador e titular de "O Jornal do Brasil Informa" Em parceria com Leila Cordeiro, possui uma produtora de vídeos jornalísticos e institucionais. Artigos mais recentes do autorNão foi culpa da GloboI am gayO Estado de Direito em riscoÉ dando que se recebeGlobo cala jornalistaTudo se resume ao futebolO homem por trás dos 47%Enterrando fantasmasO povo nas ruasDinheiro migrante Todos os artigos deste autor




Em 15/03/2012, Tarcísio Santos de Salles escreveu:
Parabéns pela matéria, Eliakim! Dias atrás, diante de recentes reportagens sobre intercâmbio estudantil, lembrei do que ocorreu com um amigo vizinho meu então residente em Brasilia nos anos 70. Só que não houve estupro sexual, neste caso, não. A primeira residência "de família" em que ele foi acolhido nos Estados Unidos, de acordo com um programa de famoso Clube de Serviços conhecido de todos nós, durante as refeições serviam também um copo de leite para todos à mesa. Mas para ele somente disponibilizavam água. Depois disso, ele requereu transferência de família. Tendo dificuldades também com a segunda. Vindo a estar relativamente acomodado para os objetivos do intercâmbio somente na terceira família que o acolheu. Olhe que não era um bagunceiro, o meu amigo. Muito pelo contrário, de bom comportamento e de pais com conduta, a nós seus vizinhos, de elevada projeção... Reiterado Abraço!
Em 17/03/2012, Carlos Maria escreveu:
Deveriam acabar com este programa de intercâmbio. Gostaria de saber dos americanos que vão ao Brasil. No meu consultório, recebo "calotes" dos brasileiros pois compram um seguro internacional somente para ser usado numa calamidade mas o usam para uma visita inclusive vacinas para frequentar as escolas daqui. Ora, o seguro não paga por uma visita ou vacinas e assim retornam ao Brasil sem pagar. Muitos com doenças cronicas esperando que a medicina daqui resolva gratuitamente. Quanto ao Blago, este será perdoado quando o presidente acabar o mandato. Quanto aos pobres, estes recebem muitas benesses do governo e até hoje, não vi nenhum morrer de fome com os cheques recebidos do governo, SSI, Food Stamps, Medicina excelente grátis, ou estar sem teto usufruindo do Section 8 (Projects).
Em 02/06/2012, Joao Silva escreveu:
Este último "comentarista" deveria assistir ao documentário "Inside Job" para ter uma ideia melhor do país onde reside. Não deveria falar mal dos brasileiros com argumentos puntuais e viciados na origem. Na decadente cultura (ou seria religião?) capitalista tudo se resume em dinheiro. Os perigosíssimos "pais" que premeditam crimes covardes e medonhos contra intercambistas de boa fé são apenas um exemplo da inversão de valores e da perversão da sociedade apodrecida e preconceituosa em que vive. O "vidente" suprarreferido anistia antecipadamente um corrupto vil e, francamente, não está apto a divagar sobre intercambistas gringos no Brasil. Aquilo que vemos depende basicamente do que queremos ver, por isso a miséria e a morte alheias são invisíveis para os que só enxergam o seu umbigo e não o limpam. Há pessoas boas e honestas em todas as sociedades, mas um falso senso comum pode ser induzido se não for mantida uma intransigente postura vigilante e atenta. Não devemos confundir a volúvel moral com a incorruptível ética. Assim caminha a humanidade, com passos de formiga em sem vontade...