• Publicado em 13/12/2011

    O protesto nu contra os islamitas

     

    Berna (Suiça) - Ela se chama Aliaa Magda Elmahdy, é egípcia e decidiu enfrentar os islamitas que, pelo jeito, se apropriaram da « primavera árabe ».

     

    Ameaçada de morte, essa jovem de 20 anos, ainda com cara de adolescente, tirou toda roupa e nua desfechou seu ataque contra os fanáticos muçulmanos, capazes de acabarem com todos os direitos das mulheres conquistados, no século passado, pela mulheres egípcias e mergulharem o Egito numa Idade Média corânica.

     

    « Eu reivindico minha liberdade sexual, o direito de não me casar, meu ateismo. As mulheres devem poder viver sua vida como bem entendem », é o desafio lançado por Aliaa.

     

    Se fosse na França medieval, ela seria queimada na fogueira como filha do diabo ou feiticieira, pelos religiosos católicos da Inquisição. Mas a Idade Média cristã-ocidental acabou com a modernização do cristinianismo decorrente dos movimentos da Reforma, de Lutero a Zwinglio e Calvino, e seus estertores foram provocados pela Renascença e pelo Iluminismo, com o laicismo sacralizado pela Revolução Francesa.

     

    Entretanto, no mundo religioso árabe, sem uma central religiosa ditadora dos dogmas, como o Vaticano, ainda é difícil se esperar uma modernização e uma leitura liberal do Corão, para se chegar à moderação e a uma separação do poder divino e poder temporal como aconteceu na Europa. Além disso, a divisão entre sunitas e xiitas (minoritários), é relativizada pela ascenção dos integristas que pregam o retorno à chariá, a aplicação literal da lei do Corão, uma lei que poderia ter seu lugar naqueles anos do VII século, mas hoje é uma lei cruel e desumana.

     

    Por que a importância do desafio de Aliaa Magda Elmahdy ? Porque a tendência hoje, nos países transformados pela « primavera árabe » é a do poder político ser tomado pelos Irmãos Muçulmanos, movimento integrista combatido na tentativa panarábica do líder laico, anticolonialista e não religioso Gamal Abel Nasser. Para Nasser, a tentativa frustrada de unificação árabe visava criar uma frente contra os países colonialistas, Inglaterra e França principalmente, para desenvolver os países árabes.

     

    Os integristas de hoje estão conseguindo a unificação árabe pela religião e, embora os inimigos sejam praticamente os mesmos, os ocidentais, mas as consequências serão desastrosas. O integrismo islamita se alimenta da pobreza, já que os donos do petróleo não souberam distribuir a riqueza nem instaurar regimes com participação popular.

     

    A instauração da chariá é o retorno literal aos preceitos do Corão com punições físicas, tortura e morte, em nome de uma rigorosa moralização dos costumes. E as principais vítimas são as mulheres, que retornam a ser meros objetos, obrigadas a cobrir todo o corpo a fim de não tentarem os homens. Justamente quando estavam conquistando alguns dos direitos mais que comuns entre as mulheres ocidentais.

    Evidentemente, existe a exceção turca, país muçulmano que optou pela laicidade, na queda do Império Otomano. O risco é o dos islamitas, usando de força e inquisição, acabarem com sociedades muçulmanas liberais como a existente na Tunísia. Quanto ao Egito, parece já ter o destino selado, devendo ser proibido mesmo às turistas se bronzearem nas praias.

     

    Em termos futuros, basta se imaginar a presença de governos teocráticos islamitas em frente à Europa, do outro lado do Mediterrâneo. Sem se contar a atual presença islamita dentro da Europa. E o mais absurdo é que foi o próprio Ocidente o autor desse quadro – a destruição do Iraque de Sadam Hussein e da Líbia de Kadafi foram o equivalente a retirar as barreiras que continham os xiitas do Irã e os Irmãos Muçulmanos do Egito. Abriu-se a Caixa de Pandora.

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    • 9 Comentários recebidos

      • Em 13/12/2011, ricardo carvalho escreveu:

        Estas são as verdadeiras armas de destruição em massa.

      • Em 14/12/2011, José Emílio Gomes escreveu:

        Que se danem a Europa e os EUA. Aqui se faz, aqui se paga. Agora, assuntos sérios a parte, que coisa mais linda essa egípcia!

      • Em 15/12/2011, regis mesquita escreveu:

        O islamismo tem sido o centro da identidade do povo do oriente médio neste momento de baixa auto-estima. É como se eles dissessem: não somos nada, mas, pelo menos, somos muçulmanos. Sabemos que é muito fácil sair do orgulho e embarcar na violência. Abraço, Regis Mesquita http://www.psicologiaracional.com.br/

      • Em 15/12/2011, SPIN na Rede escreveu:

        Que tristeza, o povo Egipcio saiu do espeto e poderá cair na brasa: a ditadura teocrática www.josecarloslima.blogspot.com

      • Em 16/12/2011, Alex Alex escreveu:

        Isto me lembra as festas e comemorações realizadas pelo povo Afegão na queda dos russos, e com a tomada de poder pelos talebans( em tempo, nada a favor da invasão russa).Aliás , todos os talebans armados pelos EUA, lembram???Estes lideres árabes utlizam a religião e o corão para manter o dominio sob os miseráveis.Um dia o petróleo acaba e não haverá mais riquezas nestes países...

      • Em 18/12/2011, Fernanda Alcântara escreveu:

        Religião,a pior doença mental da humanidade! Justifica todos os horrores em nome de mitos inexistentes.

      • Em 19/12/2011, Alexandre Rossetti Behring escreveu:

        Quem mandou os xerifes do mundo mexerem com o que estava quieto? Em nome da tal democracia apregoada por eles e abafada também por eles quando se faz necessário, mexeram em vespeiro. O pior da história é que não são só eles que pagam o pato.

      • Em 25/12/2011, Roland Scialom escreveu:

        Tomara que a ousadia e vanguardismo dessa linda moça não saiam muito caro para ela, porque seria uma pena a gente aprender que ela foi presa, torturada e condenada à morte pelos fanáticos que estão ameaçando tomar conta da situação no Egito. Tomara que o objetivo dessa linda moça não seja se lançar no showbiz e começar sua carreira com uma matéria para a revista Playboy, porque seria uma pena a gente aprender que o show de midia que ela deu foi por motivos de sucesso mundano e não por idelismo.

      • Em 26/12/2011, Roland Scialom escreveu:

        "Abriu-se a Caixa de Pandora", é verdade, e digo mais, algumas décadas atrás essa caixa de Pandora foi fabricada pelos mesmos atores que a estão abrindo agora.

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