- Publicado em 02/05/2010
O RISCO DO PETRÓLEO
Miami (EUA) - Os Estados Unidos estão passando atualmente pelo provável maior desastre ecológico do país, com o vazamento do duto de exploração de petróleo no Golfo do México, que ameaça os estados banhados pelas águas do golfo, como Louisianna, Mississippi, Alabama e Flórida.
Diante dessa tragédia, que ameaça seriamente a fauna marinha – já se fala que a pesca de camarão na região ficará suspensa por anos -, os programas de notícias e debates das emissoras de televisão americanas começam a buscar respostas para, primeiro, evitar mais contaminação; segundo, efetuar a limpeza, e terceiro, discutir alternativas para que este tipo de desastre não venha mais a ocorrer.
Do ponto de vista ideológico, os ambientalistas americanos vêm defendendo cada vez mais a utilização de energias alternativas e renováveis, tais como eólica, solar, de fonte vegetal, biomassa, etc, em substituição ao petróleo, poluente e esgotável. Tanto que o presidente Barack Obama prometeu aprovar juntamente com o Congresso Nacional uma lei para incentivar o uso de energias limpas. Assim como o cap and trade para diminuir a emissão de gás carbônico na atomsfera terrestre.
Desnecessário dizer que os partidários dessas medidas são democratas, partido que defende as mudanças substanciais para o país. Do outro lado, os republicanos continuam mantendo pé firme no status quo a fim de perpetuar um passado de glórias que parece ter ficado na história.
Assim, durante os debates presidenciais na mais recente campanha eleitoral, as posições antagônicas ficaram bastante realçadas. Uma frase de Sarah Palin foi emblemática. Quando perguntada sobre a perfuração de poços para extração de petróleo no subsolo do Alasca, estado então governado por ela, Palin respondeu convictamente: “Drill, baby, drill”. Algo que poderia ser livremente traduzido como “o negócio é perfurar para extrair petróleo”.
E o “drill, baby, drill” transformou-se no mantra dos republicanos, a ponto de despertar a ironia dos adversários, sobretudo parlamentares e jornalistas mais liberais, os chamados esquerdistas, e os elogios dos políticos e jornalistas mais conservadores, conhecidos como direitistas.
Agora, diante desse novo fato, os defensores das perfurações de poços de petróleo em águas profundas estão sofrendo a oposição daqueles que lutam pela adoção de fontes alternativas de energia. Porém, um dos líderes conservadores mais controvertidos da nação, Newt Gingrich, reafirmou sua convicção na continuidade da exploração de poços de petróleo submarinos e diz que nada precisa mudar.
Isso deve servir como alerta para o Brasil. Apesar da Petrobras possuir uma excelente tecnologia na exploração de petróleo em águas profundas, é preciso reavaliar as condições de segurança a fim de restringir as possibilidades de desastres ecológicos. Portanto, esta euforia com a descoberta da camada pré-sal deve ser contida, por dois motivos: primeiro, pela dificuldade em explorar comercialmente o petróleo; segundo, pelos cuidados na exploração de maneira a não provocar nenhum tipo de catástrofe ambiental.
E também não podemos nos esquecer da evolução tecnológica do mundo. Pode ser até mesmo que, quando houver condições ideais para se explorar a camada pré-sal, outras fontes alternativas de energia já estejam sendo utilizadas com mais sucesso.-
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Sobre o autor deste artigoAntonio Tozzi - Miami
Foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA. Artigos mais recentes do autorRebeldes com causa?EUA e China formam parceriaParceria Brasil-Estados UnidosDupla cidadania, válvula de escapeA coragem de AngelinaDesemprego: o novo vilão mundialCarnificina na Síria: triste realidadeAh, a falta de puniçãoMais uma loucura em nome da religiãoO perigo do fundamentalismo religioso Todos os artigos deste autor


