- Publicado em 21/02/2012
O vale-tudo eleitoral
Campanhas eleitorais para cargos majoritários, sobretudo para o de presidente da república, deveriam ser de alto nível, com os candidatos apostando todas as suas fichas em propostas de governo sérias e comprometidas com o bem estar dos eleitores.
Deveriam, mas não o são. Quem não se lembra do baixo nível que tomou conta da última campanha presidencial brasileira, quando uma bolinha de papel que bateu na cabeça do candidato Serra transformou-se, por obra e graça de seus publicitários, num perigoso objeto pontiagudo que feriu-lhe a cabeça, obrigando-o a ser atendido em posto médico?
Também não esquecemos que a candidata Dilma, que esteve sempre na liderança da corrida presidencial, foi vítima de uma sórdida campanha que a classificavam como proibida de entrar nos Estados Unidos, por causa de seu passado como guerrilheira. Como alguém poderia governar o Brasil sem poder entrar nos States? Questionavam os emails que circularam abundante e levianamente na internet. Eu mesmo devo ter recebido algumas dezenas, enviados até mesmo por gente que eu julgava, pelo menos, esclarecida.
Nos Estados Unidos, onde no passado, dizem, o debate eleitoral sempre foi de alto nível, com republicanos e democratas, defendendo suas posições conservadoras ou liberais, dentro de conceitos éticos, a coisa degringolou na atual corrida republicana, cujo objetivo final é defenestrar Obama da Casa Branca, impedindo-o de exercer um segundo mandato.
Dos dez candidatos republicanos que começaram a corrida pela disputa da indicação partidária, seis já jogaram a toalha, uns por falta de apoio popular outros porque foram abatidos por denúncias de traições ou corrupção detonadas pelos próprios colegas de partido.
Dos quatro que ficaram, dois se destacam como os mais radicais na defesa dos ideais conservadores. Aqui vale explicar que, nos EUA, ser chamado de conservador não é nenhuma ofensa. Os candidatos se definem politicamente como conservadores e cobram posições mais conservadoras dos concorrentes do mesmo partido.
Mas, como eu dizia, dos quatro que permanecem na disputa dois se destacam pelo excessivo nível de conservadorismo. O ex-senador Rick Santorum e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, New Gingrich.
Nesta segunda-feira, os dois esqueceram as brigas internas e resolveram atirar no alvo comum dos republicanos, o presidente Obama. E aí partiram pro vale-tudo.
Quando cientistas do mundo inteiro, há décadas denunciam a deterioração do meio ambiente, Santorum teve a cara de pau de afirmar que “não há evidências reais” da existência do aquecimento global, e que há muitos “estudos falsos” sobre o assunto. E que Obama exagerou em "políticas ambientalistas” deixando em segundo plano a recuperação da combalida economia do país.
O tipo do discurso que é um elogio ao presidente, mas pode agradar ao desinformado e imediatista eleitor dos EUA.
Já Gingrich, aquele que propos à segunda esposa um casamento aberto, já que ele tinha um caso com uma funcionária de Washington, acusou Obama de ter sido “incapaz de defender os EUA” , derrotá-lo portanto era “um dever de segurança nacional”. E afirmou que o presidente não está levando o Irã a sério ao cortar a ajuda a Israel, em sua defesa contra mísseis anti-balísticos. Informação que ninguém sabe de onde ele tirou, pois jamais Obama cometeria a loucura de puxar o tapete dos israelenses. Um discurso duvidoso, mas que pode alcançar o eleitorado judeu.
A campanha eleitoral estadunidense se aproxima da reta final. O nível dos candidatos republicanos é esse aí, dai para pior. Santorum assumiu, pela primeira vez, a liderança da corrida republicana, segundo o Gallup, com dez pontos percentuais à frente do segundo colocado, Mit Romney: 36 a 26.
Imagine o leitor o risco que o mundo correrá se uma dessas figurar vier a ocupar a cadeira presidencial na Casa Branca? Obama não é nenhuma maravilha, mas é disparadamente mais preparado e mais equlibrado do que os radicais republicanos.
É tal história, ruim com ele, pior sem ele.
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Sobre o autor deste artigoEliakim Araujo
Ancorou o primeiro canal de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos jornais da Globo, Manchete e do SBT e na Rádio JB foi Coordenador e titular de "O Jornal do Brasil Informa" Em parceria com Leila Cordeiro, possui uma produtora de vídeos jornalísticos e institucionais. Artigos mais recentes do autorNão foi culpa da GloboI am gayO Estado de Direito em riscoÉ dando que se recebeGlobo cala jornalistaTudo se resume ao futebolO homem por trás dos 47%Enterrando fantasmasO povo nas ruasDinheiro migrante Todos os artigos deste autor




Em 21/02/2012, ricardo carvalho escreveu:
Não acredito que esse discurso ridículo va fazer alguma diferença para os judeus, alias, não conheço judeu desinformado e eles sabem que a politica em Washington sofre a influencia pesada do lobby judeu.
Em 22/02/2012, Ronaldo Chagas escreveu:
Eliakim,parabéns por mais um excelente artigo!Nunca é demais repetir que os EUA estão em franco processo de decadência;e o baixo nível da campanha eleitoral é uma prova concreta disso.ABRAÇOS!
Em 23/02/2012, Alamar Régis Carvalho escreveu:
Grande Eliakim. Mais um excelente e oportuno artigo de sua parte. Eu não consigo entender como é que pode o eleitor americano ainda engolir a filosofia bélica dos republicanos. São tão caras-de-pau que atacam o Obama, pela crise econômica, sem levar em conta que foram eles que levaram o País a essa crise terrível. Foram eles quem jogaram trilhões de dólares fora com as guerras do Iraque, do Afeganistão e de toda a esnobação bélica que sempre ostentaram. Agora a culpa é do Obama? Você tem razão, Eliakim, ao prevê o risco que o mundo correrá se o povo americano cometer a burrice de colocar, novamente, um republicano na Casa Branca. Obama, de fato, não é a perfeição, mas é o equilíbrio e a sensatez que o mundo estava precisando, ele é um freio nas maluquices que os Estados Unidos vem promovendo no mundo, há muito tempo. Abração, amigo.
Em 24/02/2012, Carlos Maria escreveu:
O que me admira é a falta de conhecimento do comentário acima. 1-O Congresso é o que tem o poder de declarar uma guerra e não o Presidente se bem que o Obama enviou aviões à Líbia para ajudar os revoltosos sem autorização do Congresso. Guerra da Coreia um democrata Truman e o Congresso Democrata, Vietnan Kennedy+Johnson e o Congresso Democrata. Afganistão e Irak, Congresso Democrata e o Republicano Bush. 2-Sim o Obama herdou um deficit do anterior mas deveria conte-lo e não aumentar a divida para 5 Trilhões em 3 anos. Assim todas as guerras numeradas acima foram autorizadas por um Congresso Democrata.