- Publicado em 08/01/2012
Quem vai ganhar a corrida?
Miami (EUA) - O ano de 2012 está apenas começando para a maioria dos mortais. Para os candidatos republicanos e seus assessores, porém, ele está em pleno vapor.
Na terça-feira, 3 de janeiro, Mitt Romney, o ex-governador de Massachusetts, venceu a primária de Iowa, como havia sido previsto pelos analistas. O que não estava previsto, porém, foi a margem apertada de apenas oito votos de vantagem sobre Rick Santorum, o ex-senador da Pensilvânia, que até então era mero figurante nas pesquisas eleitorais.
O resultado pode alterar significativamente o quadro eleitoral dentro do Partido Republicano. Embora Romney continue mantendo a dianteira, sua vantagem é fluida, mesmo depois de ter arrebanhado o apoio de John McCain, o candidato republicano na última eleição presidencial, que acabou sendo derrotado por Barack Obama.
A verdade é que a ala mais radical do Partido Republicano, formada pelos evangélicos conservadores, nunca conseguiu engolir Romney completamente. Na opinião deles, o ex-governador de Massachusetts não se enquadra perfeitamente no figurino ideal de um “legítimo conservador”.
Em primeiro lugar, pesam contra Romney suas ações e declarações anteriores. Quando governou Massachusetts, ele instituiu um plano de saúde estadual que se parece bastante com o plano de saúde proposto por Obama e pelos democratas. Também se posicionou a favor de livre arbítrio das mulheres em questão de aborto – um sacrilégio para os ultraconservadores – e apoiou a legalização dos imigrantes indocumentados que vivem no país. Ele próprio é descendente de mexicanos.
Claro, sendo governador de um estado mais liberal, ele nem poderia contrapor-se a estes valores, sob risco de perder todo o apoio popular. Além do mais, é mórmon. Para uma grande parte dos evangélicos americanos, mórmon não é um religioso evangélico, mas, sim, integrante de uma seita que não se coaduna com os valores cristãos defendidos por eles. Vale registrar que uma facção dos mórmons prega até mesmo a poligamia, com direito a relações incestuosas, como ocorreu recentemente com Warren Jeffs, no Texas, que acabou julgado e condenado.
Romney, no entanto, assegurou que não compactua com este tipo de comportamento e, para isto, recorre ao seu próprio matrimônio, uma vez que ele é casado com a mesma mulher há mais de 20 anos. E hoje renega tudo aquilo que defendeu no passado, tornando-se um intransigente legalista que não quer nada que possa ajudar a regularizar a situação dos indocumentados, diz ser a favor da teoria criacionista e afirma ser contrário ao plano de saúde do governo, batizado ironicamente pelos republicanos de “Obamacare”.
Este, aliás, é o maior problema para o candidato: suas constantes mudanças de opinião. O eleitorado fica inseguro sem saber o que realmente o homem pensa. Por isto, ganhou o incômodo apelido de político “flip flop”, em alusão às sandálias de borracha, tipo Havaianas, que fazem um movimento de vai-e-vem. Ou seja, uma hora está de um lado, no momento seguinte mudou de posição. Desnecessário dizer que ele odeia este epíteto e afirma ter ficado “mais conservador” à medida que foi ficando mais velho.
A briga dele parece ser mesmo com Rick Santorum, o candidato preferido dos ultraconservadores após a desistência de Michelle Bachmann – a darling do Tea Party. Embora ela não tenha declarado apoio a nenhum dos candidatos até agora, são grandes as probabilidades de ela inclinar-se por Santorum a fim de consolidar a base conservadora evangélica dentro do partido. Se isto vier a ocorrer, Romney terá um adversário indigesto pela frente, além de Newt Gingrich, cuja base de apoio é sólida, e de Ron Paul, que angariou muitos seguidores com seu discurso libertário.
Por enquanto, as coisas ainda estão indefnidas, mas este mês de janeiro promete ser importante para os candidatos, que medirão forças em New Hampshire, Carolina do Sul e Flórida – um estado muito importante, devido à sua representatividade em termos nacionais. A nós, cabe apenas acompanhar os fatos e torcer para que vença aquele que melhor possa ajudar a população.
Isto é, caso o republicano vença Barack Obama em novembro, o que, convenhamos, não é nada fácil.
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Sobre o autor deste artigoAntonio Tozzi - Miami
Foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA. Artigos mais recentes do autorO dono da praia em Miami BeachConfusão legalComo a mídia influenciaServiço pouco secretoRessurreição da Alca seria uma boa?Bons atletas, maus administradoresOs maus sempre são os outrosDe novo, armas não mãos erradasJustiça sem apelaçãoA visão míope dos republicanos Todos os artigos deste autor


Em 08/01/2012, fabio idalino alves nogueira escreveu:
Caso seja um republicano presidente dos E.U.A,a politica externa perderá o seu rumo. Com Obama,já está dificil ou não mudou nada, a eleição de um republicano corre o risco de deteriora principalmente em relaçaõ ao Irã,Coreia do Norte,Cuba e Venezuela. Não estou dizendo que os democratas são os bonzinhos,por outro lado os republicanos são mais radicais.
Em 08/01/2012, Ronaldo Chagas escreveu:
Antônio,Excelente Texto!Fica uma pergunta:após a tsunami causada por George W.Bush em 2008,não só na economia dos EUA, mas também na economia mundial,terão os republicanos força suficiente para derrotar Barack Obama? Ver para crer...ABRAÇOS!!!
Em 08/01/2012, Guto Jimenez escreveu:
Trabalho com norteamericanos, a maioria sulista, conservadora e religiosa (estilo "tea party"), e até o mais radical deles acha que Obama será reeleito. Eles acham os candidatos despreparados e fanfarrões, e um deles até proferiu uma pergunta curiosa: "nós sabemos que está ruim com o Obama, mas nada nos garante que algum desses candidatos republicanos não será pior do que ele". Ou seja, Obama só não continua se um imenso desastre acontecer. A ver...
Em 09/01/2012, Antonio Tozzi escreveu:
Prezado Ronaldo, não dá para prever nada ainda. Por enquanto, tudo indica que Romney será o candidato. Mas, uma coisa é bem provável, se a economia melhorar e diminuir o índice de desemprego, Obama reelege-se.
Em 09/01/2012, Romeu Prisco escreveu:
Ganhe quem ganhar, uma coisa é certa: continuará perdendo o resto do mundo.
Em 11/01/2012, ricardo carvalho escreveu:
Esta mais do que provado que não é só brasileiro que tem memoria curta. O americano médio não vai ligar o atual estado de coisas ao governo Reagan e muito menos ao governo Bush e suas guerras prá lá de suspeitas. Por conta dos segredos de Estado jamais saberemos o verdadeiro papel e o tamanho do lucro de empresas como a Halliburton e a BlackWater. A sorte do Obama é que o time de adversários é de uma mediocridade assustadora.