• Publicado em 13/12/2011

    Quem venceu a guerra no Iraque?

    Toda guerra tem um vencedor.  Historicamente, elas acabam com a rendição do exército inimigo ou com a ocupação de seu território pelo exército vencedor.

    Nesse aspecto, a guerra do Iraque pode ser considerada sui generis.  As forças norte-americanas de ocupação vão deixar o país nos últimos dias de dezembro, sem que se saiba quem venceu a guerra.

    É verdade que o fanfarrão George W. Bush anunciou o fim das operações militares em primeiro de maio de 2003, com a deposição de Saddam Hussein, menos de dois meses do início da invasão, que começou em 20 de março do mesmo ano.

    A queda de Bagdá e a fuga de Saddam eram eventos suficientes para que ali terminasse a guerra e a frente aliada formada por EUA e Grã-Bretanha proclamasse a vitória contra as chamadas  "forças do mal".  Mas isso não aconteceu, porque, na verdade, depois disso é que começou a verdadeira guerra que não tem dia, mês e ano para acabar.

    Os EUA estarão fora do país até o dia 31, mas a guerra interna iraquiana, com suas especificidades, promete recrudescer a partir de agora.

    Essa é a grande preocupação dos atuais líderes iraquianos, a partir do primeiro-ministro Nouri Al- Maliki, que esteve nesta segunda-feira em Washington para tomar a benção do padrinho Obama.  Maliki não esconde o medo do que pode acontecer em seu país depois da saída dos militares norte-americanos, mas o dócil Barack Obama prometeu que os EUA continuarão sendo "um parceiro fiel do Iraque".

    De fato, o futuro do Iraque é uma incógnita. A partir de janeiro,  tudo pode acontecer, desde uma revolta popular nos moldes da chamada Primavera Árabe até o vizinho Irã se aproveitar da ausência americana para influenciar a política iraquiana.

    Em clima de campanha para a reeleição, Obama joga pra torcida e só falta anunciar nos palanques: “american people, prometi e cumpri, acabei com a guerra no Iraque”, tentando distrair a atenção do povão, mais preocupado neste momento com a economia do país.

    Fica no ar a pergunta: quem ganhou essa guerra? De concreto o que se sabe é que quase 4.500 famílias norte-americanas perderam um ente querido no Iraque e que o país gastou no mínimo 3 trilhões de dólares para manter uma guerra de ocupação que começou com uma mentira, a das armas de destruição em massa, pretexto do governo Bush para a invasão, que nunca foram encontradas.

    Do lado iraquiano, estima-se que mais de cem mil pessoas morreram em consequência da guerra, a maioria civis inocentes. Quem vai pagar pelos crimes de guerra praticados nestes 9 anos pelo exército invasor?

     

    Madeira de dar em doido

     

    Nesta última coluna do ano, não posso deixar passar em branco a notícia que explodiu na mídia brasileira nesta segunda-feira. O tumor na garganta de Lula regrediu 75%, o que deixou a equipe médica boquiaberta.

    "A redução era esperada, o que a gente não podia saber era qual seria a dimensão, foi uma redução extraordinária, de uma certa maneira surpreendeu a equipe médica", afirmou o Dr. Artur Katz (na foto com Lula).

    Os médicos já vinham notando uma melhora na voz do ex-presidente e estavam otimistas, esperando uma redução de 30 a 40 por cento. Diante disso, a possibilidade da cirurgia está descartada.

    Com apenas duas sessões de quimioterapia, Lula ganha o primeiro e decisivo round contra o cancer. E o melhor: os médicos preveem que em março ele poderá retornar às atividades normais.

    A vitória de Lula contra a doença, me trouxe à lembrança um velho ditado que ouvi pela primeira vez de meu velho pai, pernambucano como ele: "nordestino é madeira de dar em doido".

     

    Nota do editor: Lembro aos leitores do DR que nossos colunistas vão descansar alguns dias. Nossas últimas colunas serão publicadas domingo que vem, dia 18.  E as primeiras de 2012  serão postadas no dia 8 de janeiro.  A você, leitor, nossos votos de Boas Festas e um Ano Novo em que os sonhos e esperanças se realizem.

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    • 9 Comentários recebidos

      • Em 13/12/2011, Romeu Prisco escreveu:

        "Guerra" ? Que guerra ? Nunca me conformei com o uso desse vocábulo no assunto EUA x IRAQUE. O que houve entre os dois países foi uma brutal, cruel, covarde e imotivada agressão da nação mais poderosa do mundo contra uma nação fraca, desprotegida, desarmada e inofensiva. Junto com o genocídio dos palestinos, praticado por Israel, ambas ações bélicas com a mesma origem e suposta causa, constituem a maior vergonha da humanidade nos séculos 20/21. Obama, que teria vindo para acabar com isso logo no começo do seu mandato, ficou com as calças na mão diante dos xerifes texanos e não texanos.

      • Em 13/12/2011, ricardo carvalho escreveu:

        Quem ganhou a guerra? Melhor seria, quem ganhou com essa guerra? A resposta é simples. Quem sempre ganha, os barões do complexo industrial militar americano. Quanto aos palestinos,caro Prisco, procure se informar sobre a AIPAC. Ela é a origem dessa tragedia e do fogo de barragem sem precedentes em toda a imprensa mundial.

      • Em 14/12/2011, magdala cavalcanti de melo escreveu:

        Caro Eliakin Acompanho o DR sempre com satisfação pela qualidade com que trata as noticias, textos bons, colunistas excelentes, como você. Aproveito o espaço, para mandar um abraço a Leila e desejar a vocês e a toda familai, um Natal de muitaLuz e um Novo Ano de muita Paz. Deus os abençoe ,sempre Abraços, Magdala (João Pessoa, PB)

      • Em 14/12/2011, Romeu Prisco escreveu:

        Caro Ricardo Carvalho: " O "lobby" exercido por Israel sobre os EUA, de fora para dentro e por dentro, este graças ao gigante "AIPAC - American-Israel Public Affairs Committee", é fortíssimo, influenciando e impedindo que o Legislativo e o Executivo norte-americanos tomem qualquer decisão contrária aos interesses dos judeus." Este é um trecho do meu artigo intitulado `"Parabéns Dilma, pêsames Obama", publicado aqui no DR em 05.06.2011. Há muito que o AIPAC consta da minha agenda. Abs.

      • Em 14/12/2011, Rogério Guimarães Oliveira escreveu:

        Ora, Eliakim, quem ganhou esta "guerra" foram os sócios dos conglomerados petrolíferos, como o consórcio Bush-Bin Laden. Eles estão sugando e expropriando todo o petróleo do subterrâneo do Iraque, enquanto que, na superfície, todos fingem que lutam uma "guerra pela democracia". E, por favor, participe da minha cruzada pelo uso da palavra "estadunidense" na referência ao que é dos Estados Unidos da América, ao invés de "americano" ou "americana". Americanos genuínos somos também eu e você, nasscidos neste vasto e belo continente. E "norte-americano" é também uma impropriedade que aniquila mexicanos e canadenses, quando se quer dizer, apenas, "estadunidense". Pense nisso e oriente seus excelelentes redatores sobre esta questão, que é mais cultural e filosófica do que semântica. Um bom descanso, um Feliz Natal e um Excelente 2012 a todos do DR.

      • Em 14/12/2011, Joao Florentino DaSilva escreveu:

        Quem ganhou? As companhias prestadoras de servico que ainda estao la'. Os mercenarios que "alugaram" mais uma vez suas armas. Os fabricantes de armas e apetrechos belicos. Os politicos, principalmente os estadounidenses, interessados em "fisgar" os votos de estadunidenses votantes, cheios de odio, racistas e sedentos de sangue, que sempre clamam por guerra e adoram ver morte. Quem perdeu? Todos perdemos, vidas jovens e cabecas brilhantes foram ceifadas sem razao, por um motivo espurio e sem significado. Tempo de trevas.

      • Em 14/12/2011, José Emílio Gomes escreveu:

        Concordo com o Ricardo Carvalho, ninguém ganhou a guerra, mas ganharam com a guerra os mesmos de sempre: os fabricantes de armas americanos e as petroleiras americanas e britânicas.

      • Em 17/12/2011, Ronaldo Chagas escreveu:

        Eliakim,parabéns pelo excelente texto!Essa foi uma guerra sem vencedores. Uma de suas consequências foi a crise econômica de 2008,que arruinou a economia norte-americana e se alastrou pela Europa e Ásia. Tudo em consequência da irresponsabilidade do Sr. George W. Bush,que torrou bilhões de dólares na guerra contra o terror. Até quando os EUA continuarão cometendo erros grosseiros em sua poítica externa?Só o tempo dirá...ABRAÇOS!!! FELIZ NATAL E UM ÓTIMO 2012!!!!

      • Em 18/12/2011, Rita Aguiar escreveu:

        Olá, Eliakim! Excelentes textos! Como sempre! "E o futuro do Iraque"? Eis a "grande incógnita". Ao nosso ex-presidente, mais força do que nunca!! A você, caro jornalista, um merecido descanso, Feliz Natal e Novo Ano com muita saúde! Haja saúde... Abraço!

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