- Publicado em 12/02/2012
Sérgio Cabral me barrou
Rio - O Globo, dos bons tempos, sempre teve três colunistas na seção de Esportes. O insubstituível Nélson Rodrigues (1912-1980), amigo de Roberto Marinho (1904-2003), e, revezando-se, conforme desejos do editor-chefe, Sérgio Noronha, Sérgio Cabral (pai do governador do Rio) e, por fim Cláudio Mello e Souza (1935-2011). Hoje são apenas dois: Fernando Calazans e Renato Prado.
Quando Sérgio Cabral assumiu, no início da década de 80, foi criado um campeonato de futebol entre jornais, nos campinhos da Lagoa Rodrigo de Freitas (onde era o Tivoli Park). Evidentemente, a partida mais esperada seria entre O Globo e o Jornal do Brasil.
Na ocasião, eu estava no Globo e treinando corridas com Telê Santana (1931-2006) no calçadão de Copacabana. Ou seja, estava em boa forma física, treinando uma barbaridade. Mas Cabral, para minha decepção, me deixou no banco. No segundo tempo – não me recordo se derrotamos o JB ou não – ele, técnico-colunista, me mandou entrar na lateral-direita. Sou suspeito, mas acho que estive bem. Inclusive chutei uma bola na trave do JB.
Mas, de repente, Cabral me mandou sair e botou outro em meu lugar. Fiquei uma arara. No banco, perguntei a ele porque me substituíra sem mais nem menos. Ele foi simples na resposta:
- Você está muito impressionado com o ‘overlapping’ de Cláudio Coutinho (1939-1981) e está deixando um buraco na defesa. A rigor, bem a rigor mesmo, Cabral tinha razão. Eu era, mesmo sendo amigo de Telê, um profundo admirador de Cláudio Coutinho e estava no ataque fazendo o tal ‘overlapping’ com nosso ponta (não me recordo quem era).
Pouco tempo depois Cabral (vascaíno roxo) foi substituído pó Cláudio Mello e Souza (botafoguense) que lá ficou até eu sair para a Rádio Nacional. Os outros colunistas vocês sabem: Noronha é Vasco e Fernando Calazans e Renato Prado são rubro-negros. Fernando pega mais leve mas Renato é mais enfático. Quanto a Nélson Rodrigues, é óbvio ululante que era tricolor.
Tanto tempo passado, sigo amigo de Sérgio Cabral, tendo, inclusive, o entrevistado para um programa da ESPN Brasil em sua casa em Copacabana. E meu dou muito bem com Fernando Calazans, Sérgio Noronha e Renato Prado. Mas, confesso, sinto falta de Nélson Rodrigues e de encontrá-lo, passeando com uma enfermeira, pelas calçadas de Copacabana. A escolha do jornalismo – abandonando o Direito – me proporcionou o privilégio de conhecer e ser amigo de Nélson, do qual era leitor desde os remotos tempos de Última Hora, na coluna ‘A vida como ela é’.
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Sobre o autor deste artigoRoberto Porto - Rio
Jornalista há 47 anos (atualmente na ESPN Brasil), com passagens pelo Jornal do Brasil, O Globo, Correio da Manhã, O Dia, Bloch Editores e rádios Nacional, Tupi e Globo. Publicou "História Ilustrada do Futebol Brasileiro", com João Máximo, "Botafogo-101 anos de histórias, mitos e superstições" e "Gírias do futebol", com Carlos Leonam. Artigos mais recentes do autorUma Páscoa pra lá de diferenteO motorista bêbadoUm encontro mais do que suspeitoO pombo decapitadoO estagiário fantasiadoUma matéria infinitaO rádio esportivo mudou minha vidaCemitério assusta argentinoMuitas vezes em ParisUm triste destino Todos os artigos deste autor


Em 12/02/2012, Sérgio Cabral escreveu:
De fato, barrei o excelente lateral Robertão. É que, como técnico, entro em contradição com a condição de jornalista. Nesta, sou inteiramente favorável ao futebol ofensivo. Mas, naquela, me defendo, que não sou trouxa. Sergio Cabral
Em 12/02/2012, Luciano escreveu:
SENSACIONAL ESSA ANEDOTA! CONTE MAIS ROBERTO! ABRAÇOS!
Em 12/02/2012, Tito Vieira escreveu:
Esse renato maurício prado (minúsculas propositais) é uma vergonha pro jornalismo esportivo carioca, que já teve tantos e tantos representantes criativos e dignos. Ele é parcial, arrogante e teimoso - ou seja, tudo aquilo que um jornalista jamais poderia ser. Quem sabe da vida dele é o Eurico Miranda, que contava histórias curiosas envolvendo o "jornalista" em questão e um caramanchão que existia em São Januário.
Em 15/02/2012, Hilario Brandão escreveu:
Caro Porto. Continuo assinante do DR somente por sua causa. Você é dos poucos que não me tiram do sério pela incoerência dos textos e a realidade política e social. Faz-me bem ler seus "causos". Aproveitando a oportunidade gostaria que você lembrasse ao rmp (ainda em minúsculas) que a taça das bolinhas tem sentença do STF(sei que não é muita coisa) e que, até prova em contrário e na falta de mais algumas declarações de advogadas formosas, é processo respeitar. Um grande abraço e, como já dizia Baptista ao deixar CUBA, salud e bom ano.