- Publicado em 31/01/2012
Sergio Ricardo - 80 anos
O governo do Distrito Federal instituiu 2012 como o Ano da Valorização de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade. Em 7 de dezembro completarão 25 anos da concessão do título pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Estão programadas atividades para sensibilizar os moradores da cidade sobre a preservação do patrimônio, além da reforma de monumentos.
Brasília detém a maior área tombada do mundo, com 112,5 quilômetros quadrados. O governador do DF, Agnelo Queiroz, assinou o decreto que marca o início das comemorações. Entre as ações anunciadas estão a conclusão da reforma do Catetinho (casarão de madeira que serviu como residência oficial do presidente Juscelino Kubitscheky durante a construção da capital) e do Panteão da Pátria (último monumento do arquiteto Oscar Niemeyer erguido na Praça dos Três Poderes).
O título de patrimônio cultural da humanidade é concedido pela Unesco a monumentos ou espaços que tenham valor histórico, estético, científico ou arqueológico relevante. No Brasil, dez lugares receberam o título. Além do plano piloto de Brasília, estão na lista os centros históricos de Salvador, Olinda, São Luis, Goiás (conhecida como Goiás Velho, primeira capital do estado de Goiás), Diamantina (MG) e Ouro Preto (MG), além do Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), as ruínas de São Miguel das Missões (RS) e o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG).
Dia da Bossa Nova é comemorado no Rio com exposição sobre obra de Sergio Ricardo
No Dia Nacional da Bossa Nova, comemorado em 25 de janeiro por ser a data de nascimento de Tom Jobim, um precursor do gênero é homenageado com uma mostra retrospectiva de sua carreira. A exposição Sergio Ricardo – 80 anos – Um buscador, aberta no Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA), na Urca, zona sul do Rio, lança um olhar sobre as múltiplas facetas artísticas do cantor, compositor e instrumentista, que também se destacou como cineasta e artista plástico.
Paulista da cidade de Marília, nascido em 1932, filho de imigrantes sírios, João Lutfi adotou o nome artístico de Sergio Ricardo por causa de uma dessas facetas, a de ator, ao ser contratado pela TV Tupi em meados da década de 50. A carreira musical começou alguns anos antes, quando, já vivendo no Rio de Janeiro, começou a atuar como pianista em casas noturnas da então capital federal. Em uma delas, substituiu Antonio Carlos Jobim que tinha acabado de arrumar um emprego de arranjador na gravadora Continental.
Em 1952, começou a cantar e a compor, e no decorrer da década foi se aproximou de nomes como Johnny Alf, João Gilberto, João Donato e Sylvinha Telles, que viriam a se protagonistas da Bossa Nova. O histórico show de 1958, em um clube universitário hebraico, na zona sul do Rio, que marcou o lançamento do gênero, contou com a participação de Sergio Ricardo.
“Minha preocupação fundamental dentro do que faço na arte sempre foi a busca, e não o sucesso. Busca de caminhos, novidades e de colocar o povo dentro do meu trabalho”, disse Sergio Ricardo, que se diz muito comovido com a homenagem pelos seus 80 anos. “Eu já andava meio esquecido pela mídia, entregue às minhas baratas”, disse, bem humorado.
Autor de canções como Folha de Papel, Pernas e Zelão, em que já demonstrava a sua preocupação com a temática social, Sergio Ricardo ficou marcado nos anos 60 por sua participação no festival da TV Record, em 1967, quando, vaiado pelo público, que não gostou de sua música Beto Bom de Bola, quebrou o violão e atirou o instrumento contra a platéia.
No cinema, além de compor e interpretar trilhas sonoras para filmes, como os de Glauber Rocha, dirigiu quatro filmes: O Menino da Calça Branca, Esse Mundo é Meu, Juliana do Amor Perdido e A Noite do Espantalho. Todos os filmes receberam prêmios em festivais no Brasil e no exterior.
A exposição de fotos, letras de músicas e vídeos no ICCA não é a única homenagem ao artista programada para este ano. De 6 a 8 de março, será apresentada em Brasília, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, o concerto Estória de João Joana, o único cordel escrito pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, e que foi musicado por Sergio Ricardo.
Em junho, o mesmo concerto terá uma outra apresentação a céu aberto em junho, mês de aniversário do artista, na comunidade do Vidigal, na zona sul do Rio. Há 30 anos, Sergio Ricardo vive na comunidade, onde vem desenvolvendo um trabalho de incentivo aos artistas locais. Ainda como parte das comemorações, com datas a confirmar, estão previstas uma mostra dos filmes e uma exposição das pinturas de Sergio Ricardo.
A mostra no ICCA, que fica na Avenida São Sebastião, 2, na Urca, pode ser visitada até 25 de fevereiro, das 10h as 17h, mediante agendamento prévio, pelo telefone (21) 2542-0848.
Cineastas brasileiros podem inscrever trabalhos no Festival de Xangai
Cineastas brasileiros têm até o dia 20 de março para inscrever filmes de longa e curta duração, documentários e filmes de animação no 15º Festival Internacional de Cinema de Xangai (Siff, do inglês Shanghai International Film Festival), que será realizado na cidade chinesa entre 16 e 24 de junho. O Siff é considerado um dos dez maiores festivais de cinema do mundo.
As cópias das produções em DVD devem ser enviadas para a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (Ccib), que representa o festival no Brasil, com legenda em inglês, acompanhadas de fotos do filme e do diretor, material promocional e sinopse também em inglês, além do formulário eletrônico que deverá ser preenchido na página do festival (www.siff.com).
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Sobre o autor deste artigoLuiz Antonio Mello - Cultura
Jornalista, radialista, produtor musical e escritor. Trabalhou nas rádios Federal, Tupi e Jornal do Brasil. Criou, juntamente com Samuel Wainer Filho, o projeto "Maldita", na Rádio Fluminense FM. Foi colunista ainda dos jornais O Pasquim, Jornal do Brasil, Opinião, Folha de Niterói e O Estado de S. Paulo. Foi diretor de criação da Tech & Midia Comunicação Integrada, cronista dominical de O Fluminense, editor de cultura da revista Caffè Magazine e cronista do jornal International Magazine. Artigos mais recentes do autorCarioca históricaSaudade da Rádio NacionalBom humor na ABLMilton no www.jobim.orgMetralhadora giratóriaRádio MEC faz 30 anosO profeta de 1923Lágrimas de São PedroSe você morrer, eu te mato!Um sopro de vida Todos os artigos deste autor


