• Publicado em 08/11/2011

    Tela negra

    Produções cinematográficas de baixo orçamento e que colocaram a cultura negra em destaque a partir dos anos 1970 são o tema da mostra Tela Negra: O Cinema do Blaxploitation, que será exibido em duas salas de cinema de São Paulo até 24 de novembro, como parte das comemorações pelo Mês da Consciência Negra no Brasil. A mostra teve início na última quinta-feira no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde permanece até 13 de novembro, seguindo depois para o Cinesesc.

    O blaxploitation foi um movimento no cinema que possibilitou o surgimento do protagonista negro nas telas. Esse cinema marginal e ligado à música soul refletiu os sentimentos da juventude da época, a efervescência da cultura negra americana, que na década anterior acompanhou a explosão do movimento em defesa dos direitos civis dos negros, liderado por Martin Luther King e Malcolm X.

    “É uma retrospectiva dos filmes da blaxploitation, que surgiram nos anos 1970, nos Estados Unidos, e que foi um momento em que os grandes estúdios estavam em falência. São filmes de baixo orçamento, alguns com diretores negros - todos com elenco negro - e que fizeram grande sucesso”, explicou Vik Birkbeck, curadora da mostra. São filmes multicoloridos, com uma estética meio estourada. O blaxploitation carrega não só nas cores, como também nos figurinos com os [cabelos] afro imensos e os saltos plataforma usados tanto por mulheres quanto por homens”, destacou Vik.

    Mais tarde, o blaxploitation influenciou a moda, a cultura hip hop e até mesmo o cinema atual, principalmente os filmes assinados por Quentin Tarantino, como Pulp Fiction e Jackie Brown. “Quando ele fez Jackie Brown, em 1997, ele fez uma homenagem ao movimento”, disse.

    O primeiro filme que surgiu desse movimento foi Rififi no Harlem, de Ossie Davis, em 1970, que será exibido na mostra. “Foi um filme de baixo orçamento, que fez US$ 15 milhões na bilheteria”, citou a curadora. Outro que teve grande sucesso foi Super Fly, de Gordon Parks Jr., que desbancou O Poderoso Chefão do topo das bilheterias em 1972.

    Segundo ela, os filmes desse movimento rompem com a presença do negro no cinema apenas como coadjuvante ou em papel de empregado. O pano de fundo político e as cenas violentas influenciam, até hoje, o gênero policial no cinema. “Os filmes da blaxploitation mostram rebeldia: tem o cafetão, o traficante, o bandido, um detetive que dá tiros a toda hora. Tem o transgressor, tem muito xingamento. É o primeiro momento em que o negro tem sensualidade [na tela]. Os filmes apresentam uma explosão de sensualidade, de linguagem e de violência”, disse a curadora.

    A mostra estará também, até o dia 13 de novembro, no CCBB do Rio de Janeiro. O preço dos ingressos varia de R$ 2 (meia-entrada cobrada no CCBB de São Paulo) a R$ 12.

    Mostra Na Sala Escura da Tortura foi aberta ao público

    Foi aberta à visitação pública a mostra Na Sala Escura da Tortura, parte do projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Inaugurada no Museu Nacional da República, a exposição é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, a Universidade de Brasília (UnB) e a Câmara dos Deputados.

    As sete telas inspiradas nos relatos de Frei Tito durante seu exílio na França ficam expostas no Museu Nacional da República até 20 de novembro. Os quadros, que pertencem ao acervo do Instituto Frei Tito de Alencar, foram pintados a óleo pelos artistas Julio Le Parc, Gontran Guanaes Netto, Alejandro Marcos e José Gamarra.

    Apresentada originalmente em 1973 no Museu de Arte Moderna de Paris, a exposição denuncia a tortura. Frei Tito foi preso por participar do congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna, em 1968. Fichado pela polícia, tornou-se alvo de perseguição da ditadura militar.

    Coleção Folha lança obra-prima `Lili Marlene`, de Rainer Fassbinder

    "Lili Marlene" (1981), uma das tantas obras-primas do alemão Rainer Werner Fassbinder, chega às bancas no dia 13, pela Coleção Folha Cine Europeu. Um livro, com informações sobre o diretor e sua obra, acompanha o DVD.

    A importância de Fassbinder (1945-1982) para a história do cinema é reiterada por sua produtividade: ele dirigiu 44 trabalhos, entre longas, curtas e séries de TV. Sua obra é maneirista, com referências ao teatro, cinema e literatura, e foi a matriz para o trabalho de vários outros diretores formalistas, de Francis Ford Coppola e, sobretudo, de David Lynch.

    A intensidade que escoava em seus trabalhos como roteirista, ator e montador marcou seu papel no Novo Cinema Alemão. Foi Fassbinder quem mais atacou a burguesia e radiografou o imaginário alemão abalado com o terror do nazismo na Segunda Guerra. Também discutiu questões típicas da crise da modernidade, como na magistral série "Berlin Alexanderplatz", um grande choque diante do naturalismo comportado da linguagem televisiva.

    "Lili Marlene" -inspirado na canção homônima, grande hino dos soldados alemães na Segunda Guerra- conta com Hanna Schygulla no papel da cantora alemã que se apaixona por um judeu, Robert (Giancarlo Giannini). A família dele a rejeita, crendo-a colaboradora do nazismo.

    Ela acaba se envolvendo com um nazista e se tornando um sucesso. A situação beira a loucura, bem no clima com o qual Fassbinder via o seu país nos anos 1960, quando ingressou no cinema.

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