- Publicado em 30/10/2011
Um ano para não esquecer
Rio - Vou guardar para sempre o ano de 2010 em minhas recordações – boas e péssimas. Em 2010, depois de três decisões contra o Flamengo – só uma delas é inquestionável, o Botafogo, meu clube do coração, sagrou-se campeão carioca derrotando o próprio Flamengo por 2 a 1, no Maracanã. Poucos dias depois da vitória, o presidente do Glorioso, Maurício Assumpção, convidou os jornalistas alvinegros para um almoço de confraternização no restaurante de General Severiano. E fez questão de posar para uma foto com Luiz Mendes (1924-2011), à esquerda, e o locutor que vos fala (à direita). Foi uma festa inesquecível e repleta de alegria.
Mas as alegrias costumam durar pouco. No dia 30 de novembro daquele mesmo ano, perdi minha companheira Ada Regina (1951-2010), vítima de um câncer persistente. Pior: ela estava a meu lado, conversando normalmente, quando, subitamente, pronunciou sua última frase: “Acho que vou desmaiar...” E não houve socorro que pudesse reanimá-la. Até hoje, um ano depois, virei outra pessoa. Basta dizer que pesava 90 quilos e hoje estou com 78 e sou obrigado a tomar remédios para dormir. Saudades...
Veio 2011 e perdi dois companheiros de profissão; Luiz Mendes (1924-2011) e Hélio Fernandes Filho (1954-2011). Mendes foi meu companheiro nas rádios nas quais trabalhei como comentarista – quando ele estava de folga – e Helinho filho de Hélio Fernandes, dono da Tribuna da Imprensa. Num inacreditável espaço de dois dias, os dois se foram, levando com eles grande parte de meu passado como radialista e jornalista.
Dos dois não posso fazer uma única, escassa e mísera queixa. Foram verdadeiramente companheiros e amigos para todas as horas, cada um sua especialidade. Mendes, vamos convir, teve uma vida longa. Mas Helinho, morrer aos 57 anos foi doloroso. Eu sabia que ele não estava bem, pois falei com a mulher dele, Roberta – também jornalista – e ela me informou que ele estava internado há cinco meses. Mesmo assim, fiquei surpreso.
Vou guardar boas lembranças dos dois, sabendo que parte de minha vida profissional foi passada ao lado deles. Mas não posso deixar de lamentar duas mortes consecutivas.
Como diria João Saldanha (1917-1990), vida que segue...
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Sobre o autor deste artigoRoberto Porto - Rio
Jornalista há 47 anos (atualmente na ESPN Brasil), com passagens pelo Jornal do Brasil, O Globo, Correio da Manhã, O Dia, Bloch Editores e rádios Nacional, Tupi e Globo. Publicou "História Ilustrada do Futebol Brasileiro", com João Máximo, "Botafogo-101 anos de histórias, mitos e superstições" e "Gírias do futebol", com Carlos Leonam. Artigos mais recentes do autorUma Páscoa pra lá de diferenteO motorista bêbadoUm encontro mais do que suspeitoO pombo decapitadoO estagiário fantasiadoSérgio Cabral me barrouUma matéria infinitaO rádio esportivo mudou minha vidaCemitério assusta argentinoMuitas vezes em Paris Todos os artigos deste autor


Em 30/10/2011, Paulo França escreveu:
Porto, senti daqui sua dor. Principalmente, por sua companheira. E acabo de tomar um choque ao saber, por vc, que Helinho morreu. Também não tenho do que me queixar dele quando trabalhei na Tribuna. Sempre foi correto comigo. É, foi uma lástima. Abraços e desejo-lhe forças para vc continuar na estrada.
Em 31/10/2011, Francisco Hilário Soares Brandão escreveu:
Caro Roberto. A maior homenagem que o homem pode receber é a sua imortalidade. Ao manter em sua lembrança as doces figuras de sua vida você as torna imortais como os deuses da antiguidade. A morte se orna uma pequena brecha da vida quando a lembrança dos amores da vida se tornam imortais. Um grande abraço e parabéns pelo simpatia de seu filho nas ransmissões esportiva.
Em 01/11/2011, Gabriel Dantas Motta escreveu:
Roberto, tire-me uma dúvida: há algum tempo não foi embora um outro filho do Helio Fernandes?
Em 01/11/2011, Gabriel Dantas Motta escreveu:
Foi o Rodolfo Fernandes, que trabalhava no Globo.