- Publicado em 18/12/2011
Um triste destino
Rio - O final do ano de 2011 está chegando – com os tradicionais e cada vez mais comerciais festejos de Natal de Ano Novo – e não consigo me conformar com a morte de minha mulher, Ada Regina Guimarães (1951-2010), a 30 de novembro do ano passado. Ouso dizer que me transformei num outro homem. Quase não saio de casa – a não ser para compromissos profissionais ou familiares – não ouço CDs e, por incrível que pareça, deixei de ler, mesmo os livros de ficção que me atraíam. Morando sozinho, vejo o noticiário das televisões, faço um pouco de hora e vou dormir. Outro dia, em função desse maldito horário de verão, verifiquei que me deitei às 20h30, ou seja, 19h30 no horário normal. Pior: custo a conciliar o sono e acordo cedo.
Ela era uma pessoa incrível e não merecia – de modo algum – o câncer que a acometeu em 1995. Mas lutou bravamente contra a doença mortal, cumprindo sem descanso todos os tratamentos prescritos pelos oncologistas. Não posso, sequer, contar com a ajuda de minha família, pois todos moram em lugares distantes, como Itaipu, Ilha do Governador, Santa Teresa e, acreditem, Uberlândia (MG). É verdade que sigo trabalhando, tenho um programa quinzenal na ESPN Brasil e uma coluna no site da emissora paulista. Agora mesmo terei que analisar a final Santos x Barcelona.
Confesso, com certa vergonha, que não tenho lutado para minha própria recuperação. Não digo que não vá tentar, mas por enquanto, um ano depois, ainda me sinto desanimado. Ela era minha razão de viver, título de um livro do jornalista Samuel Wainer (1912-1980), com quem cheguei a trabalhar alguns dias na Bloch Editores, na revista ‘Domingo Ilustrado’.
Nas noites insones, por sinal, começo a enumerar de cabeça onde exerci minhas funções de jornalista: ‘Jornal do Brasil’ (cinco vezes), ‘O Globo’ (duas), ‘Correio da Manhã (uma), ‘O Dia’ (uma’), ‘Tribuna da Imprensa’ (duas), ‘Rádio Nacional’ (duas), ‘Rádio Tupi’ (uma) e ‘Rádio Globo’ (uma), além de ‘Bloch Editores’ (duas) – se não me esqueci de outra empresa.
Mas, como diria João Saldanha (1917-1990), vida que segue. E aqui estou no ‘Direto da Redação’, do velho companheiro da Faculdade Nacional de Direito, Eliakim Araújo. Mas sei que não estou escrevendo minhas histórias habituais, sobre os bastidores das redações. Mas não podia, justamente agora, deixar de falar na falta que ela me faz, dia após dia. É apenas uma homenagem, nada mais do que isso.
Perdoem minhas recordações.
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Sobre o autor deste artigoRoberto Porto - Rio
Jornalista há 47 anos (atualmente na ESPN Brasil), com passagens pelo Jornal do Brasil, O Globo, Correio da Manhã, O Dia, Bloch Editores e rádios Nacional, Tupi e Globo. Publicou "História Ilustrada do Futebol Brasileiro", com João Máximo, "Botafogo-101 anos de histórias, mitos e superstições" e "Gírias do futebol", com Carlos Leonam. Artigos mais recentes do autorUma Páscoa pra lá de diferenteO motorista bêbadoUm encontro mais do que suspeitoO pombo decapitadoO estagiário fantasiadoSérgio Cabral me barrouUma matéria infinitaO rádio esportivo mudou minha vidaCemitério assusta argentinoMuitas vezes em Paris Todos os artigos deste autor


Em 18/12/2011, ricardo carvalho escreveu:
Caro Porto, não tenho a menor ideia do que aconteceria comigo na mesma situação. Sou casado a mais de 40 anos e se meu casamento não é perfeito, é quase. Principalmente se comparados aos outros que tivemos, mas isso é outra historia. Acho que casamentos assim, deveriam acabar num acidente, os dois juntos de mãos dadas lá para cima.
Em 18/12/2011, luiz roberto ribeiro porto escreveu:
Ricardo Carvalho: obrigado por suas palavras. E mais: concordo com você. Deveria ir junto com ela.
Em 18/12/2011, PAULO FERNANDO DIAS VIANNA escreveu:
Roberto Nós aqui temos uma pálida idéia de seu sofrimento. O Ricardo Carvalho relata exatamente a minha situação e o que sinto.A diferença é que estamos juntos desde 1969. Me vejo acometido ultimamente de pensamentos negativos a respeito. Minha esperança e consolo é acreditar na reencarnação e no reencontro para outra jornada. Mas nem essa idéia serve de consolo para a paura que assola meu coração. A condiçao humana é muito complicada e somos muito frágeis. Não faz sentido pisar na Terra por um tempinho e depois desaparecer. Tem algo mais e melhor, espero. Um forte abraço
Em 18/12/2011, Tarcísio Santos de Salles escreveu:
Boa noite, Roberto. Paz e bem. Não sou eu, que antes encaminhou minhas considerações a você, quem agora vai deixar você falando sozinho, saudoso viúvo daquela que pelo exposto decerto te completou a bem... Irmão, a vida é mesmo assim... Mas o Pai Todo Poderoso escreve certo por linhas curvas, não é? Veja o caso dos pastorinhos de Fátima, que comentei há poucas horas no velório da jovem esposa de um hoje jovem viúvo amigo meu. A que acabou vindo a ser a Irmã Lúcia, há pouco tempo finalmente partido aos Céus, então manifestou à Ssma. Virgem Maria que gostaria de também ela ir logo com o casal de seus amigos e colegas de atividades, Jacinta e Francisco. Mas recebeu a resposta de que para ela estava reservada missão terrena recentemente encerrada. Rogar a Deus pela Ada Regina, rogar à Ada Regina que rogue por você, pelos seus e todos nós, viver e fazer viver, "sempre alerta" para fazer "o melhor possível", orante e laborante, é o que melhor lhe resta... "Em tudo dai graças."
Em 18/12/2011, Ana Virgilio escreveu:
Caro amigo. Como já nos falamos anteriormente, fui amiga muito próxima da nossa querida Ada, tendo sido ela professora dos meus filhos, amiga de longos papos, ao vivo ou por telefone. A doença não a abateu, mulher forte que era e que foi até o fim da vida terrena. Em nome da coragem da minha amiga e sua companheira de toda a vida, é que peço que saia desse abatimento, mesmo com o coração dilacerado pela saudade. Tenho certeza que ela não gostaria de vê-lo entregue ao sofrimento e desânimo, pois não era esse o perfil da nossa amada. Força, meu amigo. Um fraterno abraço
Em 19/12/2011, Ronaldo Antonio Corrêa escreveu:
Prezado Roberto. É com tristeza que, como leitor e admirador, tenho acompanhado seu sofrimento pela falta de suas publicações em outros sites. Infelizmente temos que nos consolar constatando que a condição humana não oferece solução para este mal a nenhum de nós, de maneira que temos que suportar o sofrimento e prosseguir. Todos temos privilégios que repentinamente podem desaparecer e o convívio com sua esposa certamente foi um privilégio altíssimo, razão do profundo sofrimento. Chore um pouco, ou chore muito, mas depois prossiga para o alvo, como ensinou o Apóstolo Paulo em Fp 3,14. Escolha um alvo que valha à pena e busque-o apaixonadamente. Nunca se esqueça de que você também é um privilégio para os seus familiares e para seus desconhecidos leitores, aos quais tantas vezes, sem saber, você pode ter consolado. Que Deus venha consolá-lo. Um sincero abraço, do seu leitor e admirador.
Em 19/12/2011, Wagner escreveu:
Caro porto, fiquei sensibilizado com seu texto e com sua dor, isso me recordou a dor e o sofrimento que tive quando perdi meus pais em 2007, em um intervalo de 6 meses. A chegada das festividades de final de ano me deprimiu muito naquele ano, as recordações eram grandes, a dor maior ainda. Admito que me faltam palavras que possam confortá-lo, que não soem clichês, assim, sem a pretensão de confortá-lo de alguma forma, mas solidarizando-me com a sua dor, ouso dizer que a sua querida Ada não está morta, enquanto você e se seus entes se lembrarem dela ela nunca morrerá, estará viva em seus sonhos, em suas memórias em seus pensamentos. Desejo-lhe força para superar esse momento que sem sombra de dúvida deve ser muito dificil. Realmente torço pro você e pelos seus, força meu amigo.
Em 21/12/2011, Saint-Clair escreveu:
Sou seu leitor assíduo e admirador. De desanimado, para desanimado: é difícil, os prmeiroa passos são penosos, as pernas estão pesadas. Mas, ainda conseguem caminhar. Então, é um dever, levantar, caminhar, e seguir em frente. Em honra da memória de uma pessoa tão brava, como você descreve a sua querida Ada. Vamos lá! Continue a nos brindar e divertir com suas histõrias. Que 2012 venha com mais ânimo. Abraço.
Em 24/12/2011, Émerson escreveu:
Caro Roberto Porto, Sou seu leitor (no Direto da Redação e no Blog do Roberto Porto), e fico triste em saber que andas carregando tão pesados fardos. Mas, como alguns já disseram acima, embora cada um saiba onde sente a dor, digo-lhe que o Senhor Nosso Deus, nosso Criador, sabe o que é melhor para cada um de nós. Sou espírita e tenha a plena convicção de que tanto eu, quanto você e Ada Regina, e todos os seres humanos, somos Espíritos Imortais, o fenômeno que denominamos morte não passa de uma mudança para outro plano vibracional. Portanto, sua amada esposa continua velando-lhe o sono, continua acompanhando-o a cada instante. E não deve estar gostando que continues abatido. Força, ânimo! PS.: O nosso Glorioso passa por momentos delicados, e precisa de você...
Em 26/12/2011, Adelino Pinto da Silva escreveu:
Caro Roberto. Perdi minha esposa em 2006, três dias após o meu aniversário. Morte repentina. Tivemos três anos de namoro/noivado e 39 de casados. Confesso que fiquei perdido. Atônito. Dias depois, num sábado, ousei pedir a ela que - dentro dos próximos 5 minutos - me desse um sinal de que estava feliz em algum lugar. Dois minutos depois, casualmente fui pegar um livro na estante. Foi quando caiu um envelope contendo antigos cartões de Natal e de aniversários. Peguei o primeiro que me veio às mãos: Lá estava escrito por ela: "Adelino, eu te amo. Feliz aniversário". Pode estar certo de que sua Regina está em algum lugar deste Universo, bem melhor do que nós, simples mortais. E muitas vezes ao seu lado, dando-lhe forças para continuar a cumprir a tarefa que lhe foi destinada neste planeta. Um grande abraço de seu antigo leitor r ouvinte.
Em 06/01/2012, Jefferson Severino escreveu:
Caríssimo confrade ! Já "perdi" diversos familiares, o último agora foi meu pai. O que há de novo nisso? apenas retornamos a nossa verdadeira Pátria, cuja viagem vc. também irá fazer. Ela apenas foi mais cedo. Quem somos nós para jungar que nossos entes mereciam ou não isso se fomos nós mesmo que escolhemos a nossa caminhada, nossas dores e mazelas que nada mais são do que o próprio remédio que pedimos a farmácia do Grande Arquiteto do Universo? A doença, como o câncer do meu pai é a cura para um espírito que precisou deste remédio para depurar-se. Deixa a tua esposa seguir viagem e siga a tua, com muito mais ânimo com a mais certeza absoluta que se voc~e estiver bem, ela estará melhor ainda, caso contrário o martírio dela será imensurável e se vc. realmente a amava, então liberte-a com urgência. Busque na Doutrina de Kardec, o lenitivo para a tua dor. Fraternalmente. Jeff Severino Jornalista - SC-01571-JP www.colunaonline.com.br
Em 25/01/2012, ANNA MARIA da NOVA MONTEIRO PEREZ escreveu:
Sr. Roberto,as mensagens acima dizem muito.Eu fico emocionada qdo vejo tanto amor entre duas pessoas,realmente é muito difícil prosseguir,mas espero que o Sr. consiga colocar as peças denovo em ordem nos seus sentimentos,no seu coração.O tempo ameniza a dor,e não se esqueça que todos nós seus leitores precisamos que o Sr. continue escrevendo.Esta é sua missão,um dom que Deus lhe deu.Acredito que sua senhora Ada Regina está sempre ao seu lado.Eu acho esta vida um mistério.Um abraço