Seja Bem-VindoQuinta Feira, 29 de Julho de 2010

Publicada em:06/09/2007

 

CIDADANIA E POLITICA



Quem pensa que corrupção é coisa nossa está redondamente enganado. Ela existe em qualquer país de primeiro mundo. A diferença está no tamanho da, digamos, desonestidade, e na forma e presteza como a questão é enfrentada e resolvida sem a interferência da mídia e dos políticos.

Agora mesmo, os dois mais populosos condados da Flórida, o de Miami, com dois milhões e 400 mil habitantes, e o de Broward, com um milhão e 800 mil, estão às voltas com dois big escândalos de corrupção num setor que deveria primar pela honestidade, o setor de polícia.

Em ambos os condados, os dois Xerifes – cargo que no Brasil equivaleria ao de Chefe de Polícia, foram investigados e acusados de cometerem irregularidades, que vão desde a obtenção de vantagens valendo-se do prestígio do cargo até o descumprimento das obrigações normais a que todo cidadão está sujeito.

O de Broward, Ken Jeanne, que ficou nove anos no cargo - vale dizer que o cargo é eletivo -, está sendo acusado de sonegação de imposto de renda, por não declarar empréstimos particulares que tomou de empresários para a compra de um carro Mercedes-Benz conversível, além de fraudes no valor de 80 mil dólares e recebimento de propinas de empresários da construção.

Diante de um juiz federal, ele declarou-se culpado (pleaded guilty), uma espécie de acordo entre o acusado e a promotoria que pode garantir a ele alguma vantagem - se é que se pode chamar assim – na hora da sentença.

Com o acordo, a pena de Ken deve ficar entre 18 e 24 meses em prisão federal. A leitura da sentença está marcada para 16 de novembro e ele depositou uma fiança de 100 mil dólares para permanecer em liberdade até lá.

Ao deixar a Corte, o ex-xerife disse que este foi “o pior dia da vida dele” e pediu desculpas a todos pelo que chamou de “erros pessoais”.

Do episódio, nosso país pode tirar algumas lições.

A primeira é que o ex-xerife foi investigado pelos órgãos federais em absoluto silêncio, durante dois anos. Ou seja, nenhuma informação privilegiada para um ou outro orgão da imprensa. O relatório foi divulgado publicamente e em condições de igualdade entre os veículos.

Também não existiu a indústria do denuncismo gratuito, cujo objetivo é vender mais revistas e jornais ou, pior que isso, desestabilizar governantes.

Outra lição que podemos tirar do caso é a impressionante celeridade com que eles enfrentaram e resolveram o problema. O relatório das ivestigações foi divulgado na última segunda-feira. Na terça, o xerife renunciava e nesta quarta já estava diante de um juiz para se declarar culpado.

Um processo judicial rápido e eficiente, que não envolve ideologias ou partidos politicos, apesar da origem do acusado no partido democrata. Mas nos EUA isso não vem ao caso quando se trata de cuidar da coisa pública e onde o interesse dos cidadãos está acima das questões políticas.

Ah, ia esquecendo de falar no chefe de polícia do condado de Miami, John Timoney. Esse está sendo criticado por usar gratuitamente um carro no valor de 54 mil dólares, cedido espontaneamente por um revendedor Lexus. Ele permanece no cargo, mas já recebeu um voto de desconfiaça da Ordem de Policiais de Miami que reune mais de 500 servidores.



 
 
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