Seja Bem-VindoSegunda Feira, 08 de Fevereiro de 2010

Publicada em:06/02/2008

 

OBA, OBA, OBAMA



Bristol (EUA) – Há poucos meses, Hillary Clinton estava praticamente coroada candidata democrata à sucessão de George W. Bush. Em fevereiro de 2007, quando Barack Obama declarou que iria disputar as primárias do partido, a mídia americana conjeturou que ele estaria lançando um balão de ensaio para uma tentativa posterior, talvez em 2012 ou 2016. Agora, todos diziam, era a vez de Hillary e Barack sabia disso.

Mas ele não sabia. Preferiu acreditar que tinha um recado para dar e subitamente, com a aproximação do caucus de Iowa, suas palavras começaram a encontrar eco.

Em pouco mais de um mês - e já depois da disputa da chamada Super Duper Tuesday - estamos numa situação em que o candidato do Partido Republicano está praticamente escolhido. Será John Mccain, senador republicano pelo estado de Arizona que tem como destaque em sua biografia o fato de ter sido prisioneiro de guerra no Vietnã durante cinco anos.

Mas é aí que reside a dificuldade republicana. Os eleitores em geral estão a pedir soluções para problemas urgentes, como a recessão, a educação, Assistência Médica, a guerra no Iraque, o desemprego e a crise provocada pelas hipotecas de alto risco. Poucos, a não ser os obcecados por feitos militares contra o comunismo ou o islamismo, acham que, por ter ficado tanto tempo na cadeia, McCain merece agora ocupar a Casa Branca.

Hillary Clinton, comboiada por Bill Clinton, seria a volta do velho Partido Democrata. Barack Obama é a voz de um novo Partido Democrata, dinamizada por uma população de jovens que resolveu participar do processo político. Hoje temos o Partido Democrata dividido quase exatamente entre duas faixas etárias. Os mais velhos com Hillary, os mais jovens com Barack.

Este é o divisor de águas mais importante no momento, mais importante até do que a segmentação por gênero (Hillary Clinton seria a primeira mulher na presidência) e a por raça (Barack Obama seria o primeiro negro – ou, para sermos exatos, mulato).

Mas nem toda a velha guarda do Partido está com Hillary, como demonstrou o apoio de Ted Kennedy a Barack. Ê certo que Barack Obama perdeu para Hillary Clinton na primária de Massachusetts, território da família Kennedy, mas o favoritismo de Hillary Clinton no estado era forte demais para ser ameaçado. A Importância maior de Kennedy está – e continuará estar – em motivar o eleitorado hispânico a passar-se para o lado de Barack Obama.

É um processo recém iniciado, que ainda renderá frutos. Barack perdeu a Califónia e Nova York para Hillary na Super Duper Tuesday, mas ganhou em 13 estados contra oito.

Os estados remanescentes se inclinam mais para Barack Obama do que para Hillary Clinton, com exceção da Virgínia e da Pensilvânia. Mas em hipótese alguma se decidirá o assunto antes da Convenção do Partido.

É aí que entrarão em ação os superdelegados. Hillary terá um grande trunfo em seu favor, que é o poder de cabala de seu marido Bill.

Mas mesmo aí Barack Obama poderá continuar a surpreender.



 
 
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