Com a crise de subprimes que atinge bancos e o mercado imobiliário nos EUA, muitos dos nossos emigrantes, legais ou ilegais, estão desempregados com a paralização do setor de construções.
Há uns quinze dias, os jornais suíços contavam a história de uma jovem brasileira, casada, vivendo atualmente na França, mas presa na Suíça por entrada irregular no país. A polícia helvética submeteu-a a todos os vexames e, a pretexto de verificar se era portadora de drogas, submeteu-a à revista de suas partes íntimas.
No Japão, muitos casais de sanseis brasileiros, em busca de vida melhor na terra dos avós, têm problemas de adaptação de seus filhos nas escolas locais. Acabam por não ir mais às aulas e sem ocupação e sem aprender o japonês, tornam-se delinquentes.
Esses apenas alguns casos envolvendo emigrantes brasileiros. Uma pesquisa mais detalhada revelaria outros tantos problemas envolvendo esse segmento de mais de quatro milhões de brasileiros expatriados.
Felizmente, o balanço não é só negativo, um grande número já se adaptou, se integrou e – saudade à parte - vem obtendo até uma segunda nacionalidade, embora continue ligada por família e sentimentos ao Brasil. Uma segunda geração, nascida na emigração, está crescendo, frequenta escolas norte-americanas, européias, japonesas é, portanto, bilingue e está tendo boa formação profissional ou se preparando para a universidade.
Uma boa parte dessa nova geração de brasileiros filhos da emigração vai manter o hábito de visitar seus familiares no Brasil e, um certo número acabará fazendo o caminho inverso dos pais e avós, retornando definitivamente mas com o know-how obtido no estrangeiro. Isso será o lucrativo retorno do investimento espontâneo da emigração.
Porém, antes que isso ocorra, os emigrantes brasileiros já são uma valiosa fonte de recursos para o Brasil. Trabalhando duro no Exterior, assim que melhoram de vida, tão logo podem ter uma poupança, os emigrantes remetem dinheiro para manter a família ou para investir na construção de uma casa na qual esperam viver ao chegar à aposentadoria. Somando-se essas pequenas economias remetidas pelos emigrantes ao Brasil, se tem um total calculado em mais de sete bilhões de dólares.
E isso não é nada. Dentro de alguns anos, muitos desses emigrantes começarão a se aposentar nos EUA, na Europa e no Japão. Uma grande parte realizará seu sonho de retornar para viver a terceira idade no Brasil e os institutos de aposentadoria dos países onde viveram irão remeter ao Brasil suas rendas. Serão ainda mais bilhões de dólares e euros entrando no Brasil.
Porém, para que essa previsão não vire fumaça é preciso que o Brasil acalente, proteja e se preocupe com seus emigrantes. Não só elaborando leis que os beneficiem, seja de bitributação para evitar que paguem imposto no país onde trabalham e no Brasil; seja de aposentadoria, para poderem contar os anos trabalhados no Brasil e, no caso de voltaram ainda na idade ativa, os anos trabalhados no estrangeiro; seja de seguro-saúde, de proteção no trabalho, de reunião de família quando emigrantes, de respeito aos seus direitos humanos e daí por diante.
Sem ser esquecida a manutenção do nosso idioma, da nossa cultura e tradições junto aos filhos da emigração, através de escolas e de incentivos culturais que interessem também os setores privados brasileiros.
No Senado, está na pauta, uma proposta de Emenda Constitucional, a 05/05. de autoria do senador Cristovam Buarque, para que os emigrantes tenham seus representantes no Senado e na Câmara Federal, a fim de elaborarem leis em seu favor, assim como foi a recente proposta, aprovada em setembro passado, restabelecendo a nacionalidade brasileira para os filhos da emigração, que lhes tinham sido retirada em 1994.
Se os emigrantes tiverem o direito de elegerem seus representantes, terão sem dúvida interesse em votar, pois participarão das eleições legislativas, às quais atualmente não têm direito. Pouca gente sabe, mas apenas cerca de cem mil dos mais de quatro milhões de emigrantes brasileiros votam no Exterior. Porque no regime atual não têm interesse e porque os consulados ficam longe, exigindo viagens e despesas para votar, sendo mais fácil justificar a ausência. Será preciso, portanto, se criar também o voto por correspondência para os emigrantes enviarem seu voto ao consulado mais próximso. Países como a Suíça utilizam o voto por correspondência, e não há fraude.
Tudo isso são objetivos a se conquistar em favor da emigração. Em muitos países, existem comunidade brasileiras que organizam creches, cursos de português (outra coisa que os emigrantes poderiam cobrar do Itamaraty como um pequeno retorno dos sete bilhões enviados ao Brasil), congressos para discutir sua situação no país onde vivem, para discutir a integração de seus filhos. Essas comunidades criam jornais e revistas que vivem de publicidade de produtos feitos juntos aos brasileiros.
Por isso, a idéia de se ir um pouco mais longe e se criar o clima para que se reconheça o direito desses milhões de emigrantes, vivendo em países diversos, terem direito a uma grande federação de comunidades chamada Estado dos Emigrantes. Mas para se fazer campanha pela criação desse Estado, não bastará o apoio obtido dos pais e mães ao movimento dos Brasileirinhos Apátridas – esse movimento de cidadania que mudou a Constituição brasileira.
Vai ser preciso sensibilizar políticos, ministros, governo e se obter o apoio da grande mídia. Criar um lobby atuante em Brasília e conquistar intelectuais, artistas e o povo que vive no Brasil. E conquistar também empresários para a idéia, porque emigrantes também consomem e são geradores de riquezas.
O ideal seria se conjugar o projeto social e político em favor dos emigrantes com as oportunidades econômicas que abre esse enorme mercado de mais de quatro milhões de emigrantes.
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